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Tipos de redação: carta

De Fernanda, publicado dia 18/09/2019 Blog > Apoio Escolar > Redação > Como escrever uma carta argumentativa?

Em tempos de whatsapp e instagram, escrever uma carta parece um ato ultrapassado. Mas saber escrever uma carta e dominar suas características e estrutura textual é muito importante na sociedade contemporânea. E por quê? Na verdade, é por meio dela que os cidadãos têm a possibilidade de opinar sobre os mais diversos assuntos, expondo seus argumentos para os mais diferentes destinatários, como instituições públicas, empresas, personalidades, representantes ou jornais.

Confira nesse artigo todas as dicas sobre como redigir uma boa carta!

O que é uma carta?

Como redigir uma carta? Para que serve saber escrever uma carta hoje em dia?

A legislação brasileira, em sua regulamentação dos serviços postais, define carta como: “objeto de correspondência, com ou sem envoltório, sob a forma de comunicação escrita, de natureza administrativa, social, comercial, ou qualquer outra, que contenha informação de interesse específico do destinatário”.

Mas existem muitos tipos de carta. Aqui vamos abordar especificamente o gênero carta argumentativa.

A função básica deste gênero textual é apresentar e defender o ponto de vista do remetente. Nesse sentido, a argumentação é seu principal recurso de convencimento, de forma que o emissor (quem escreve), tenta convencer o receptor (quem lê) sobre determinado assunto e seu ponto de vista.

As principais características da carta argumentativa são:

  • Persuasão e argumentação
  • Linguagem clara e objetiva
  • Em geral escrita em 1ª pessoa
  • Presença de destinatário e remetente
  • Uso de pronomes de tratamento
  • Assinatura do escritor (locutor)

Para que serve um texto em formato carta?

A carta é um instrumento de comunicação que já foi muito usado para conversar com outras pessoas que estão distantes. Com o avanço da tecnologia, este tipo de ferramenta está cada vez mais em desuso.

Apesar de estarmos vivendo a era da informação, onde nos comunicamos com os outros por meio de whatsapp, Facebook, e-mails, Instagram, enfim, pelas mais diversas redes sociais, dominar esse gênero textual é fundamental para que você desenvolva capacidades argumentativas e dissertativas em geral.

Isto também não significa que a carta deixou de existir: além de ainda ser usada, apesar de ser em pouca escala, também utilizamos o gênero argumentativo para redigir e-mails e outros textos digitais.

Além disso, esse gênero textual é frequentemente solicitado em provas, vestibulares (como a UEL e a Unicamp) e até mesmo no Enem.

Como fazer um texto em padrão carta?

Embora seja um texto dissertativo argumentativo (com estrutura básica de introdução, desenvolvimento e conclusão), a estrutura da carta argumentativa inclui ainda outros elementos:

  • Local e Data: Em primeiro lugar, é preciso identificar o nome da cidade (local) em que se encontra o emissor e a data que está sendo produzida. Essa seção também é chamada de cabeçalho.
  • Nome do Receptor: Abaixo da data e do local, deverá surgir o nome da pessoa ou do órgão a quem se destina a carta.
  • Saudação Inicial: Dependendo da formalidade, utilizamos determinadas saudações iniciais (vocativos). Representam as formas de tratamento como: prezado (ou caro) senhor ou senhora, excelentíssimo, digníssimo, dentre outros.
  • Introdução: Na introdução, o assunto a ser abordado durante todo o texto deverá ser abordado, ou seja, o tema principal da carta.
  • Desenvolvimento: Já que se trata de um texto argumentativo, nesse momento as argumentações e os pontos de vista deverão ser explorados de forma a convencer o leitor.
  • Conclusão: Trata-se da parte final do texto, que apresenta o arremate das ideias expostas na introdução e no desenvolvimento. Em outras palavras, é a parte da síntese das ideias que aparece uma proposta, recomendação e/ou sugestão.
  • Despedida: É a saudação final que colocará fim no seu texto, por exemplo, “atenciosamente”, se for formal, ou “beijos e abraços”, de maneira informal.
  • Nome do Emissor: No final da Carta, aparece o nome e assinatura de quem a produziu.

Além das questões estruturais citadas acima, o gênero textual de carta argumentativa precisa também apresentar as seguintes características:

  • Apresentação do assunto da carta e da tese (opinião) do autor sobre o tema na introdução da carta;
  • Construção de argumentos bem fundamentados que comprovem o ponto de vista do remetente;
  • Se possível, desenvolvimento de contra-argumentação – ou seja, produção de argumentos que refutem ideais contrárias àquelas do autor.
  • Conclusão sintetizando os argumentos e a tese ou, se necessário, sugerindo soluções para o tema abordado.

Descubra como escrever uma boa narrativa.

O gênero carta cai em vestibular

No site especializado em dicas para vestibulandos, o Mundo Vestibular, encontramos um exemplo de questão exigida pela prova da UEL – Universidade estadual de Londrina em 2002.

A partir da leitura crítica dos textos de apoio, escreva uma carta dirigida a um jornal da cidade, sugerindo medidas para conter a violência em Londrina.

a) A violência, quem diria, já não é o que mais preocupa o brasileiro. Chegamos à era da selvageria.

(Marcelo Carneiro e Ronaldo França)

Não é preciso ser especialista em segurança pública para perceber que o crime atingiu níveis insuportáveis. Hoje, as vítimas da violência têm a sensação quase de alívio quando, num assalto, perdem a carteira ou o carro – e não a vida.

Essa espiral de insegurança gerou uma variante ainda mais assustadora. É o crime com crueldade. A morte trágica de Tim Lopes, o repórter da Rede Globo que realizava uma reportagem sobre tráfico de drogas e exploração sexual de menores em um baile funk numa favela da Zona Norte do Rio de Janeiro, é apenas o exemplo mais recente de uma tragédia que se repete a toda hora. Desta vez, com uma questão ainda mais aguda: por que um bandido precisa brutalizar as suas vítimas?  

O fato de as cenas mais chocantes da brutalidade estarem quase sempre associadas a regiões pobres das áreas metropolitanas das capitais brasileiras criou, em alguns especialistas, a idéia de que boa parte dos problemas de segurança poderia ser resolvida com investimentos maciços na área social. Trata-se de um equívoco.

Um levantamento do jornal O Globo mostra que, desde 1995, a prefeitura do Rio já investiu quase 2 bilhões de reais em projetos de urbanização, saneamento e lazer em favelas. Isso não impediu que, nos últimos dez anos, houvesse um crescimento de 41% no número de mortes de jovens entre 15 a 24 anos, na maioria moradores de áreas carentes.

O aumento da criminalidade desafia qualquer lógica que vincule, de modo simplista, indicadores sociais a baixos índices de violência. Desde a década de 80, quando o tráfico de drogas passou a se estabelecer definitivamente nas principais cidades brasileiras, os números relativos à educação, saúde e saneamento só fazem melhorar no país.

O investimento dos governos estaduais em segurança também é crescente. Só neste ano, o governador paulista, Geraldo Alckmin, prometeu destinar 190 milhões de reais para o combate à criminalidade, a construção de três penitenciárias e a aquisição de novos veículos – um recorde.    

“Vincular violência somente a problemas sociais, por exemplo, é um erro. O crime organizado e a brutalidade que ele gera são um fenômeno internacional”, diz a juíza aposentada Denise Frossard. Os códigos de crueldade das organizações criminosas chinesas, com mutilações do globo ocular, ou da máfia italiana, especializada em decepar a língua dos traidores, não diferem em nada do “microondas”, criação dos traficantes cariocas para incinerar seus inimigos.

As soluções para tentar diminuir a espiral da brutalidade também podem ser encontradas no exterior. Criado em 1993, o projeto de Tolerância Zero, da prefeitura de Nova York, tinha desde o início o objetivo de combater os violentos crimes de homicídio por tráfico de drogas. Descobriu-se que o furto de veículos, um crime mais leve, tinha relação direta com os assassinatos.

Combatendo-se o furto, caía também o número de mortes. Assim feito, ao mesmo tempo que uma faxina nas delegacias eliminou centenas de policiais corruptos. São medidas que, no Brasil, ainda estão no campo da discussão. Quando finalmente se decidir pela ação, talvez já seja tarde. Por enquanto, a sociedade se pergunta, perplexa, como pode uma parte dela comportar-se de modo tão bárbaro. (Veja, jun. de 2002)

       b) Iniciativas contra sete gatilhos da violência urbana

É imprescindível discutir a violência quando ocorre um homicídio por hora só na grande São Paulo. A cifra prova que o poder público fracassou numa das principais obrigações determinadas pela Constituição: garantir a segurança dos cidadãos. Este artigo apresenta iniciativas que tentam minimizar algumas causas da violência como as detalhadas no quadro abaixo. Elas atuam sobre sete fatores que influem na criminalidade: desemprego, narcotráfico, urbanização, cidadania, qualidade de vida, identidade e família.

  • Vigário Geral
  • Nome: Grupo Cultural Afro Reggae
  • Área de atuação: combate ao narcotráfico e ao subemprego
  • Comunidades atendidas: Vigário geral, Cidade de Deus, Cantagalo e Parada de Lucas, Rio  de Janeiro (RJ)
  • População atendida: 744 jovens e adultos (números atuais)
  • Quando começou: 21 de janeiro de 1993
  • Quem financia: Fundação Ford (apoio institucional)
  •  Mais informações: site…
  • Jardim Ângela
  • Nome: Base Comunitária da Polícia Militar
  • Área de atuação: policiamento e atendimento social
  • Comunidades atendidas: Jardim Ângela
  • População atendida: 260 mil habitantes
  • Quando começou: 1998
  • Quem financia: Governo do Estado de São Paulo
  • Mais informações: fone…
  • (…)

Como aprender a escrever uma carta? Saber escrever uma carta argumentativa permite que você desenvolva suas habilidades de argumentação, inclusive nas redes sociais.

 Exemplo de carta

Londrina, 10 de setembro de 2002

Prezado editor,

O senhor e eu podemos afirmar com segurança que a violência em Londrina atingiu proporções caóticas. Para chegar a tal conclusão, não é necessário recorrer a estatísticas. Basta sairmos às ruas (a pé ou de carro) num dia de “sorte” para constatarmos pessoalmente a gravidade da situação. Mas não acredito que esse quadro seja irremediável. Se as nossas autoridades seguirem alguns exemplos nacionais e internacionais, tenho a certeza de que poderemos ter mais tranquilidade na terceira cidade mais importante do Sul do país.

Um bom modelo de ação a ser considerado é o adotado em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, onde foi criado, no início de 1993, o Grupo cultural Afro Reggae. A iniciativa, cujos principais alvos são o tráfico de drogas e o subemprego, tem beneficiado cerca de 750 jovens. Além de Vigário Geral, são atendidas pelo grupo as comunidades de Cidade de Deus, Cantagalo e Parada de Lucas.

Mas combater somente o narcotráfico e o problema do desemprego não basta, como nos demonstra um paradigma do exterior. Foi muito divulgado pela mídia – inclusive pelo seu jornal, a Folha de Londrina – o projeto de Tolerância Zero, adotado pela prefeitura nova-iorquina há cerca de dez anos.

Por meio desse plano, foi descoberto que, além de reprimir os homicídios relacionados ao narcotráfico (intenção inicial), seria mister combater outros crimes, não tão graves, mas que também tinham relação direta com a incidência de assassinatos. A diminuição do número de casos de furtos de veículos, por exemplo, teve repercussão positiva na redução de homicídios.

Convenhamos, senhor editor: faltam vontade e ação políticas. Já não é tempo de as nossas autoridades se espelharem em bons modelos? As iniciativas mencionadas foram somente duas de várias outras, em nosso e em outros países, que poderiam sanar ou, pelo menos, mitigar o problema da violência em Londrina, que tem assustado a todos.

Espero que o senhor publique esta carta como forma de exteriorizar o protesto e as propostas deste leitor, que, como todos os londrinenses, deseja viver tranquilamente em nossa cidade.

Atenciosamente,

M.

Como fazer um texto descritivo?

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