"A especificidade do coreógrafo está na maneira como ele olha para o mundo, em sua busca por coisas antes das coisas, em seu desejo de radiografar a energia em movimento"
Galotta
Ainda que não existam muitos dançarinos profissionais no Brasil (se compararmos à população), é bem provável que muitos pratiquem dança como amadores. Aprender a dançar também é aprender a criar suas próprias coreografias, adotando movimentos técnicos adquiridos durante as aulas de dança. Não importa que dança você pratique, dança clássica, dança contemporânea, tango argentino, hip-hop ou rock, você provavelmente terá que montar sua coreografia em algum momento.
Portanto, mesmo que você não seja um coreógrafo, pratique a arte de montar sequências para se divertir ou para uma apresentação de final de ano. Aqui estão nossas dicas para facilitar.
Crie sua coreografia: escolha o estilo de dança
A primeira coisa a fazer é escolher qual tipo de dança será usado para sua coreografia. Escusado será dizer que você deve optar por uma modalidade de dança que você já domina entre as muitas possibilidades disponíveis:
- Danças de salão: valsa, tango, rock'n'roll, cha cha cha;
- Danças latinas: salsa cubana, samba, rumba;
- Jazz moderno;
- Dança do ventre;
- Dança oriental;
- Hip hop;
- Bachata;
- Kizomba;
- Flamenco;
- Afro;
- Balanço.
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Também é possível mesclar vários estilos de dança. Mas isso requer um certo domínio dos dois tipos de dança envolvidos. É possível unir, por exemplo, dança oriental e jazz para obter uma coreografia original. Não estamos falando de simplesmente escolher um dos seus estilos musicais favoritos, mas de conhecer características relacionadas a ele. Não basta gostar de ouvir determinado tipo. Se a sua vontade é coreografá-lo, será necessário fazer algumas aulas para conhecer ao menos os movimentos básicos.
Lembre-se de que coreografia é mais que instinto, é técnica. É claro que uma sequência criada por você terá o seu toque especial, a sua originalidade; mas isso se dá a partir dos movimentos existentes para o ritmo. Portanto, o primeiro passo, na verdade, é encontrar o seu ritmo musical e aprender a dançá-lo. E não se preocupe em chegar ao nível avançado. Um básico, quando bem-feito, pode encantar plateias e fazer você feliz com a sua dança.
Criação de uma coreografia: escolha sua música
Este é o passo crucial que determinará o restante de sua criação. A música que você escolher deve falar com você, significar algo para você ou causar emoções na plateia. Por padrão, não deve ser escolhido algo que traga o risco de não conseguir o seu objetivo. Obviamente, é mais fácil optar por músicas com base no tipo de dança que você planeja trabalhar. A música hip-hop está associada à dança, assim como a música oriental ou a música africana.
No entanto, no caso de uma fusão, é totalmente possível alterar os códigos. Uma coreografia de hip hop pode então ser montada na música clássica combinada com alguns movimentos em destaque. Para essa escolha, vão pesar alguns fatores, como a ocasião. Um trabalho para casamento será diferente da gravação de um vídeo digital, por exemplo. Uma sequência pode contar uma verdadeira estória, quando bem elaborada. Mas a escolha da música também precisa ser condizente.
Estude a música da sua futura coreografia
Antes de prosseguir para o trabalho coreográfico, será necessário estudar bem sua música. Ouça várias vezes para colocá-la na sua cabeça. Você precisa conhecer a música de cor para saber exatamente o que acontece depois de uma batida, por exemplo. Você pode notar o que ela inspira como emoção: leveza, tristeza, alegria, nostalgia, raiva, saudades... Se houver palavras, ela conta uma estória que o toca pessoalmente? Coloque palavras em seus sentimentos para traduzir com sucesso a emoção que você sente em gestos e movimentos coreográficos.
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Analise a estrutura da música em profundidade. A música pop-rock, por exemplo, geralmente é construída da mesma maneira. Aqui está como devem ser as notas da sua estrutura:
- Introdução: 2 x 8 batidas;
- Verso 1: 4 x 8;
- Refrão: 2 x 8;
- Verso 2: 4 x 8;
- Refrão: 2 x 8;
- Ponte / transição: 3 x 8;
- Refrão x 2: 4 x 8;
- Final: 1 x 8.
Este é um passo importante que permite montar uma coreografia coerente, fornecendo uma visão geral da música. Descubra os destaques, as batidas sobre as quais colocar movimentos. Se houver letras em outro idioma, procure uma tradução na internet para descobrir do que trata a música e transmitir a emoção certa. Quanto ao preparo físico e psicológico para montar coreografias, você pode desenvolvê-lo em suas aulas de zumba!
É claro que você pode ouvir uma canção em uma loja e sentir uma vontade imediata de coreografá-la. Isso não é estranho e nem errado. Mas a partir desse momento, você já precisa começar a planejar. Outras pessoas sentem vontade de bailar ao som do tema daquele filme que não sai da sua memória. Essa escolha é muito pessoal! E não importa exatamente como você conheceu a canção, mas o quanto você a estudou antes de iniciar seu trabalho.
Improvisação para coreografar
Teremos então que ir para a fase da coreografia! Nas suas aulas de jazz de rua, raggae ou dança africana, seu professor de dança pode pedir que você improvise. Na dança oriental, é frequente nos colocamos em círculo no início ou no final da música e cada um passa alguns segundos no centro para improvisar na música. Se você nunca improvisou, terá que começar em algum momento. A improvisação libera suas emoções sem pensar muito sobre a técnica. É claro que é necessário emergir dos movimentos da dança e detê-los nos ritmos da música, mas também não se prender em algo coreografado demais.
Você acha paradoxal montar uma coreografia? No entanto, tudo começa com a improvisação. O mais indicado é filmar-se durante a improvisação. Depois de ter estudado bem a música, dance-a e improvise-a três vezes seguidas, filmando-se. Não assista aos vídeos entre as fases para não se influenciar. Deixe os vídeos de lado por algumas horas ou o resto do dia e volte para eles no dia seguinte, por exemplo. Assista aos três vídeos em que você improvisou e selecione as passagens que deseja guardar. Observe a sequência que você acha interessante de um para o outro.
Você também pode anotar os passos da dança em uma folha, se isso ajudar você a construir gradualmente sua coreografia. Mas não largue o suporte visual: é muito mais fácil corrigir seus gestos depois. E não deixe de encontrar um curso de dança para contar com ajuda profissional. E no fim das contas, por mais que a sequência esteja em sua memória, imprevistos sonoros ou um breve esquecimento podem fazer com que você precise do improviso. Então... o melhor é estar preparado!
Crie sua coreografia: coloque as seqüências de ponta a ponta
Inevitavelmente haverá ocos, momentos vazios em que você não sabe o que fazer, quando não tem inspiração. Não se preocupe com isso ainda.

Concentre-se nas seqüências que você já possui e refine as partes que deseja manter. Aperfeiçoe os movimentos: não hesite em filmar a si mesmo para ver o que isso dá, colocando todas as sequências que você manteve de ponta a ponta. Uma boa ideia é montar a introdução e o refrão, por exemplo. Pense nas partes mais importantes da canção, ou naquela na qual há batidas mais fortes. A depender do conteúdo, você pode ainda pensar nas partes que trazem conceitos de cultura, educação ou informação.
Entenda que você estará montando o "esqueleto" do seu trabalho, uma vez que as demais partes poderão ser preenchidas com sequências mais simples e básicas. Para esse primeiro momento, é importante destacar as partes mais marcantes, aquelas nas quais a plateia estará com os olhos atentos e o coração aberto. As demais partes vão acabar até sendo menos percebidas em meio à tantas emoções.
"Preencha" os buracos na sua coreografia
Repetindo sua coreografia cheia de buracos várias vezes, você continuará improvisando as partes que sente falta para descobrir aos poucos como "preencher" essas lacunas. Se não puder, assista aos primeiros vídeos para ver se existem gestos e movimentos que você se lembra, talvez até os coloque em outro lugar. Filme-se repetidamente em improvisação até encontrar os movimentos que aderem à sua música, que falam com você e que permitem fazer uma boa transição entre duas partes coreografadas.
O fato de falarmos em "buracos" não significa que essas partes sejam menos importantes, ou que elas passam informações irrelevantes para quem assiste. Para algumas pessoas, é aí que ela transmite a sensação mais agradável e fazer um curso de dança online pode te ajudar nessa parte. Portanto, capriche aí também. Esse será o seu diferencial, entende? Assistir a um vídeo nas redes sociais e testar diferentes sequências são as principais estratégias para esse momento. E mantenha-se motivado, afinal o seu trabalho estará quase pronto.
Acompanhe suas celebridades dançantes favoritas
Vamos imaginar que você gosta muito de zouk e é fã de determinada dançarina. Por gostar tanto, imagino que já fez aulas do ritmo e até arrisca algo quando está na pista. Quando gostamos de um ritmo, é normal admirarmos profissionais que trabalham com ele. Seus vídeos em redes sociais certamente já ajudaram muitos alunos a trabalhar com música. E você pode ser o próximo. Basta querer e estar aberto a essas sugestões tão sutis que eles transmitem com a sua dança.
A diferença de quem faz aulas do ritmo para um fã comum é o olhar. Ao conhecer a técnica, você fará uma análise mais profunda, com olhos mais clínicos. E também não se trata de copiar a sua celebridade preferida. Lembre-se de que originalidade deve fazer parte do seu show. Estamos falando, na verdade, em inspiração. Compreender como um profissional de sucesso procede pode lhe dar alguns insights que vão contribuir positivamente para o seu sucesso criativo. E ajudam na composição de um futuro artista verdadeiramente diferenciado.

Inclua a plateia e o local no seu planejamento
É claro que você PRECISA gostar do ritmo e da canção que vai apresentar. Também, o seu trabalho vai ter traços únicos, só seus, que você vai desenvolvendo ao longo do tempo. E não estamos falando em perder a originalidade ou fazer algo forçado só para agradar a quem assiste. Mas, não é legal se conectar com as pessoas da plateia? Não sei se você, alguma vez no palco, já teve a sensação de estar vivendo uma sintonia com as pessoas que assistiam. Quem já passou por isso, sabe do que estou falando.
É algo que vai além da emoção e do frio na barriga de se apresentar. E, acredite, até os que trabalham com isso conservam tais sensações, e o dia em que se deixa de sentir, é porque o palco já perdeu todo o sentido para você. Mas, voltando ao que falávamos, uma apresentação feita para aquele público, naquele local, leva em conta o tipo de espaço e também o perfil das pessoas. Experimente mesclar isso com elementos da sua naturalidade e vivencie algo inexplicável.
Foque nos aspectos básicos
Só se faz algo grandioso quando, na verdade, não se pensa nisso. Foque em dar o seu melhor e isso bastará. Corpo, forma, espaço, tempo e energia... e é só isso que há quando você está se apresentando. O mundo para. Para que tudo isso funcione, é necessário planejar e ensaiar, mas também deixar fluir. Deixe que o seu físico flutue na música e procure formar desenhos com ele. Você pode ir conhecer o local com antecedência e utilizar a luz a seu favor.

O espaço também deve ser todo preenchido com a sua apresentação, ainda que ele seja amplo e você esteja dançando um solo. Use e abuse dos deslocamentos e, caso haja pessoas de mais de um lado, busque manter-se de frente para cada direção por tempos similares. Se você ensaiou suficientemente, o tempo já vai estar cronometrado. E por fim: coloque amor no que está fazendo. Quando você dança com vontade, as pessoas vão sentir essa energia e, mais ainda, contagiar-se com ela.
Estude história
Você deve estar se perguntando o que a história tem a ver com a dança, não é mesmo? Pois, eu diria que existem, sim, relações entre elas. Quer ver? Experimente estudar dança moderna. Se você pegar uma sequência de estudos desde o seu início, vai descobrir muita coisa interessante, ficar surpreso e ainda adquirir bagagem para sequências diferenciadas. Já imaginou incluir, por exemplo, uma caminhada lenta ou até mesmo algum vocal na sua próxima apresentação? Mas atenção: para obter os efeitos desejados, você deve fazer sua parte, que é estudar!
Descubra essas nuances históricas e explore-as. Quando pegar um pouco mais de prática, você poderá até mesmo improvisar. E para isso é relevante conhecer fatos passados. Pode ser que tais elementos já tenham sido abordados em uma aula de artes, mas eles começam a fazer a diferença quando você os coloca em prática com propriedade devido ao que já conhece.
Inspire-se em outras artes
Não é porque você é coreógrafo, que precisa dedicar-se aos estudos históricos somente da dança. Com o passar do tempo, você vai perceber o quanto esse enfoque faz a diferença. Ir ao teatro, frequentar exposições de artes e sempre dar uma olhadinha no museu da cidade para a qual você está viajando são hábitos que fazem a diferença na sua bagagem cultural artística. Uma peça de teatro pode trazer uma ideia para preencher a sua coreografia, da mesma forma que um quadro do museu pode mostrar a roupa ideal para o seu próximo espetáculo.
Portanto, você não precisa focar somente em ir a musicais, tampouco restringir-se aos ritmos que mais gosta. Lembre-se de que montar uma sequência é algo muito amplo, é movimento e fluência de ideias. Assim, permitir que essas ideias realmente fluam pode ser a chave para abrir as portas da criatividade. E, uma vez abertas, elas certamente darão espaço para muitas coisas novas que estão por vir. Você vai ganhando experiência também pela arte que consome, não só pela que produz.
Lembre-se de que o tradicional nunca cai de moda
Se você tem medo de uma dança muito básica, chegou a hora de rever seus conceitos. O convencional nunca vai sair de linha. Assim, vamos imaginar que você precisa criar uma coreografia de forró em casal. Pode ser que vocês arrasem fazendo somente o básico, mas precisa ser um básico muito bem feito. Assim, foque mais em ensaiar do que em fazer movimentos mirabolantes. Ainda que estejamos falando de um concurso de dança, você não precisa fazer além das diretrizes para inscrição.

Entenda que os primeiros movimentos nunca vão cair em desuso, uma vez que foi deles que surgiram todos os outros. Tudo o que vem depois é, na verdade, uma continuação. Cabe a você decidir se deseja chegar até isso ou não. Um conselho: só chegue se você realmente estiver certo do que está fazendo, quando já tiver a expertise necessária para sustentar uma coreografia com passos mais complexos.
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Sugestões adicionais para montar sua coreografia
Na dança jazz moderna, dança hip-hop ou mesmo na dança taitiana, os dançarinos que desejam se tornar coreógrafos devem prestar atenção a vários elementos:
- Faça o aquecimento antes de começar: o aquecimento é uma etapa essencial para não correr o risco de se machucar e comprometer a criação de sua coreografia... e a sua saúde;
- Preste atenção especial ao começo e ao fim: a entrada e o fim são muito importantes, é necessário "falar com as pessoas". A princípio, isso permite capturar a atenção do espectador diretamente. Comece com movimentos impressionantes ou simplesmente marque sua entrada no palco. No final, você deve deixar uma boa impressão geral na platéia antes de sair do palco;
- Varie os momentos calmos e os momentos mais rápidos: você não pode ficar pulando o tempo todo correndo o risco de ficar exausto. Especialmente se você tiver um bom preparo cardiovascular, pode rapidamente se deixar levar se você pular correntes, piruetas, passagens no chão;
- Mantenha a simplicidade e deixe-se levar pela música: não há necessidade de mostrar toda a sua técnica em uma única música. Você pode se ater apenas a passagens técnicas, mas não faça isso com o risco de perder seu público esquecendo a emoção da música. Como na música, os silêncios permitem que você expresse muito, na dança, um movimento lento e bem executado permite transmitir emoções muito mais do que uma grande performance no ar ou 12 sprints seguidos;
- Você pode usar a mesma sequência várias vezes: se a música tiver um refrão, você poderá reutilizar a mesma sequência a cada vez que ele tocar, especialmente se for uma música animada. Isso permitirá que o público encontre seu caminho e você não precisará procurar diferentes movimentos de dança novamente. Às vezes, o começo e o fim também são semelhantes;
- Termine cada etapa antes de seguir: não faça as coisas pela metade. Cada gesto deve estar presente por um bom motivo e cada movimento deve ser realizado com o corpo todo, inclusive com a sua expressão antes de passar para o próximo. Isso dará mais intensidade à sua coreografia;
- Não imite as palavras: não há nada mais ridículo e insuportável do que um dançarino que imita as palavras. Você é dançarino, não ator. A plateia veio ver dança e não teatro. Evite também cantar as letras no palco. É muito confuso para o público;
- Use todo o espaço disponível: se você ensaia em casa em um espaço pequeno, pode ser difícil se mover, mas é absolutamente necessário colocar deslocamentos em sua coreografia, especialmente se você estiver sozinho no palco. Isso traz dinâmica e chama a atenção das pessoas. Use todo o espaço disponível no palco para ir para o centro, costas, frente e laterais. Use as "esquinas" para se movimentar, por exemplo;
- Revise regularmente para não esquecer sua coreografia até se sentir confortável e natural com ela!

Então, está pronto para escolher uma música e começar a montar agora mesmo a sua coreografia?
Se, mesmo gostando de música, ainda se sente inseguro para isso, que tal encontrar um professor e começar a fazer aula de dança? Com uma boa base teórica e uma dose de coragem, você certamente estará preparado para coreografar!
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Eu adorei, tá de parabéns
Amei o post ajudou-me bastante obrigado e boa continuação