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Erros de ortografia do português no Ensino Fundamental

De Camila, publicado em 29/07/2017 Blog > Aulas particulares > Reforço escolar > Português > Principais dificuldades ortográficas das crianças no idioma de Camões

Muitas crianças em fase de alfabetização e jovens que ainda estão no Ensino Fundamental encontram dificuldades face à língua portuguesa. Seja na fala, na leitura ou na escrita, tais estudantes precisam de um suporte extra para superarem as barreiras do aprendizado do idioma.

Muitos pais se perguntam quais tipos de problemas de compreensão são esses. Outra dúvida angustiante dos progenitores é como tais dificuldades podem ser sanadas.

Aqui no Superprof, somos a favor das aula de portugues, pois entendemos que o auxílio de um profissional da área seja a melhor solução para os aprendizes. Os educadores possuem a capacidade de detectar o tipo de barreira encontrada pelo pupilo, escolhendo a metodologia adequada para cada perfil.

A criança precisa aprender bem o português ainda no Ensino Fundamental. Um aprendizado sólido da língua portuguesa na fase de alfabetização é muito importante.

Como suporte para alguns pais e professores, mostramos abaixo os principais pontos de uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP). O estudo analisa erros ortográficos de estudantes do Ensino Fundamental que apresentam dificuldades na escrita.

Tal material pode ser útil como esclarecimento para alguns pais, assim como fonte de pesquisa de metodologia para educadores do idioma.

A pesquisa

“O objetivo desta pesquisa foi realizar uma análise dos erros (faça redações em português sem eles!) ortográficos de uma amostra de alunos com dificuldades de aprendizagem. Participaram 18 alunos de 3ª a 7ª séries do ensino fundamental, frequentando turmas de reforço escolar. Os dados foram coletados pela aplicação individual de uma prova de escrita de palavras e outra de produção de texto. (…) Os erros mais comuns foram os de transcrição da fala, seguidos de dificuldades baseadas na análise fonológica, tais como: trocas de letras, marcação de nasalização e sílabas complexas.”

O estudo sobre a fonte dos erros ortográficos cometidos por crianças do Ensino Fundamental foi desenvolvido por duas pesquisadoras da Universidade de São Paulo: Gislaine Gasparin Nobile (graduada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – USP) e Sylvia Domingos Barrera (doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo, docente do Departamento de Psicologia e Educação da Universidade de São Paulo, Campus Ribeirão Preto – USP).

O resultado da pesquisa foi publicado no volume 15, número 2 de “Psicologia em Revista”, em 2009.

Na citação acima, conferimos o resumo de todo o processo segundo as palavras das próprias psicólogas e educadoras responsáveis pelas investigações.

Se você achou a explicação muito complexa ou não entendeu direito o objetivo da pesquisa, não se desespere, pois esta matéria foi criada exatamente para mostrar de maneira mais acessível o que foi constatado durante o estudo.

O alfabeto e a ortografia

O aprendizado da língua portuguesa e do Brasil durante a infância envolve dois processos:

  • Alfabetização
  • Letramento

Segundo Magda Soares, do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da UFMG, a alfabetização pode ser definida como “a aquisição do sistema convencional de escrita“. Isso quer dizer que a criança desenvolverá, durante esse processo, a capacidade de transcrever o som das palavras que falamos. Para isso, os pequeninos também desenvolvem a habilidade de identificar vocábulos através do som.

Já o letramento é o crescimento da capacidade de uso do alfabeto em atividades de leitura e escrita, assim como nas práticas sociais que envolvem a língua. Ou seja, uma criança letrada é aquela que consegue compreender e produzir textos.

Todos os estudantes presentes no Ensino Básico de Educação deveriam passar por este aprendizado. A consolidação desse processo de alfabetização e letramento é o pilar da educação de base da língua portuguesa.

Todas as crianças deveriam passar por uma boa fase de alfabetização e letramento. Alfabetização e letramento são o suporte da educação da língua portuguesa.

Infelizmente essa não é a realidade de muitas crianças. Seja por problemas relacionados à dificuldade de aprendizado (dislexia, por exemplo) ou pela não adaptação à metodologia apresentada na escola, vários alunos chegam ao Ensino Médio sem o domínio devido do idioma.

Se o alfabeto não é bem assimilado, o processo de letramento não será bem sucedido. Ou seja, os jovens farão muitos erros ortográficos (nova reforma do português) ao longo dos anos de estudos.

“O sistema de escrita alfabético não representa diretamente o significado das palavras, mas sim sua sequência fonológica. Para alfabetizar-se, é necessário, portanto, que a criança compreenda o funcionamento do sistema de escrita alfabético, que se baseia na correspondência entre grafemas e fonemas.”

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Os erros ortográficos

Existe aquela expressão que diz que aprendemos através dos nossos erros. A verdade é que o aprendizado da escrita da língua portuguesa (para jornais) passa pelo mesmo processo.

Assim que a criança aprende a identificar o som das letras e a identificar as letras presentes dentro das palavras faladas, ela precisa pensar em como transcrevê-las para o papel. Utilizando os conhecimentos que os pequeninos acabaram de adquirir durante a alfabetização – ou seja, o contato com as letras do alfabeto – eles começam a aventura da escrita.

Essa jornada acontece através de um “jogo” de erros e acertos, pois os pupilos ganham conhecimentos relacionados à ortografia ao analizarem os erros ortográficos.

Mas que erros são esses?

Erros de transcrição da fala

Ocorrem quando a criança escreve (escreva melhor em português) a palavra como a pronuncia, como veis (vez), pexi (peixe), etc. Isso se dá pelo desconhecimento das diferenças entre língua oral e língua escrita. É mais frequente em falantes de variedades linguísticas mais afastadas da língua padrão, o que as leva a escrever, por exemplo, muié (mulher).

Erros por supercorreção

Ocorrem quando a criança começa a perceber que nem sempre as palavras são escritas do modo como são pronunciadas. De tanto ser corrigida por causa dos erros de transcrição da fala (citados acima), ela pensa que deve sempre mudar alguma letrinha na hora de escrever, pois o jeito que imagina a palavra não deve estar certo.

Sendo assim, o pupilo pode até pensar em escrever pediu quando escutar a pronúncia, mas escreverá, pedil.

Erros por desconhecimento das regras contextuais

Ocorrem quando a criança deixa de considerar a posição de uma letra ou som produzido por uma sílaba em relação a outras.

Por exemplo, quando ela escreve pasarinho, pois desconhece que a letra “s entre vogais tem o som de “z”. Ou ainda quando escreve gitarra, porque não sabe que a letra “g diante de “e” e “i apresenta um som diferente daquele quando ela está diante das vogais “a”, “o”, ou “u.

Erros na marcação da nasalização

Acontece quando a criança não detecta a diferença entre vogais nasais e orais, como na escrita de iteiro (inteiro). A marcação inadequada da nasalização na escrita de elefãote (elefante) é um outro exemplo que explica esse tipo de erro ortográfico.

Erros devidos à concorrência

A ortografia de algumas palavras está mais ligada à sua origem do que aos sons das letras propriamente ditos. Ou seja, a escolha da letra apropriada para representar certo fonema depende não de aspectos fonológicos, mas da etimologia ou de aspectos morfológicos

Exemplo disso é o uso de “s” ou “z” entre vogais, o uso de “ss” ou “ç” diante de “a”, “o” e “u”, o uso de “g” ou “j” diante de “e” e “i”, o uso de “x” ou “ch” em várias palavras.

É através dos erros ortográficos que os pequenos aprendem a escrever corretamente. A criança não pode ter medo de escrever errado, pois é errando que se aprende.

Erros nas sílabas complexas

Ocorrem na escrita de sílabas com estruturas diferentes, que não sejam consoante-vogal. Boboleta (borboleta) ou baço (braço) são um bom exemplo desse tipo de erro.

O uso inadequado dos dígrafos “nh”, “lh” e “ch” também pode ser classificado nessa categoria, como ao escrever coelo (coelho), por exemplo.

Erros por troca de letras

Acontece quando a letra errada é escolhida para representar determinado som, como, por exemplo vormiga (formiga).

Outras trocas que acontecem com frequência entre consoantes “surdas”e “sonoras” são:

  • “p” por “b”;
  • “t” por “d”;
  • “c” por “g”.

Erros de segmentação

Na escrita de textos, esses erros (veja os mais comuns em português) são caracterizados pela segmentação não convencional das palavras.

Tais confusões da escrita são observados em duas categorias:

  • Ausência de segmentação. Ex.: “aonça (a onça)”, “tipego” (te pego);
  • Segmentação indevida. Ex.: a migo” (amigo), “a legre” (alegre).

Como corrigí-los

Baseando-se em estudos prévios feitos por outros pesquisadores da área, Nobile e Barrera propõem alguns métodos e sugestões de atividades para melhorar o desenvolvimento da ortografia das crianças que cometem constantemente os erros citados acima.

Transcrição da fala

A principal questão a ser trabalhada é a distinção entre fala e escrita, assim como a compreensão de que o padrão acústico-articulatório (como as palavras são pronunciadas) nem sempre é suficiente para determinar a escrita.

Elas sugerem o desenvolvimento de atividades que enfatizem a diferença entre o modo como pronunciamos certas palavras e o modo como as grafamos.

Isso por ser feito através de músicas cantadas, gravações de pessoas conversando, etc. Em seguida, é importante a identificação dos fonemas componentes das palavras, assim como a diferença entre oralidade e escrita.

Troca de letras

Para crianças que cometem esse tipo de erro, é necessário destacar na própria fala a identificação e diferenciação dos fonemas surdos e sonoros. Isso pode ser feito relacionando o som a ser grafado com a letra específica.

Para tal, é importante trabalhar atividades nas quais a criança possa, por exemplo, separar figuras dos grupos que têm o som de “f” daquelas com som de “v”. Trocar intencionalmente a letra, na fala e na escrita, de modo que a criança perceba essa troca, é outra boa opção. Espera-se, assim, que a criança domine, aos poucos, a escrita.

Nasalização e sílabas complexas

Para alcançar um desenvolvimento face à essa dificuldade, a criança deve ser estimulada a identificar todos os fonemas que compõem as palavras, bem como as letras que os representam. Ela deve ser levada a compreender as diversas construções silábicas por meio de atividades de separação de sílabas e análise da quantidade de fonemas e letras presentes em cada sílaba.

Atividades nas quais o pupilo seja confrontado com omissões e acréscimos de fonemas e letras, como o marcador de nasalização (““n”” ou ““m””), são úteis na percepção da utilização de todas as letras.

Regras (ortográficas do português) contextuais e morfossintáticas e etimologia

A criança deve compreender as várias relações estabelecidas entre letra e som. Uma estratégia pedagógica útil consiste em atividades de pesquisa e classificação de palavras que tenham determinada regra contextual.

Os jovens aprendizes de língua portuguesa possuem várias maneiras para exercitarem a escrita. Atividades voltadas para cada tipo de dificuldade auxiliam o desenvolvimento da escrita das crianças.

Exemplo disso são exercícios que proponham a separação de palavras que contenham a letra “c” com som de “k daquelas cujo “c” tem som de “s, observando e discutindo as regularidades presentes em cada caso.

Quando palavras irregulares devido a aspectos etimológicos são envolvidas – como o uso da letra H no início das palavras e a concorrência entre X e CH, por exemplo -, a memorização das grafias mais frequentes e o uso do dicionário em caso de dúvidas devem ser estimulados.

Segmentação

A fala apresenta um fluxo contínuo em que as palavras aparecem interligadas. No entanto, elas são separadas na escrita.

Para a superação desse tipo de erro, torna-se importante a diferenciação entre o modo como falamos e o modo como escrevemos.

Boas sugestões de atividades são aquelas que trabalham as noções do que é uma frase e do que ela é composta (palavras). Outros exercícios consistem em escrever as frases com as palavras todas juntas e pedir à criança que as separe, que ordene as palavras embaralhadas de uma frase ou que complete as frases com possíveis palavras que estejam faltando.

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