A culinária brasileira pode ser conhecida pelas refeições salgadas como feijoada, churrasco e vatapá, mas os doces do Brasil certamente ocupam um lugar de destaque no paladar nacional e internacional.

Os doces do Brasil começaram a surgir ainda no período colonial, especialmente a partir do século XVIII com a instalação em larga escala dos engenhos de açúcar no país.

As primeiras sobremesas legitimamente brasileiras foram as frutas tropicais, tais como manga e carambola, regadas a mel. Outras que se destacaram nesta época foram a goiabada, a cajuada, a bananada, a cocada e o merengue, a banana assada ou frita com canela.

A partir do advento do açúcar, surgiu a calda e, com ela, as compotas de frutas que eram descascadas e cozidas pelos escravos. Os religiosos portugueses mantiveram as receitas à base de ovo que preparavam em seu país de origem, mas acrescentando ingredientes brasileiros. Assim surgiram doces como quindim, papo de anjo, ambrosia, bom-bocado, manjar e pudim.

Hoje, os doces ocupam um lugar especial no coração dos brasileiros. Vamos conferir os mais famosos?

A história do brigadeiro!

Como fazer doces brasileiros?
Um clássico!

A origem do nome "brigadeiro" é ligada à campanha presidencial do Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da UDN à Presidência da República em 1946.

Heloísa Nabuco de Oliveira, membro de tradicional família carioca que apoiava a candidatura do brigadeiro, criou um tipo de doce, ligeiramente diferente da versão atual sendo feito com leite, ovos, manteiga, açúcar e chocolate, e o denominou com a patente do candidato preferido. A guloseima, feita de leite condensado, manteiga, açúcar e chocolate em pó, inicialmente feita como uma forma de arrecadar fundos para a campanha, rapidamente ganhou popularidade e se espalhou pelo resto do país junto da campanha do Brigadeiro. Como as festas dos correligionários e cabos eleitorais eram muito disputadas pela população, estes logo começaram a chamar os amigos para irem comer o "docinho do brigadeiro". Com o tempo, o nome "brigadeiro" se tornou tão associado ao doce que o mesmo passou a ser conhecido apenas como "brigadeiro". Apesar do apoio recebido, Eduardo Gomes foi derrotado nas eleições, tendo a eleição sido vencida pelo então general Eurico Gaspar Dutra.

A receita tradicional do brigadeiro inclui leite condensado, chocolate em pó, manteiga e chocolate granulado para a cobertura. No entanto, hoje existem centenas de variações desse doce, de exóticas a clássicas - mas todas saborosas e apreciadas no mundo inteiro!

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O quindim

De forte influência portuguesa, o quindim é outro clássico da confeitaria nacional. Variação do doce português brisa-do-Lis, a versão brasileira ganhou um novo ingrediente - o coco ralado - no lugar da tradicional amêndoa. Normalmente, o doce pode ser preparado em formas pequenas como as de empadinhas ou em formas grandes de pudim. Clássico presente em festas infantis, familiares e padarias, o quindim caiu no gosto popular. Confira uma receita típica:

  • 10 gemas de ovo
  • 50 g de coco ralado
  • 1 vidro pequeno de leite de coco
  • 200 g de açúcar
  • manteiga e açúcar para untar
Modo de preparo
  1. Separe as claras das gemas.
  2. Unte com manteiga e açúcar uma forma com buraco no meio ou forminhas individuais.
  3. Na tigela em que estão as gemas, junte o açúcar, o leite de coco e o coco ralado e misture delicadamente. É importante não misturar muito.
  4. Coloque a mistura dentro da forma e leve ao forno preaquecido a 110°C por aproximadamente 50 minutos.
  5. Para saber se o quindim está pronto, verifique se a parte de cima está corada e espete um palito dentro para ver se sai seco.
  6. Quando o quindim estiver pronto, retire do forno e deixe ficar morno.
  7. Coloque um prato por cima da forma e vire delicadamente para o quindim cair sobre o prato.

Torta holandesa é brasileira?

torta holandesa é um bolo feito por um leve creme espesso e frio a base de gemas, manteiga e açúcar, com cobertura suave de leite, manteiga e achocolatado e base de biscoitos banhados no chocolate ao leite decorados em volta.

Apesar do nome, a torta é totalmente brasileira, sem nenhum vínculo com a Holanda. Esta torta recebeu este nome de sua criadora, Silvia Leite, em homenagem aos bons momentos vividos na Europa com seu antigo patrão, um holandês. Ela chama a atenção por sua beleza e paladar, uma mistura fria de creme branco com o leve creme de chocolate e por fim a bolacha. A receita foi criada por Leite em 1990, quando trabalhava no Café Bruges, em Campinas.

A torta holandesa original leva em seus ingredientes: manteiga, açúcar, gema, creme de leite de lata, essência de baunilha, bolacha tipo Maria, bolacha tipo Calipso e leite, manteiga, açúcar e achocolatado para a cobertura.

Confira uma entrevista cheia de curiosidades com a criadora da torta holandesa aqui!

Cocada

Vá ralar o coco pra fazer cocada
Vá ralar o coco pra fazer cocada
Cocada branca e cocada escura
Cocada puxa de amendoim
Pra vender no tabuleiro na ladeira do Bonfim
Olha a cocada

Roque Ferreira / Roberta Sá

Cocada é um doce à base de coco, tradicional em várias regiões do mundo, especialmente na América Latina e em Angola. Existem variantes quanto a receita aplicada em diferentes países, como a utilização de gemas, leite, leite condensado, rapadura, amendoim, leite de coco e coco ralado queimado. Para dar sabores variados à cocada, podem ser acrescentadas polpas ou sucos de frutas. Em Angola a variante mais conhecida é a cocada amarela.

Palha italiana vem da Itália?

A Palha italiana é um doce feito com brigadeiro e biscoito triturado. Tem origem controversa, pois diferente do que é imaginado sua origem não é nem portuguesa nem italiana, mas sim brasileira.

É um doce genuinamente brasileiro e sua provável origem está no sul do país. Assim como o brigadeiro, a palha é feito basicamente de leite condensado, manteiga e chocolate. A palha, diferentemente do brigadeiro, sofreu influencia da culinária portuguesa e italiana por uma questão histórica, devido aos imigrantes italianos e portugueses que foram para o sul do Brasil quando vieram.

A origem do nome “Palha” acredita-se ter recebido influencia do doce Salaminho de chocolate, que é um doce português o qual em sua receita além do biscoito Maria temos amêndoas sem pele, ou seja, sem palha, e também do "salame al cioccolato" esse de origem italiana. No processo de preparação do doce, quando a amêndoa é torrada e friccionada solta a sua palha, marcando assim o nome do doce o qual influenciou. Acredita-se também que a parte “Italiana” do nome é devido a comunidade italiana que vive no sul.

Confira uma receita dessa delícia:

  • 1 Lata de leite condensado;
  • 8 Colheres (Sopa) de chocolate em pó;
  • ½ Colher (Sopa) de margarina;
  • 1 Pacote de biscoito doce sem recheio;

Modo de fazer:

Coloque o leite condensado, o chocolate em pó e a margarina em uma panela para fazer o brigadeiro. Assim que começar a soltar da panela retire do fogo e misture o biscoito triturado de forma grosseira. Espalhe em uma forma e deixe esfriar para depois cortar em cubos e servir. E por fim fique a vontade para incrementar a sua palha italiana e dar aquele toque especial.

Pudim de Leite

COmo fazer um pudim de leite?
A receita original do pudim incluia... carne de porco!

Não há quem não aprecie essa receita clássica e simples. Mas para além do sabor, a história do pudim é muito curiosa! Segundo o portal Aventuras na História:

O termo português "pudim" deriva do inglês pudding,que, por sua vez, vem do francês boudin, do latim botellus, "linguiça/salsicha". Ainda hoje, black pudding e boudin noir querem dizer chouriço, a linguiça de sangue.

O pudim mudou de salsicha para doce na Grã-Bretanha. Vários pratos eram preparados em banho-maria, envolvidos por uma capa de tripas, tecido ou qualquer outro material. O haggis, o prato nacional da Escócia, é descrito como um pudim de vísceras de carneiro e farinha de aveia, cozidas num bucho de carneiro. Com o tempo, os britânicos começaram a chamar qualquer coisa feita de banho-maria, sem contato com água, de pudding. E aí entram coisas como chrismas pudding, um bolo úmido cozido num saco de tecido.

A palavra chegou a Portugal pelas inúmeras trocas entre marinheiros de países aliados, e passou a designar só pratos doces. As receitas originais, na melhor tradição portuguesa, se baseiam em ovos e surgiram em conventos. No Brasil, com o leite condensado em lata caindo no gosto do público, a partir dos anos 1930, surgiu a versão mais típica hoje.

Ambrosia

O nome Ambrósio, que vem da mesma raiz, significa divino e imortal. Conforme a mitologia grega, esse manjar era tão poderoso ao ponto de ressuscitar qualquer um, bastava apenas que alguém pusesse em sua boca. A história do doce possui diversas variações. Segundo alguns mitos, se semideuses consumissem em excesso explodiriam em chamas. Segundo a Mitologia grega era o alimento dos deuses olímpicos enquanto o néctar seria sua bebida, ambos tem fragrância e poderiam ser usados como perfume.

É também o nome de um doce originário da Península Ibérica, popular também no interior do Brasil, feito de leite, ovos e açúcar. É um dos doces mais típicos do Rio Grande do Sul. No Brasil, também é conhecido como doce de ovos, ou doce de leite de bolinhas, devido à forma que este possui quando pronto para consumo.

Cuca

Cuca é um bolo feito com ovos, farinha de trigo, manteiga e coberto com açúcar. O bolo cuca é muito semelhante ao Streuselkuchen, tradicional bolo da culinária alemã. Como se sabe, o nome cuca resulta do aportuguesamento fonético do termo inglês cooker [k’ukə], o qual significa fogão em português. O bolo cuca é consumido sob o seu nome em todo o país, ao passo que o Streuselkuchen, por razões óbvias, é mais consumido pelo seu próprio nome no Sul do País.

O nome cuca é também usado no Sul do Brasil para designar bolos e pastéis de tabuleiro, que são feitos segundo receitas originais alemãs (Blechkuchen), geralmente cozidos ou assados direto num tabuleiro de assar (Backblech) sem fôrma (Backform).

Também são habituais várias coberturas, como por exemplo, com cereja, uvas ou outras frutas.

História do bolo de rolo

Sua origem está na adaptação do bolo português "colchão de noiva", uma espécie de pão de ló enrolado em camadas grossas como um rocambole, com recheio de amêndoas. Ao chegarem aqui, os portugueses passaram a trocar o recheio pela goiaba, fruta abundante na Zona da Mata, sempre dosada com muito açúcar dos engenhos da região. Houve modificações no preparo da massa, que passou a ser enrolada em camadas cada vez mais finas. Ao final, o bolo ficou parecido com um rolo, daí a origem do seu nome. Até hoje é comum polvilhar-se o bolo de rolo com açúcar em sua camada externa, arrematando a apresentação da sobremesa.

Pela Lei 13.436 de 2008, o bolo de rolo foi reconhecido como patrimônio imaterial de Pernambuco.

Diante da popularidade do bolo de rolo, novos sabores foram criados. Hoje o bolo de rolo pode ser encontrado com massa de chocolate e com recheios variados: doce de leite, chocolate derretido, creme de morango, creme de ameixa, Nutella, chocolate branco. Também costuma ser servido com queijo do reino ou sorvete de creme.

Pé-de-Moleque

Como fazer doce de amendoim?
O pé-de-moleque é um doce popular e que pode ser apresentado em muitas formas!

Doce típico da culinária brasileira, o pé-de-moleque é feito a partir da mistura de amendoim torrado com rapadura.

O pé de moleque surgiu em meados do século XVI com a chegada da cana-de-açúcar à Capitania de São Vicente, trazida pelo navegante Martim Afonso de Sousa. Popular no Brasil, a cidade de Piranguinho no sul do estado de Minas Gerais, é famosa pela produção artesanal da guloseima ao estilo mineiro, a qual tem como lema ser a capital nacional do pé de moleque. Piranguinho ainda tem se destacado no cenário nacional, através da festa do maior pé de moleque do mundo, que já faz parte do calendário cultural de festividades do município.

A denominação "pé de moleque" tem duas hipóteses para sua origem:

  • referência ao calçamento de pedras irregulares presente em cidades históricas brasileiras como Paraty e Ouro Preto, que era assim denominado.
  • motivado pelas quituteiras das ruas do passado que os vendiam e que eram alvo de furtos por parte da meninada. Para não serem mais importunadas diziam aos meninos, para que pedissem, pois não precisavam furtar:
  •  : — pede moleque!
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Fernanda

Apaixonada por educação, música e cinema, é especialista nos encontros e desencontros das línguas.