Da farofa ao acarajé, passando pelo arroz carreteiro e o pato no tucupi. De Norte a Sul, a culinária brasileira é fruto de uma mistura de influências de diferentes povos e culturas, se revelando muito rica, saborosa e apreciada por turistas do mundo inteiro.

Mas você conhece a história e as particularidades dos pratos mais típicos do Brasil?

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A história da feijoada

De onde vem a feijoada?
O feijão preto e a farinha de mandioca são originários da América do Sul.

Esse clássico pode ser considerado como o prato mais conhecido de todos.

Mas no mundo da culinária existem várias hipóteses sobre o surgimento da feijoada, que até hoje continua polêmico.

Segundo o portal ChefsClub, a primeira hipótese e a mais popularizada afirma que o prato foi criado nas senzalas, pelos escravos, usando restos de comida dos nobres portugueses.

No entanto, o fato de a feijoada incluir carne de porco levou o famoso folclorista brasileiro Câmara Cascudo a questionar se o prato seria invenção dos africanos escravizados: boa parte dos africanos é seguidora do islamismo, então como poderiam ter incluído um alimento cujo consumo é proibido pela religião?

Por sua vez, Câmara Cascudo indica que a receita como a conhecemos, composta de feijão, carnes, hortaliças e legumes, seria uma combinação criada no século XIX em restaurantes frequentados pela elite escravocrata do Brasil. Sua difusão teria se dado em hotéis e pensões, sobretudo a partir do Rio de Janeiro.

A verdade é que historiadores e especialistas da culinária afirmam que essa espécie de prato – que mistura vários tipos de carnes, legumes e verduras – é milenar. Remonta possivelmente da área mediterrânica à época do Império Romano, segundo Câmara Cascudo. Pratos similares na cozinha latina seriam o cozido, em Portugal; o cassoulet, na França; apaella, à base de arroz, na Espanha; e a casouela e o bollito misto, na Itália.

Qualquer que seja a origem da feijoada, é fato: esse prato se tornou patrimônio cultural e hoje faz parte da identidade nacional brasileira.

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Moqueca ou peixada?

Sabemos que no Brasil as receitas regionais são fruto de influências da história, geografia, cultura, etnia, classe social e identidade de cada região. E acontece de muitos pratos sofrerem com um fenômeno de competição acerca de sua autenticidade ou sabor. Um exemplo típico disso é a disputa entre a Bahia e do Espírito Santo sobre a moqueca. Ao contrário da baiana, a moqueca capixaba não leva azeite de dendê e leite de coco. Aqui, o azeite utilizado é o de oliva, o que torna o prato mais leve. Além disso, a panela de barro, reconhecida como ícone capixaba de tradição indígena, é presença obrigatória na preparação da moqueca – contribuindo para a redução da acidez do tomate e para o sabor do peixe.

Tanto o baiano quanto o capixaba afirmam que as receitas de outros estados que não os seus de "moqueca" são, no fundo receitas de peixada.

À influência portuguesa, acrescentou-se a africanidade na receita da moqueca baiana. Já na receita capixaba, a influência africana não aparece. Isto porque o Espírito Santo recebeu, ao longo de sua história, um pequeno número de escravos africanos, e estes, em sua maioria, eram oriundos da macrorregião polarizada pelo porto de Luanda, formada pelo eixo Angola-Benguela-Cabinda, com hábitos alimentares semelhantes aos dos portugueses, com quem conviviam desde o século XV. Diferentemente, na Bahia, os africanos chegaram em número muito superior: Salvador foi o maior porto de entrada de escravos africanos no Brasil até o final do século XVIII, sendo que esses escravos eram predominantemente minas, jejes e nagôs.

De lá pra cá, a moqueca sofreu alterações e incorporações de elementos da nossa cultura local e de outros povos, até chegar nessa receita atual.

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A famosa salada de bacalhau!

O hábito do bacalhau nos dias de jejum veio para o Brasil com os portugueses. Ao longo dos anos, porém, o rigor do calendário de jejum católico se perdeu, mas nas datas mais expressivas da religião – Natal (Nascimento de Cristo) e Páscoa (Ressurreição de Cristo) – o hábito de comer bacalhau ainda persiste.

São nessas datas que a salada de bacalhau é bastante apreciada. Confira uma receita típica:

Ingredientes

Bacalhau

  • 1,2kg de bacalhau após dessalgar e grelhar
  • 50ml de azeite extravirgem
  • 3 dentes de alho
  • Pimenta do reino moída a gosto

Guarnição

  • 150g de cebola picada
  • 200g de pimentões assados em tiras ou cubos
  • 1 colher de azeite extravirgem
  • 30ml de vinagre de vinho tinto
  • Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo

Bacalhau: Numa panela, coloque o azeite, a pimenta e o alho. Aqueça em fogo brando, sem deixar queimar o alho. Envolva o bacalhau lascado, sem pele e sem espinhas no preparado. Reserve.

Guarnição: Coloque a cebola e os pimentões para marinar numa mistura de azeite e vinagre durante 30 minutos. Coloque o bacalhau numa travessa, junte a marinada de cebola e pimentões, adicione os temperos e polvilhe com folhas de hortelã.

Pato no tucupi

Pato no tucupi é um prato brasileiro típico da culinária paraense. É elaborado com tucupi, líquido de cor amarela extraído da raiz da mandioca brava, e com jambu, erva típica da região norte. Pode ser acompanhado por arroz branco ou farinha-d'água de mandioca. O tucupi e o jambu também estão presentes em outra iguaria amazônica à base de camarão chamada tacacá.

Confira uma receita clássica deste prato, pelo portal Tudo Gostoso:

Ingredientes

  • 1 pato de 3 kg
  • 3 litro de tucupi
  • 5 maços de jambu
  • 10 dentes de alho
  • 2 cebola
  • 1 maço de chicória do Pará
  • sal a gosto
  • 2 tomates
  • 2 limão
  • 1 pitada de pimenta do reino
  • 1 colhe de manteiga
  • 2 colheres de azeite
  • pimenta de cheiro

Modo de preparo

O pato:

  1. Limpe o pato e o lave com algumas folhas de chicória e limão.
  2. Deixe-o de véspera na vinha d'alho com alho, sal e pimenta-do-reino.
  3. Corte-o em pedaços e refoge-o com cebola, alho, tomate bem picados, com a manteiga e o azeite.
  4. Asse-o de panela para amolecer e depois asse-o de forno até dourar.

O tucupi:

  1. Ferver o tucupi com sal, dentes de alhos inteiros apenas amaçados, a chicória.

O jambu:

  1. Lave-o bem , retire as flores, quando houver, afervente-o em aguá e sal até amolecer, escorra e coloque-o no tucupi.

Molho de pimenta:

  1. Coloque um pouco do tucupi quente em uma molheira, acrescente a pimenta de cheiro levemente amassada.
  2. Quando o pato estiver macio e tostado, junte-o ao tucupi com o jambu e quando ferver estará pronto. Siva-o com farinha de mandioca paraense e arroz branco.

Frango com quiabo

O frango com quiabo é um ensopado, tipo de comida característica da culinária portuguesa trazida para o Brasil pelos colonizadores. Os ensopados eram preparados pelos colonos com carne de animais de caça ou animais criados em sítios e fazendas, como galinhas e porcos. Em geral, eles eram acompanhados de farinha de mandioca, outro alimento típico da culinária nacional, de origem indígena. A farinha de mandioca se tornou acompanhamento obrigatório do frango com quiabo, numa preparação que os mineiros chamam de angu, uma espécie de polenta sem sabor.

Confira aqui uma receita dessa delícia.

Arroz carreteiro

Prato típico da Região sul do Brasil, é feito de arroz ao qual se adiciona carne-seca ou carne de sol desfiada ou picada, às vezes paio e linguiça em pedaços, refogados em bastante gordura, com alho, cebola, tomate e cheiro-verde. Nas regiões Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, é também conhecido como maria-isabel, e preparado com carne de sol.

Surgiu quando os carreteiros (transportadores de cargas) que atravessavam o sul do Brasil em carretas puxadas por bois coziam, em panela de ferro, uma mistura de charque picada (guisado) com arroz. Trata-se de um prato prático que, por sua simplicidade, podia ser preparado pelo viajante solitário, que somente poderia comer um churrasco (que é feito de carne fresca) em um paradouro depois de muitos dias de viagem.

Farofa

Qual a receita de farofa?
A farofa é um prato versátil que pode ser consumido em diversas ocasiões.

Receita clássica, a farofa está presente em pratos brasileiros típicos como feijoada e churrasco, mas também pode servir de acompanhamento para muitas outras refeições. Podendo ser composta por farinha de mandioca ou farinha de milho, em geral passada no óleo ou na manteiga, pode integrar uma grande diversidade de ingredientes, como: bacon, linguiça frita, ovos, carne, tofu, legumes, etc.

É um prato bastante popular no Brasil, tendo sua origem registrada no período colonial. Por ter e ser um alimento de baixo custo e fácil de preparar, é muito comum em todas as classes sociais.

Feijão tropeiro

feijão tropeiro é um prato típico das culinárias paulista, mineira e goiana. O nome do prato faz alusão à atividade comercial que surgiu a partir do século XVII que visava a integração principalmente de povoados das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. É composto de feijão misturado à farinha de mandioca, torresmo, linguiça, ovos, alho, cebola e outros temperos.

Confira uma receita desse clássico:

  • 150 g de bacon picadinho
  • 250 g de linguiça calabresa picadinha
  • 1 xícara (café) de azeite
  • 2 cebolas picadinhas
  • 6 dentes de alho amassados
  • 500 g de feijão cozido e escorrido
  • 1 cubo de caldo de bacon
  • 4 ovos fritos inteiros e picadinhos
  • cheiro-verde a gosto
  • 1 e 1/2 colher de farinha de mandioca crua
  • sal e pimenta a gosto
  1. Coloque o azeite em uma panela e frite o bacon e a linguiça separadamente, depois reserve.
  2. Na mesma panela, frite a cebola e o alho, junte o feijão escorrido e o caldo de bacon.
  3. Junte novamente o bacon e a linguiça, acrescente a farinha de mandioca e os ovos fritos picadinhos.
  4. Acrescente bastante cheiro-verde.
  5. Acerte o sal e a pimenta e está pronto para servir.

Acarajé

Como preparar acarajé?
O acarajé é uma comida ritual da orixá Iansã.

O acarajé é um prato típico da culinária baiana e um dos principais produtos vendidos no "tabuleiro da baiana" (nome dado ao recipiente usado pela baiana do acarajé para expor os alimentos), que são mais carregados no tempero e mais saborosos, diferentes de quando feitos para o orixá.

A forma de preparo do acarajé da baiana é praticamente a mesma em relação ao acarajé de orixá: a diferença está no modo de ser servido. Ele pode ser cortado ao meio e recheado com vatapá, caruru, camarão refogado e pimenta.

O acarajé tem similaridade com o abará, diferindo apenas na maneira de cozer. O acarajé é frito, ao passo que o abará é cozido no vapor.

Os ingredientes do acarajé são: meio quilograma de feijão-fradinho descascado e moído; 150 gramas de cebola ralada; uma colher de sobremesa de sal ou a gosto; e um litro de azeite de dendê para fritar. O recheio de camarão é feito com 2/3 xícara de azeite de dendê, 3 cebolas picadas, alho a gosto, 700 gramas de camarão defumado sem casca refogados por 10 a 15 minutos. É possível acrescentar caruru, vatapá e pasta de pimenta malagueta refogada no dendê.

Baião de dois

Baião de dois é um prato típico da região Nordeste e partes da região Norte do Brasil, como Rondônia, Acre, Amazonas e Pará. Consiste num preparado de arroz e feijão, de preferência o feijão verde ou feijão novo. É frequente adicionar-se queijo coalho. Não se adiciona carne-seca no Ceará. Na Paraíba e em Pernambuco, existe uma variante dessa iguaria chamada de rubacão, um prato bastante apreciado no Sertão. A origem do nome "baião de dois" tem relação com o baião, dança típica do nordeste do Brasil, sendo que o numeral refere-se à combinação que é a base do prato, o arroz com feijão.

Para fazê-lo, deve-se cozinhar o arroz cru no feijão com caldo já cozido e demais temperos como cebola, tomate, pimentão e especiarias como o coentro e a cebolinha. Queijo e nata costumam também ser adicionados.

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Fernanda

Apaixonada por educação, música e cinema, é especialista nos encontros e desencontros das línguas.