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Sobre o novo acordo ortográfico do português

De Camila, publicado dia 28/07/2017 Blog > Apoio Escolar > Português > Nova estrutura da ortografia do idioma do Brasil

“Reforma ortográfica”, “acordo ortográfico” ou ainda “novas regras ortográficas do português” são expressões utilizadas para denominar as mudanças pelas quais passaram a grafia da nossa língua portuguesa nos últimos anos.

A mais recente delas entrou em vigor no dia primeiro de janeiro de 2016, mas começou a ser debatida bem antes dessa data. Um ano e meio após a mudança, muitos nativos ainda se confundem quanto à ortografia correta de muitas palavras.

O processo de aprendizado de um idioma é progressivo e não acontece do dia para a noite. Sendo assim, é totalmente compreensível que grande parte da população que passou décadas utilizando uma determinada ortografia tenha dificuldades em assimilar a reforma.

Superprof decidiu, então, fazer uma seleção das principais dúvidas sobre as novas normas a serem aplicadas nas redações (faça as suas sem erro!) de jovens e adultos.

Um pouco de história sobre o acordo

Antes de entender um pouco mais sobre a recente modificação na ortografia da nossa língua, nada melhor que entender o porquê da sua existência.

A língua portuguesa já passou por quatro reformas ao total. SIM, a ortografia e regras de acentuação do nosso idioma já mudaram 4 vezes em menos de um século!

A primeira modificação aconteceu em 1943, a segunda em 1971, a terceira em 2009 e a mais recente aconteceu em 2016.

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa passou pela reforma do idioma. O acordo ortográfico foi feito entre os países integrantes da CPLP.

Para que serve a reforma?

Segundo o site Portal da Língua Portuguesa, a ortografia do nosso idioma é determinada por normas legais. A primeira tentativa de uniformização do idioma aconteceu em 1931. No entanto, o Brasil adotou um Formulário Ortográfico criado em 1943 enquanto Portugal passou por uma reforma em 1945. Esta última não chegou na nossa terrinha.

No início do século XX Portugal estabeleceu pela primeira vez um modelo ortográfico de referência para as publicações oficiais e para o ensino. No entanto, as normas desse primeiro Formulário Ortográfico não foram adotadas pelo Brasil. Desde então, a ortografia da língua portuguesa foi alvo de um longo processo de discussão e negociação, com o objetivo de instituir, através de um único tratado internacional, normas comuns que rejam a ortografia oficial de todos os países de língua portuguesa”.

Desde então, os países de língua portuguesa (saiba quais são os erros de aluno com dificuldades) tentam chegar a um consenso e por isso tantas mudanças. Agora, se você pensa que o acordo ortográfico de 2016 conseguiu igualar todas as divergências, então está muito enganado(a). Tal fato, inclusive, gerou críticas afiadas e revolta quanto à mudança nas regras, pois elas não seriam tão eficientes quanto deveriam.

A regra não é clara?

A edição brasileira do jornal El País publicou o parecer do professor e linguista brasileiro José Luiz Fiorin sobre o acordo de 2009: “A reforma ortográfica tem problemas técnicos, como por exemplo, ter se assumido a aceitação de duas grafias para palavras como ‘fato’, no Brasil, e ‘facto’ em Portugal”. Para ele, o ideal seria que nos dois países se utilizasse uma mesma forma de escrita, ainda que a pronúncia fosse distinta.

Ou seja, mesmo acontecendo com o intuito de unificar a ortografia do idioma, a reforma ainda apresenta falhas (diminua seus erros em português) quanto ao alcance do seu objetivo.

Quais são as principais modificações

Várias mudanças ocorreram quando o novo acordo da língua portuguesa finalmente foi implementado em 2016. Em 2013 as regras para a nova reforma já estavam prontas, mas o governo brasileiro resolveu esperar mais três anos para que ela entrasse em vigor.

Confira abaixo o que mudou:

Alfabeto

Hoje em dia, ao invés de 23, possuímos 26 letras em nosso alfabeto:

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z.

K, W e Y finalmente foram adicionadas ao conjunto de letras utilizado para a redação do nosso idioma. Antes, tais letrinhas só entravam na sequência alfabética se estudássemos alguma língua estrangeira.

Segundo o site de português (para jornais) da Uol, “essa mudança ocorreu com a intenção de deixar ‘as coisas mais organizadas’. Em nossa língua, temos nomes próprios e algumas abreviaturas que fazem uso dessas letras. A exemplo disso, temos: km, Yasmin, Wilson. Pensando nisso, o acordo procurou tornar oficiais as letras que já eram utilizadas pelos falantes do português.”

A modificação dos textos escritos impressos antes de 2016 é agora necessária. Várias publicações e documentos precisam ser modificados após o acordo.

Acentuação

Várias regras de acentuação das palavras foram modificadas. Esse foi o ponto que mais sofreu mudanças com a nova reforma. As alterações podem parecer numerosas, mas, segundo o Portal Brasil, apenas 0,8% dos vocábulos da nossa língua foram atingidos.

Trema

A trema sumiu. Sim, os dois pontinhos que ficavam em cima da letra “u” de palavras como “lingüiça” e “liqüidificador” não existem mais no nosso idioma. Agora se escreve (escreva melhor a língua portuguesa) “linguiça” e “liquidificador”.

Acento diferencial

Outro tipo de acentuação que vai entrar para a história, pois ela também deixa de existir. Palavras como “pára” (do verbo “parar”) e pêlo (sinônimo de cabelo) viraram apenas “para” e “pelo”.

Acento circunflexo

Desaparece nas palavras terminadas em “- êem” (terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo de “crer”, “ver”, “dar”…) e em “- ôo” (hiato). “Crêem”, “vêem”, “dêem”, “enjôo” e “vôo” agora são “creem”, “veem”, “deem”, “enjoo” e “voo”.

Acento agudo

Houveram duas modificações na aplicação do acento agudo, ambas suprimindo a acentuação:

  1. Nos ditongos abertos “- éi” e “- ói”. “Assembléia” e “paranóia”, por exemplo, passam a ser “assembleia” e “paranoia”.
  2. No “- í” e no “- ú” após ditongos (união de duas vogais) em palavras com a penúltima sílaba tônica (que é pronunciada com mais força, a paroxítona). Sendo assim, “feiúra” vira “feiura”.

Hífen

O tracinho que fica no meio das palavras compostas também foi abolido em dois casos específicos:

  1. Quando a segunda palavra começar com “s” ou “r”. Essas letrinhas devem, então, ser duplicadas. Assim, “contra-regra” vira “contrarregra” e “contra-senso” passa a ser “contrassenso”. Exceção: se o prefixo termina em “- r”, tudo fica como está. Exemplo disso é “super-resistente”, que continua escrito da mesma forma.

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O impacto sobre a língua portuguesa

Como mencionamos anteriormente, as mudanças que visam a padronização da língua portuguesa em todos os países lusofônicos vêm sendo planejadas há décadas. O acordo feito para colocar em prática tais transformações foi assinado em 1990 pelos integrantes da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa ).

Na época, apenas Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe faziam parte do grupo. Em 2004, foi a vez do Timor-Leste entrar para a turma e também colocar sua assinatura no acordo (antes disso eles não eram uma nação independente).

Uma minoria da população de Portugal é contra o acordo ortográfico. Alguns portugueses não concordam com a unificação da língua.

O português de Portugal

Nossos colegas de idioma europeus parecem ter tido ainda mais dificuldade com as novas normas do que os brasileiros. Segundo o site da BBC Brasil, alguns portugueses que fazem parte da “resistência” foram às ruas mostrar indignação face à mudança. Segundo protestantes, a versão da língua falada no Brasil está sendo imposta no país:

Os nossos governantes impuseram-nos um modelo que nada tem a ver conosco. E não é porque o Brasil fala assim que vão nos obrigar a fazê-lo. (…) A língua evoluiu naturalmente no Brasil para essas alterações. Aqui em Portugal, não. Portanto, a imposição não tem fundamento“.

Como vemos no trecho acima do depoimento da professora de filosofia e escritora Maria Saraiva de Menezes à BBC Brasil, os herdeiros dos nossos ex colonizadores não ficaram contentes com o ocorrido. Saraiva de Menezes faz parte, inclusive, de um movimento contrário ao acordo que vem crescendo e angariando adeptos e defensores.

Outros estudiosos do tema discordam com tal resistência. É o caso do professor catedrático Carlos Reis, coordenador do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Segundo ele, apenas uma minúscula parcela dos portugueses resiste às novas regras.

O educador ainda alfineta seus compatriotas, dizendo que tal reação se desenvolve a partir de um “complexo de inferioridade” que vem tomando conta da nação durante as últimas quatro décadas.

De acordo com Reis, alguns poucos portugueses ainda têm dificuldade em aceitar que Portugal deixou de ser o “dono” do idioma e que tal acordo coloca o país no mesmo nível de todos os outros países lusofônicos.

O português do Brasil

O Brasil vem passando por um longo período de adaptação desde que o acordo foi assinado em 2009. Isso porque o governo preferiu dar tempo para escolas e educadores se adaptarem às mudanças impostas pelas novas regras.

A primeira data instaurada para a implementação da reforma foi 2013, mas Dilma Roussef, presidente da época, preferiu prorrogá-la.

Sendo assim, desde 2009 as instituições de ensino vem trabalhando com a nova grafia das palavras. No entanto, para aqueles que já não se encontravam no sistema educacional, a adaptação vem sendo mais difícil. Isso porque as antigas normas gramaticais foram interiorizadas por eles, que agora terão de aprender as novas regras.

Outro processo envolvendo o acordo será a necessidade de adaptação de documentos e publicações.

Sem falar nas dúvidas que vêm surgindo entre os cidadãos quando se deparam com frases do tipo “o carrapato foi subindo pelo pelo do animal”, já que o substantivo “pelo” perdeu o acento.

O português falado

É importante destacar que, dentro da expressão oral, os lusofônicos vão continuar falando como sempre falaram, estejam eles no país integrante da CPLP em que estiverem.

O Timor-Leste foi o último país a entrar para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

O acordo ortográfico só vale, como o próprio nome diz, para as modificações relativas à ortografia das palavras. Assim, só o português escrito sofrerá mudanças.

Não vá pensando que a partir de agora os brasileiros vão conseguir entender direitinho uma conversa entre dois portugueses ou dois angolanos, pois o sotaque e a expressão oral dos nativos continuam os mesmos!

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A língua é a portuguesa ; sotaques e vocabulário se diferenciam de região para região. E cá pra nós, o sotaque de Portugal, bem falado, é o mais bonito e poético que existe.

Antonieta
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Nossa Língua é a Portuguesa e sotaques ou certas expressões de vocabulário podem divergir de região para região , inclusive em Portugal. Mas….. cá pra nós : o sotaque de Portugal, muito bem falado , é o mais bonito e poético que existe.