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O Brasil já mudou de regras gramaticais 4 vezes!

De Carolina, publicado dia 20/07/2017 Blog > Apoio Escolar > Português > Quantas reformas ortográficas houve no português?

Como a gente anda dizendo nos vários posts publicados aqui no blog, as línguas faladas e inclusive o português têm influência de diferentes povos e elas não param de mudar!

Você até deve imaginar o porquê de tanta mudança, não é? Como o nome mesmo já diz, as línguas vivas são todas as línguas que estão na boca das pessoas. Elas se adaptam ao contexto vivido pelos países, às influências vindas de migrações, da indústria cultural, das línguas dos países vizinhos, etc.

Então, como tudo na vida, a língua também precisa de dar uma repaginada com o passar do tempo! Não é só o seu guarda roupa e os móveis da sua mãe!

Por isso, os acordos ortográficos atualizam as regras gramaticais da língua escrita e falada e as oficializam. Uma vez assinado o acordo ortográfico, o país (ou países) em questão e seu povo devem adaptar às suas mudanças.

Recentemente, nós tivemos que se adaptar ao acordo ortográfico de 1990 que foi assinado pelo Brasil (conheça a história do país e de sua língua) somente em 2009. Em 2016, as regras definidas por esse acordo tornaram-se obrigatórias.

O português é regulamentado com os acordos ortográficos Não se desespere! É normal que o idioma mude de tempos em tempos

Vamos ver algumas curiosidades sobre as diferentes reformas ortográficas às quais o Brasil e a língua portuguesa se submeteram até nossos dias.

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Reforma Ortográfica de 1911

A Reforma de 1991 basicamente simplificou a grafia das palavras em português que tinham influência grega e romana:

  • Grego: CH com som de K, exemplo – architectura
    PH com som de f – pharmacia, philosophia, grapho (escrever, gravar), phono (som, voz), telephone e phonographo, photo, diphthongo (ditongo), phleugma (fleuma), phosphoro (fósforo)
    TH – theatro, thorax, athomo, athmosphera, bibliotheca
    Outras: estylo (estilo), lyrio (lírio)
  • Latim: MM – o primeiro m significava o som nasal e o segundo o m silábico – commercio (commercium em latim)
    MN – as duas letras estavam juntas pelas mesmas razões que a do MM. A única diferença é que em vez de m, o n que formava a sílaba – alumno (aluno) e columna (coluna)
    Outras: prompto (pronto), exhausto (exausto), psalmo (salmo)

Ela foi inspirada nas Bases da Ortografia Portuguesa criadas em 1885 que já pregavam a simplificação da língua portuguesa (saiba a história do idioma).

O intuito era de justamente facilitar a alfabetização dos portugueses naquela época em que o alfabetismo era muito grande. Portugal tinha acabado de se tornar uma república em 1910, por isso, era importante para a nação que todos os seus habitantes soubessem ler e escrever.

Porém, nós brasileiros não adotamos essa reforma de imediato. A Academia Brasileira de Letras junto com a Academia das Ciências de Lisboa assinaram um documento de Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro somente em 1931.

Formulário Ortográfico de 1943

Devido a divergências entre Portugal e Brasil com relação à ortografia das duas línguas: português do Brasil e português e Portugal, eles decidiram romper com o Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1931 e oficializar as diferenças de ortografia em cada país.

Várias reformas ortográficas aconteceram na língua portuguesa Não foi da noite para o dia que eles mudaram nosso idioma

Na verdade, o Brasil parece não ter obedecido o acordo Luso-Brasileiro de 1931 empregando ainda a grafia do latim e do grego para algumas palavras do vocabulário.

Já Portugal já tinha implementado as mudanças do acordo ortográfico de 1911 na língua.

O rompimento entre os dois países aconteceu depois de vários encontros entre acadêmicos portugueses e brasileiros que não conseguiram entrar em acordo no início da década de 40.

A principal razão para o desacordo entre os dois países foi a tentativa de unificar 100% do vocabulário de Portugal e do Brasil.

Assim, Portugal instituiu o Formulário Ortográfico de 1945 e o Brasil o aprovou através de um decreto-lei 8.286. Porém, o Congresso Nacional não acatou ao decreto-lei e o Brasil nunca obedeceu ao formulário de 45. Nosso país continuou a seguir o Formulário Ortográfico de 1943.

As palavras com grafias gregas e latinas saíram do nosso vocabulário somente com as regras de 1943.

Então, Portugal obedecia o Formulário Ortográfico em 1945 e o o Brasil um outro formulário feito em 1943.

Mais tarde, esse documento junto com as alterações incorporadas em 1971 que deram origem ao acordo ortográfico de 1990…

Reforma Ortográfica de 1971 (Brasil)

O Formulário de 1943 não resolveu um grande problema da língua portuguesa no Brasil (considerada sexy?): as diferentes ortografias para escrever as mesmas palavras.

Por isso, eles resolveram mudar principalmente a acentuação das palavras para que a ortografia das mesmas seja igual.

O português mudou ao longo do tempo Quantas mudanças na língua portuguesa!

Portugal também aderiu a essa reforma ortográfica dois anos depois, em 1973. Assim, 70% das divergências entre os dois portugueses desapareceram.

Portanto, houve a queda dos acentos diferenciais.

Eles eram utilizados para diferenciar substantivos e verbos das mesmas classes de palavras que tinham a mesma grafia, mas sentidos diferentes. Por exemplo:

  • pilôto (substantivo) / piloto (ó) (do verbo “pilotar”);
  • côr (vermelho, amarelo, etc) / Cor (ó) (coração);
  • êle (pronome) / ele (é) (nome dado à letra L);
  • govêrno (substantivo) / governo (é) (verbo);
  • êste (pronome) / este (é) (Leste) (Fonte: Wikipédia)

Porém, eles materam algumas exceções como:

  • por (preposição) / pôr (verbo)
  • pode (verbo poder, presente) / pôde (verbo poder, pretérito)
  • pera (forma arcaica de pedra) / pêra
  • polo (palavra átona, forma antiga de pelo) / pólo
  • pelo, pela(s) (contração) / pêlo (substantivo) / pélo, péla(s) (verbo pelar, presente)
  • coa(s) (contração de com + a) / côa(s) (verbo coar)
  • tem, vem / têm, vêm (Fonte: Wikipédia)
  • para (preposição) / pára (verbo parar)

Outras palavras que mudaram a acentuação foram as que tinham acento grave das sílabas subtônicas.

Algumas palavras com o acréscimo do sufixo (-mente, -zinho, -zal, etc) mantinham o acento ou trocavam para acentos graves (no caso de terem acentos agudos sem o sufixo). Por exemplo:

  • econômica > econômicamente
  • conseqüente > conseqüentemente (acento abolido somente em 1990)
  • cristã > cristãmente (regra mantida)
  • inegável > inegàvelmente
  • indelével > indelèvelmente
  • sensível > sensìvelmente

Somente algumas palavras mantiveram o acento grave no caso de ser uma crase como: à, às, àquele(s), àquela(s), àquilo.

Outras regras de acentuação também foram simplificadas com o Acordo Ortográfico de 1973.

Acordo Ortográfico de 1990

Quanta dor de cabeça foi causada para colocar em prática o Acordo Ortográfico de 1990!

Mas ainda bem que essa dor de cabeça inicial veio para aliviar as regras da gramática da língua portuguesa (conheça os famosos que falam português!).

Muitos são contrários a essa proposta e acham que ela ainda dá muita dor de cabeça…

Para se ter uma ideia, o Brasil assinou o Acordo Ortográfico de 1990, mas o acatou somente em 2009, ou seja, 19 anos depois!

Ao que parece, nós não queríamos muito parecer com nossos ex-colonizadores no ponto de vista da língua…

Ou eram eles que não queriam ceder às nossas exigências? Você vai ver que, na verdade, o acordo ortográfico de 1990 envolveu todos os países lusófonos.

A verdade é que não sabemos ao certo o motivo de tanta demora, mas vamos tentar descobrir adiante…

Razões políticas para a implantação do acordo de 1990

Como já criamos muita polêmica, vamos à história que resultou em tantos vaivéns diplomáticos e que finalizou pela tentativa de unir a língua portuguesa da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O principal argumentou que fomentou essa última reforma ortográfica foi diminuir as diferenças entre os portugueses falados em todos os países lusófonos: Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Angola, São Tomé e Príncipe e Timor Leste (independente a partir de 2004).

Mas porque uniformizar os portugueses de todos os países lusófonos?

A ideia é aumentar o prestígio da língua no mundo (como os estrangeiros veem nosso idioma?) e as trocas comerciais e não-comerciais entre os países. Melhorar a comunicação entre as nações lusófonas, isso?

A língua portuguesa e suas mudanças Aprenda tudo sobre o novo acordo ortográfico como os outros!

Todo o processo foi iniciado pela Academia das Ciências de Lisboa. Vários pesquisadores de todos os países lusófonos foram à cidade para contribuir com o novo acordo.

No caso do Brasil, os convidados foram Antônio Houaiss (sim, do dicionário!) e Nélida Piñon.

As novas regras deveriam ser incorporadas em 1994. Porém, somente três países assinaram o documento: Portugal, Brasil e Cabo Verde. Com isso, sua entrada em vigor foi adiada.

Somente em 2004 com a independência do Timor Leste é que o assunto voltou à tona. Dessa vez, eles entraram em um acordo que precisariam da ratificação de três países da CLPL para colocar o acordo em vigor.

O Brasil, então, ratificou o “Segundo Protocolo Modificativo” em 2004 junto com Cabo Verde. Em 2006 foi a vez de São Tomé e Príncipe. Porém, Portugal só ratificou o segundo protocolo em 2008 por causa de desavenças sobre o acordo entre os parlamentares.

Depois de Portugal, Timor Leste e Guiné-Bissau assinaram o acordo em 2009. Atualmente, somente Angola não aderiu ainda ao novo acordo ortográfico.

Com a ratificação de Guiné-Bissau no acordo, as regras começaram a valer no Brasil e nos outros países em 2009.

Foi estipulado um período de transição para a efetivação do acordo: de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2015. Por isso, as normas se tornaram obrigatórias em 1º de janeiro de 2016.

Principais mudanças com o acordo de 1990

As principais mudanças na língua aconteceram na acentuação, no hífen, no trema e no alfabeto.

  • Acentuação:
    – Os ditongos (encontro de duas vogais na mesma sílaba) abertos éi, ói, e éu não são mais acentuados em paroxítonas (continuam acentuados em monossílabos e em oxítonas ). Por exemplo, as paroxítonas ideia, plateia, heroico, jiboia (antes – idéia, platéia, heroíco, jibóia).
    – Não existe mais o acento diferencial em palavras homográficas. Veja o antes e o depois das palavras: pára/para, péla (s)/pela (s), pêlo (s)/pelo (s), pólo (s)/ polo (s) e pêra/pera
    – Verbos ter e vir: acentua-se as formas verbais na terceira pessoa do singular (ele/ela) de ter e seus derivados com acento agudo.
    A 3ª pessoa do plural (eles/elas) preserva o acento circunflexo de ter e derivados/vir.
    – Hiato (dois sons vocálicos em duas sílabas consecutivas): os hiatos oo ou não são mais acentuados
  • O hífen foi eliminado:
    – Segundo elemento começando por s ou r. As duas consoantes devem ser duplicada: antirreligioso, contrarregra
    – Prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente: extraescolar, autoestrada.
  • Trema desaparece de todas as palavras
  • Alfabeto: as letras k, w e y entram no alfabeto

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