"A narrativa está presente em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as sociedades, começa com a própria história da humanidade. (...) é fruto do gênio do narrador ou possui em comum com outras narrativas uma estrutura acessível à análise" - Roland Barthes

A redação é um dos gêneros textuais mais demandados em provas nacionais e no universo acadêmico e escolar em geral. Para escrever uma boa redação, não há muito segredo: é fundamental ler e praticar muito.

Mas você sabia que existem diferentes tipos de redação? Entre eles os principais são: redação descritiva, redação dissertativa e redação narrativa. É esta última que vamos abordar neste artigo: quais as principais características desse texto? Para que serve uma narrativa? Como escrever uma redação?

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O que é texto narrativo?

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Como escrever uma redação?
Você sabe quais são os elementos básicos de um texto narrativo?

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Em suma, a redação narrativa ou narração é um gênero textual cujo objetivo principal é relatar uma história real, fictícia ou uma mistura de dados reais e imaginários. Como características principais, podemos afirmar que todo texto narrativo possui um narrador, que apresenta personagens e estes personagens atuam em um tempo e em um espaço determinados. A redação precisa de todos esses elementos para que haja coerência e para que se caracterize como narrativa.

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Para que serve a redação narrativa?

A narração é um dos gêneros mais populares; podemos afirmar que hoje há diversos tipos de textos narrativos e que são produzidos e lidos por pessoas de todo o mundo.

A redação narrativa é a base de diversos textos literários, como o romance, novela, conto, crônica e fábula. Confira a descrição de cada um deles segundo o site Infoescola:

  • Romance: em geral é um tipo de texto que possui um núcleo principal, mas não possui apenas um núcleo. Outras tramas vão se desenrolando ao longo do tempo em que a trama principal acontece. O Romance se subdivide em diversos outros tipos: Romance policial, Romance romântico, etc. É um texto longo, tanto na quantidade de acontecimentos narrados quanto no tempo em que se desenrola o enredo.
  • Novela: muitas vezes confundida em suas características com o Romance e com o Conto, é um tipo de narrativa menos longa que o Romance, possui apenas um núcleo, ou em outras palavras, a narrativa acompanha a trajetória de apenas uma personagem. Em comparação ao Romance, se utiliza de menos recursos narrativos e em comparação ao Conto tem maior extensão e uma quantidade maior de personagens.
  • OBS: A telenovela é um tipo diferente de narrativa. Ela advém dos folhetins, que em um passado não muito distante eram publicados em jornais. O Romance provém da história, das narrativas de viagem, é herdeiro da epopéia. A novela, por sua vez, provém de um conto, de uma anedota, e tudo nela se encaminha para a conclusão.
  • Conto: É uma narrativa curta. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucas personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode ser cronológico ou psicológico.
  • Crônica: por vezes é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o desenrolar dos fatos. A crônica também se utiliza da ironia e às vezes até do sarcasmo. Não necessariamente precisa se passar em um intervalo de tempo, quando o tempo é utilizado, é um tempo curto, de minutos ou horas normalmente.
  • Fábula: É semelhante a um conto em sua extensão e estrutura narrativa. O diferencial se dá, principalmente, no objetivo do texto, que é o de dar algum ensinamento, uma moral. Outra diferença é que as personagens são animais, mas com características de comportamento e socialização semelhantes às dos seres humanos.
  • Parábola: é a versão da fábula com personagens humanas. O objetivo é o mesmo, o de ensinar algo. Para isso são utilizadas situações do dia a dia das pessoas.
  • Apólogo: é semelhante à fábula e à parábola, mas pode se utilizar das mais diversas e alegóricas personagens: animadas ou inanimadas, reais ou fantásticas, humanas ou não. Da mesma forma que as outras duas, ilustra uma lição de sabedoria.
  • Anedota: é um tipo de texto produzido com o objetivo de motivar o riso. É geralmente breve e depende de fatores como entonação, capacidade oratória do intérprete e até representação. Nota-se então que o gênero se produz na maioria das vezes na linguagem oral, sendo que pode ocorrer também em linguagem escrita.
  • Lenda: é uma história fictícia a respeito de personagens ou lugares reais, sendo assim a realidade dos fatos e a fantasia estão diretamente ligadas. A lenda é sustentada por meio da oralidade, torna-se conhecida e só depois é registrada através da escrita. O autor, portanto é o tempo, o povo e a cultura. Normalmente fala de personagens conhecidas, santas ou revolucionárias.

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Como escrever uma redação

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Uma narrativa bem escrita leva os leitores a um mundo mágico!

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Ao desenvolver uma redação narrativa, saiba que alguns elementos são obrigatórios. Conheça alguns deles:

Tipos de narradores

Existem três categorias diferentes de narradores:

  • Narrador-personagem: ele faz parte do enredo que ele próprio narra. O relato é exposto sempre na 1ª pessoa.
  • Narrador-observador: ele constata os acontecimentos e os conta sem interagir com o enredo, que é contado em 3ª pessoa.
  • Narrador-onisciente: ele tem o conhecimento de tudo o que acontece no enredo e está presente nas reflexões dos personagens. Também narrado em 3º pessoa.

Elementos da narração

  • Tempo: o espaço de tempo em que os eventos acontecem. Pode ser um período cronológico ou um período psicológico
  • Espaço
  • Enredo: o acontecimento em si. Deve apresentar começo, meio e fim.
  • Personagens: são as pessoas que fazem parte do fato e que estão sendo mencionados pelo narrador.
  • Narrador: aquele que narra o acontecimento.

Existem ainda outros elementos que auxiliam na elaboração do enredo:

  • Introdução: deve apresentar os elementos mencionados acima como o espaço, o tempo, as personagens e o enredo.
  • Trama: é a narração do acontecimento propriamente dito.
  • Clímax: um dos momentos mais importantes da narrativa, no qual os acontecimentos se adequam para alcançar o desenlace.
  • Desenlace: é a finalização da narração, como se tudo o que estivesse sem resolução anteriormente encontra a sua conclusão.

Dicas para escrever uma redação narrativa

  • Coerência em primeiro lugar: sempre tente ser coerente em relação aos diferentes elementos que compõem a narrativa: personagens, espaços, fatos.... Isso contribui para a qualidade da redação. Fatos desconexos e sem sentido, erros de roteiro, personagens sem personalidade, etc. colabora para uma redação narrativa ruim.
  • A profundidade da narrativa: personagens bem elaborados, cenários bem descritos e desenvolvimento bem amarrado são segredos de uma boa narrativa.
  • Começo, meio e fim: o desenvolvimento da redação deve necessariamente respeitar essa ordem. Lembre-se de ser objetivo e claro ao escrever.

Um exemplo de texto narrativo

Pensar em uma boa contextualização para o tema da redação é uma ótima maneira de alimentar suas ideias para o resto do texto.

Selecionamos aqui um conto curto infantil como exemplo de texto narrativo:

Era uma vez uma galinha ruiva chamada Marcelina que vivia rodeada de muitos animais. Era uma granja muito grande no meio do campo. No estábulo viviam as vacas e os cavalos; os porquinhos tinham o seu próprio chiqueiro. Havia até um tanque com patos e um cercado com muitas galinhas. Havia na granja também uma família grande que cuidava dos animais, entre eles um gato e um cachorro. Um dia a galinha ruiva, escavando a terra encontrou um grão de trigo. 

Pensou que se plantasse o grão de trigo, depois poderia fazer pão para ela e todos os seus amigos. 

- Quem vai me ajudar a semear o trigo? Perguntou a galinha. 

- Eu não, disse o pato. 

- Eu não, disse o gato. 

- Eu não, disse o cachorro. 

- Muito bem, pois eu plantarei sozinha, disse a galinha.

E assim, Marcelina semeou o seu grão de trigo, sozinha, com muito cuidado. Abriu um buraco na terra e o tapou. Passado algum tempo o trigo cresceu e amadureceu se tornando uma bonita planta. 

- Quem vai me ajudar a colher o trigo? Perguntou a galinha ruiva. 

- Eu não, disse o pato. 

- Eu não, disse o gato. 

- Eu não, disse o cachorro. 

- Muito bem, se não querem me ajudar, eu colherei sozinha mesmo, exclamou Marcelina.

E a galinha, com muito esforço colheu sozinha, o trigo. Teve que cortar com o seu pequeno bico um a um dos talos. Quando acabou, muito cansada perguntou aos seus companheiros: 

- Quem vai me ajudar a debulhar o trigo? 

- Eu não, disse o pato. 

- Eu não, disse o gato. 

- Eu não, disse o cachorro. 

- Muito bem, eu debulharei sozinha.

Estava muito chateada com os outros animais, assim que se pôs sozinha a debulhar o trigo. Triturou com paciência até que conseguiu separar o grão da palha. Quando acabou, voltou a perguntar: 

- Quem vai me ajudar a levar o trigo para o moinho para convertê-lo em farinha?

- Eu não, disse o pato. 

- Eu não, disse o gato. 

- Eu não, disse o cachorro. 

- Muito bem, eu levarei e amassarei sozinha mesmo, respondeu Marcelina.

E como a farinha fez uma deliciosa e macia barra de pão. Após cozinhar o pão, muito tranquilamente perguntou: 

- E agora, quem vai querer comer pão? Voltou a perguntar a galinha ruiva. 

- Eu, eu! Disse o pato. 

- Eu, eu! Disse o gato. 

- Eu, eu! Disse o cachorro. 

- Pois bem, nenhum de vocês vai comer! Disse Marcelina. Comerei eu e os meus filhos, pois não quiseram me ajudar a semear, colher, debulhar, nem amassar o trigo. 

E assim o fez. Chamou seus pintinhos e compartilhou o pão com eles. 

Autor: Byron Barton

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Fernanda

Socióloga e mestre em Letras Modernas pela Sorbonne. Entre França e Brasil, trabalho com jornalismo e projetos socioeducativos há 20 anos. Apaixonada por música, cinema e yoga. Acredito na cultura e na educação como pilares de transformação da sociedade.