Gente sem terra, corrupção, desemprego: mundo em guerra.
Carlos Seabra
A taxa de desemprego no Brasil aponta a quantidade de pessoas que estão desocupadas, e em busca de emprego, em relação à quantidade da força de trabalho (que corresponde à soma da quantidade pessoas empregadas e pessoas desempregadas).
É importante calcular o indice de desemprego no Brasil para avaliar a situação econômica do país, acompanhar o desempenho do mercado de trabalho e definir políticas públicas em prol da geração de emprego e renda. Diante disso, vamos saber mais sobre a taxa de desemprego no Brasil e os benefícios do governo para desempregados? Boa leitura!
O que é a qual a importância da taxa de desemprego?
O desemprego pode ser entendido como a situação de pessoas que têm idade para trabalhar (a partir dos 14 anos), mas:
- Não possuem ocupação profissional;
- Estão disponíveis para trabalhar;
- Procuram oportunidade de emprego.
Para que a pessoa seja considerada desempregada, não basta que esteja sem trabalho. Essa pessoa precisa estar buscando, de forma ativa, uma colocação no mercado de trabalho, ou seja, um emprego.
Existem casos de pessoas que não possuem emprego, mas que não são classificadas como desempregadas. Alguns exemplos são: estudantes universitários que se dedicam aos estudos de maneira exclusiva, pessoas responsáveis pelos cuidados domésticos que não trabalham fora e pessoas que possuem o seu próprio negócio.
Termo utilizado pelo IBGE para se referir ao "índice de desemprego" no Brasil
A metodologia adotada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é de que as "donas de casa" e os estudantes fazem parte do grupo de "fora da força de trabalho" e que os empreendedores são pessoas ocupadas.
Vale destacar que o fato da pessoa receber benefícios de programas sociais, como seguro-desemprego, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e bolsa família, não determina a sua condição de trabalho. As pessoas que recebem benefícios, então, podem ser classificadas como ocupadas, desocupadas ou até mesmo fora da força de trabalho.
Isso porque a sua classificação como empregado ou desempregado depende exclusivamente da sua situação profissional e da sua busca por emprego, não estando relacionado com o recebimento de benefícios de programas sociais.
Por exemplo, uma pessoa que está recebendo seguro-desemprego pode ser exercendo alguma atividade informal, como trabalhando com aplicativos de transporte ou atuando no comércio ambulante. Nesse caso, essa pessoa será considerada ocupada pelas estatísticas do mercado de trabalho.
Da mesma forma, beneficiários de programas sociais que não possuem ocupação e não estão procurando trabalho também são enquadrados como fora da força de trabalho, conforme os critérios das pesquisas estatísticas usados pelo IBGE.
Métodos de cálculo do índice de desemprego no Brasil
O IBGE considera como desocupadas as pessoas que não estão trabalhando, mas procuram emprego ativamente. A taxa de desocupação, também conhecida como a "taxa de desemprego", representa a porcentagem de pessoas sem emprego dentro da força de trabalho do país2.
Se divide a quantidade de pessoas sem emprego pela força de trabalho do país e encontra-se o percentual da taxa de desocupação²
A força de trabalho é formada pela soma das pessoas ocupadas (que estão trabalhando) e das pessoas desocupdas (que estão à procura de trabalho). Portanto, a força de trabalho corresponde às pessoas que têm emprego e às pessoas que não têm emprego, mas estão buscando obter um.
Para tornar esse cálculo ainda mais fácil, aplique a seguinte fórmula:
- Taxa de desemprego no Brasil = (número de desocupados / força de trabalho) x 100
- Número de desocupados: pessoas que não possuem trabalho, mas estão disponíveis e procuram emprego de forma ativa;
- Força de trabalho: pessoas ocupadas (pessoas que estão trabalhando, seja de maneira formal ou informal) + pessoas desocupadas
Por exemplo, se um país possui 10 milhões de habitantes na força de trabalho e 1 milhão de desempregados, a taxa de desocupação é de 10%.
Esse cálculo segue padrões internacionais adotados pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), o que permite a comparação entre países.
Vale destacar que, no Brasil, esse cálculo é realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
O IBGE aplica essa pesquisa por trimestre com o intuito de reduzir oscilações e tornar os resultados da taxa de desemprego no Brasil mais precisos. Assim, os dados do indice de desemprego no Brasil são calculados considerando o período de 3 meses consecutivos: janeiro-fevereiro-março e abril-maio-junho, por exemplo (trimestre móvel). Que tal fazer uma leitura sobre Consolidação das Leis do Trabalho?
Evolução da taxa de desemprego no Brasil
O indice de desemprego no Brasil atual é um dos menores desde 2014. Veja como se deu a evolução da taxa desemprego Brasil de 2014 a 2026:
2014
O desemprego permaneceu baixo e relativamente estável
1° trimestre: 7,2% | 2° trimestre: 6,9% | 3° trimestre: 6,8% | 4° trimestre: 6,6%.
2015
O desemprego começou a subir rapidamente devido à recessão econômica
1° trimestre: 6,9% | 2° trimestre: 8,2% | 3° trimestre: 9% | 4° trimestre: 9,6%.
2016
Houve aumento expressivo das demissões e agravamento da crise econômica
1° trimestre: 11% | 2° trimestre: 11,7% | 3° trimestre: 11,9% | 4° trimestre: 12,7%.
2017
Pico de desemprego, com leve recuperação no final do ano
1° trimestre: 13,9% | 2° trimestre: 13,1% | 3° trimestre: 12,3% | 4° trimestre: 11,9%.
2018
O mercado de trabalho começou a melhorar de maneira lenta
1° trimestre: 12,2% | 2° trimestre: 12,1% | 3° trimestre: 11,8% | 4° trimestre: 11,1%.
2019
A recuperação econômica continuou, mas com taxas de emprego elevadas
1° trimestre: 12,4% | 2° trimestre: 11,9% | 3° trimestre: 11,3% | 4° trimestre: 11,1%.
2020
A pandemia da Covid-19 elevou a taxa de desemprego
1° trimestre: 12,7% | 2° trimestre: 13,6% | 3° trimestre: 14,6% | 4° trimestre: 14,9%.
2021
Após o auge da pandemia, iniciou-se uma recuperação da taxa de emprego
1° trimestre: 14,7% | 2° trimestre: 14,2% | 3° trimestre: 13,2% | 4° trimestre: 11,1%.
2022
A retomada econômica reduziu a taxa de desemprego
1° trimestre: 11,2% | 2° trimestre: 9,8% | 3° trimestre: 8,9% | 4° trimestre: 8,1%.
2023
Continuação da queda da taxa de desemprego
1° trimestre: 8,4% | 2° trimestre: 8% | 3° trimestre: 7,7% | 4° trimestre: 7,4%.
2024
O mercado de trabalho apresentou uma grande melhora
1° trimestre: 7,8% | 2° trimestre: 7,1% | 3° trimestre: 6,6% | 4° trimestre: 6,2%.
2025
Menores taxas de desemprego entre 2014-2025
1° trimestre: 5,8% | 2° trimestre: 5,6% | 3° trimestre: 5,2% | 4° trimestre: 5,4%.
2026
Aumento do nível de desemprego, mas taxa historicamente baixa
1° trimestre: 6,1%.
A taxa de desocupação entre 2014 e 2026 demonstra imporrantes transformações no mercado de trabalho ao longo dos anos. Em 2014, o Brasil apresentava taxas baixas e estáveis, com taxa de desemprego variando entre 6,6% e 7,2%1. Esse cenário econômico era favorável, apresentando um maior nível de empregabilidade.
Porém, a partir de 2015, se percebe um crescimento significativo da taxa de desemprego no Brasil por conta da recessão econômica. Nesse período, houve um aumento da taxa de desemprego de forma gradual, passando de 6,9% no primeiro trimestre para 9,6% no último trimestre1.
Em 2016, a taxa de desemprego no Brasil se tornou ainda mais crítica, com índices passando de 12%1. Tais taxas foram reflexo da crise econômica do país, da redução de investimentos e do aumento das demissões em diferentes setores.
Em 2017, houve o pico da taxa de desemprego no Brasil, sendo essa de 13,9% no primeiro trimestre1. Apesar disso, ao longo de 2017 se teve uma leve recuperação econômica, com redução da taxa de desemprego nos trimestres seguintes.
Em 2020 e 2021, a pandemia da Covid-19 levou ao aumento do índice de desocupação. O fechamento temporário das empresas e as restrições sanitárias elevaram o nível de desemprego para quase 15%1 (que é um dos maiores da série analisada).
Em 2022, após o auge da crise sanitária, se iniciou um processo de recuperação do mercado de trabalho de maneira gradual. A queda da taxa de desemprego no Brasil foi contínua, sendo impulsionada principalmente pela retomada econômica.
Taxa de desemprego no Brasil durante a pandemia da Covid-19
Entre 2023 e 2024, os índices de desemprego continuaram diminuindo, comprovando o fortalecimento do mercado de trabalho brasileiro em uma série histórica. Uma das menores taxas de desemprego foram registradas em 2025, sendo de apenas 5%1.
Já em 2026, houve um leve aumento do indice de desemprego no Brasil, chegando a 6,1%1. Apesar desse aumento, é importante ressaltar que essa taxa de desemprego é historicamente baixa quando comparada a anos anteriores. Conforme dados do IBGE,
de desempregados no Brasil¹
Isso significa que, hoje, 6,6 milhões de brasileiros na força de trabalho estão desempregados. Tais dados divulgados pelo IBGE são com base na PNAD Contínua. Vale destacar que as pessoas que participam da "força de trabalho" são as pessoas que têm idade para trabalhar (14 anos ou mais) e que estão trabalhado ou procurando trabalho (população ocupada e desocupada). Sabendo disso, que tal saber mais sobre a legislação brasileira trabalhista?
Perspectivas futuras para mercado de trabalho brasileiro
O mercado de trabalho brasieiro tem passado por transformações, assim como o mercado de trabalho mundo afora. Essas transformações têm sido impulsionadas por diversos fatores, mas principalmente os demográficos, os sociais, os econômicos e os tecnológicos.

A tendência é que ocorram mudanças significativas na forma como as pessoas trabalham, nas profissões mais demandadas e nas competências exigidas pelas empresas brasileiras. A perspectiva também é que a economia brasileira alcance estabilidade.
O avanço da tecnologia e da inovação terão forte influência sobre o futuro do trabalho no Brasil, podendo mudar inclusive o regime contratual de trabalho. Além disso, a expansão da robotização e da inteligência artificial tenderão a substituir as tarefas repetitivas e operacinais, principalmente no setor industrial e administrativo.
Por isso, a tendência é que novas oportunidades surjam nas áreas de inovação digital, cibersegurança, análise de dados e tecnologia da informação. Além da transformação tecnológica, o crescimento do trabalho remoto (especialmente o híbrido) também é uma forte tendência.
A expectativa é que os seguintes setores cresçam: agronegócio, sustentabilidade e tecnologia, criando novas oportunidades de trabalho. Ao mesmo tempo, a automação pode reduzir vagas de atividades repetitivas.
Em termos econômicos, o mercado de trabalho brasileiro futuro depende dos investimentos, dos juros, da inflação e da economia. A perspectiva é que a economia brasileira apresente estabilidade, aumente o consumo e, consequentemente, se tenha maior geração de empregos formais e crescimento de renda. Interessante, não é mesmo? Aproveite também para descobrir quais serão as profissões mais populares no futuro.
Impactos da redução do desemprego na economia
A redução de desemprego na economia promove impactos positivos na economia (e na sociedade em geral). Isso porque o aumento da quantidade de pessoas empregadas promove o crescimento econômico de forma direta, elevando a renda e melhorando a qualidade de vida da população.
A diminuição da taxa de desemprego aumenta o consumo das famílias. Quando as pessoas conseguem empregos, elas passam a receber renda, e consequentemente, a ter uma maior capacidade de compra de bens e serviços, estimulando a indústria, o comércio e outros setores da economia.
O governo também consegue arrecadar uma maior quantidade de impostos devido à queda da taxa de desemprego. Isso porque a maior quantidade de pessoas empregadas e a maior produção das empresas faz o governo arrecadar mais tributos, podendo levar ao aumento de investimentos em diversos setores, como infraestrutura, saúde e educação.
A queda do desemprego também diminui o índice de pobreza e de desigualdade social. Isso porque o acesso ao trabalho e à renda aumenta a estabilidade financeira das famílias, melhorando as suas condições de vida e reduzindo a vulnerabilidade econômica.
Em um cenário econômico com maior geração de emprego, os consumidores e os empresários se sentem mais confiantes. Assim, o ciclo econômico se fortalece: as empresas expandem as suas atividades, aumentam a sua produção e contratam mais funcionários (aumentando a taxa de emprego e de remuneração dos empregados no país).
Promove desenvolvimento econômico e social, com fortalecimento do mercado interno e ampliação da renda da população e tornando a economia mais estável
Com o aumento da quantidade de empregos se tem a redução da informalidade. Assim, os trabalhadores passam a trabalhar formalmente, com garantia dos direitos trabalhistas e previdenciários, havendo maior estabilidade financeira.
Apesar das vantagens da redução do desemprego, é importante ressaltar que a diminuição da taxa de desemprego no Brasil deve ocorrer de forma bastante equilibrada: o crescimento da economia precisa crescer de forma proporcional à produção para não haver pressão sobre os preços e gerar inflação. Falando em emprego e renda, saiba mais também sobre o trabalho remoto no Brasil.
Extra: quais os benefícios do governo para desempregados?
O Brasil oferece diversos benefícios para os desempregados, com o objetivo de garantir assistência financeira temporária e facilitar a reinserção no trabalho. Os principais benefícios do governo para desempregados são:
- 💼 Seguro-desemprego: auxílio financeiro pago temporariamente ao trabalhador demitido sem justa causa, desde que cumpra os requisitos mínimos do tempo de trabalho;
- 🏦 FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço): o trabalhador demitido sem justa causa pode sacar o saldo disponível em sua conta do FGTS;
- 👨👩👧👦 Bolsa família: famílias desempregadas ou em situação de baixa renda podem receber apoio financeiro desse programa social, desde que atenda a determinados critérios.
Além disso, outros benefícios do governo para desempregados são a intermediação para a conquista do emprego através do SINE (Sistema Nacional de Emprego) e as tarifas sociais (como descontos na conta da energia elétrica e outros auxílios sociais).
E aí, gostou de entender mais informações sobre a taxa de desemprego no Brasil? Esperamos que tenha tido uma visão geral sobre a situação do mercado de trabalho brasileiro de 2014 a 2026 através da nossa timeline do indice de desemprego no Brasil! Se você aprendeu bastante, deixe um comentário e aprenda também a como pedir demissão de um emprego no Brasil!
Referências Bibliográficas
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Desemprego. Rio de Janeiro: IBGE, [s.d]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php. Acesso em 18 abr. 2026.
- G1. Entenda como o IBGE calcula a taxa de desemprego no Brasil. Rio de Janeiro: G1 Economia, 1 fev. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/02/01/entenda-como-o-ibge-calcula-a-taxa-de-desemprego-no-brasil.htm. Acesso em 18 abr. 2026.
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