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Conheça a gênese da língua alemã

Blog > Idiomas > Alemão > História do idioma da Alemanha

Existem mais de 100 milhões de germanófanos espalhados mundo afora. A língua falada na Alemanha ganhou lugar de destaque dentro da União Européia como uma das mais faladas na região da Europa.

Na grande maioria do território brasileiro, a língua só é ensinada através de cursos particulares de idiomas. Claro que alguém que nasceu dentro de uma família de imigrantes alemães tem grandes chances de aprender alemão em casa, sem precisar ir a um curso.

A descoberta e o aprendizado do alemão podem apresentar cinco grandes dificuldades para nós que somos lusófonos:

  1. A criação da língua alemã é feita em torno de diminutivos e de palavras compostas, tornando-a um idioma sintético;
  2. Assim como na maioria das línguas neolatinas, o alemão também exige a assimilação de uma sólida base gramatical, pois ela conta com declinações muitas vezes complexas que variam de acordo com a função da palavra na frase (nominativo, genitivo, dativo ou acusativo);
  3. O alemão é uma língua que precisa ser compreendida globalmente, por causa do posicionamento do verbo no final da frase. Tal detalhe a torna muito difícil de ser traduzida para outros idiomas não germânicos;
  4. A presença do gênero neutro que pode se juntar tanto ao masculino como ao feminino;
  5. O sotaque germânico é difícil de ser incorporado no início do aprendizado do alemão. A ênfase verbal da frase acontece sobre o radical e não no fim da oração, como no português.

Para conseguirmos entender bem todos esses fundamentos da língua alemã, é preciso recapitular a história do idioma desde os primórdios da era que começou depois de Jesus Cristo. Isso porque, alguns deles se encontram bem antes, lá pelo 1200 a.C.!

As bases do alemão que conhecemos hoje, no entanto, começaram a ser construídas na Idade Média, passando por transformações no decorrer do séculos (alto-alemão e baixo-alemão) até chegarem à estrutura atual.

Ficou confuso? Não se preocupe, pois explicamos tudo direitinho na matéria abaixo!

Os primeiros fundamentos do idioma

Segundo a enciclopédia Universalis, ancestrais alemães teriam ocupado  península da Dinamarca, no Jutland, por volta de 1200 a.C.

Nesta época, a língua falada seria um dialeto índico-europeu que misturaria o latim, o celta e o sânscrito. Este último é, por sua vez, o idioma utilizado em textos religiosos hindus e budistas.

Tal mistura seria o que chamamos hoje de germânico. No entanto, atualmente, não encontramos nenhuma evidência escrita. Isso se deve, muito provavelmente, à antiguidade da sua existência.

Quer conhecer mais sobre o alemão e seus atributos?

O alemão nasceu, aproximadamente, há mais de 3 milênios! O nascimento do alemão data de mais de 1200 a.C.!

Incorporação às línguas germânicas (séculos I à V d.C.)

A história do idioma alemão é marcada por duas mutações ligadas à fonética das consoantes.

A primeira delas aconteceu ao longo do século I d.C., permitindo a transformação do dialeto índico-europeu em germânico comum e armênio. Esta é uma herança que faz parte da cultura alemã.

A língua germânica fora composta de diversos dialetos:

  • O gótico fizera parte da categoria das línguas germânicas do leste. Ele foi o idioma dos Goths, dos Vândalos e do povo Burgondo. Esta é uma língua morta desde o século IV;
  • O anglo-frísio, o germano-holandês (que contém o baixo-alemão, o holandês e o neerlandês), o alto-alemão (que contém a língua luxemburguesa), o francique mosellan e o alemão superior fazem parte das línguas germânicas do oeste;
  • O islandês, o norueguês, o faroese, o dinamarquês e o sueco estão contidos na categoria de línguas germânicas do norte.

Atualmente, consideramos como pertencentes ao grupo de línguas germânicas os seguintes idiomas e dialetos:

  • Inglês;
  • Alemão;
  • Holandês;
  • Frísio (falado nos Países-Baixos e na Alemanha);
  • Saxão (falado nos Países-Baixos e na Alemanha);
  • Luxemburguês;
  • Sueco;
  • Dinamarquês;
  • Norueguês;
  • Islandês;
  • Faroese.

Existe ainda – por mais incrível que pareça! – o africânder, falado na África do Sul de na Namíbia. Este idioma também faz parte das línguas germânicas e é originário do baixo-alemão.

Nos Estados Unidos existe um dialeto falado pela comunidade amish da Pensilvânia, chamado de pensilvânio. Ele teve suas origens no baixo-alemão.

O alto-alemão antigo (750 à 1050)

A segunda mutação de consoantes aconteceu entre os séculos IV e VIII. Ela consistiu em outra modificação na fonética das consoantes de todo o conjunto lexical do alto-alemão antigo, também conhecido como “Althochdeutsch“.

Tais mudanças são explicadas pela “Lei de Grimm“. Ela ganhou este nome em homenagem ao filólogo alemão que conseguiu explicar tais evoluções linguísticas. A “Lei de Verner” torna a explicação das mutações do idioma nesta época ainda mais completa.

As leis são complexas para quem não é da área. Para você ter uma ideia, a última delas citada consiste em explicar que as consoantes oclusivas se transformam em consoantes fricativas, o que muda a pronúncia das palavras.

A palavra “alemão” aparece pela primeira vez em um documento datado de 786.

Graças a escritos antigos podemos datar a evolução do alemão. Documentos antigos ajudam a contar a história da língua alemã.

Durante a Idade Média não existiam regras que unificassem a escrita da língua. Devido a tal fato, o que chamamos hoje de alto-alemão antigo consiste em um conjunto dos seguintes dialetos germânicos:

  • Frâncico ocidental antigo;
  • Frâncico renânico meridional;
  • Bávaro antigo;
  • Alemânico antigo.

Os documentos que deixaram traços escritos são, em sua maioria, de cunho religioso. Existem, porém, alguns textos profanos como, por exemplo, encantamentos mágicos, também conhecidos como “Les Serments de Strasbourg“.

O primeiro texto em alto-alemão foi o códice Abrogans, um glossário bilíngue em latim.

O alto-alemão médio (1050 à 1350)

Ao longo do século X, a produção de textos germanófonos diminuíra consideravelmente. A partir de 1050, apareceriam novos escritos em língua alemã.

Antepassado da língua alemã moderna, o alto-alemão médio é composto por múltiplos dialetos locais, tais como suábio e frâncico oriental.

Existe um grande hiato na produção textual entre o alto-alemão antigo e o alto-alemão médio, pois o latim era a língua utilizada para a escrita durante os séculos X e XI.

O alto-alemão médio (Mittelhochdeutsch) dera origem ao alto-alemão precoce (Frühneuhochdeutsch), utilizado entre 1350 e 1650.

O baixo-alemão

Enquanto o alto-alemão – considerado o idioma da escrita (Schriftsprache) – fora falado no sul da Alemanha, o baixo-alemão predominara no norte do país.

Considerado como uma língua das classes populares, com uma estrutura mais coloquial, o baixo-alemão fora igualmente formado por vários dialetos, tais como:

  • Frâncico baixo dos Países-Baixos e Flândres;
  • Neerlandês;
  • Frísio.

O baixo-alemão médio

Ao contrário do que pode parecer, o baixo-alemão não dera origem ao baixo-alemão médio. Ele nasceu a partir do saxão antigo (ou baixo-saxão), falado no norte da Alemanha.

Falada entre os séculos IX e XII, esta língua germânica ocidental fora a origem, juntamente com o frísio e o inglês antigo, do inglês que conhecemos hoje.

O baixo-alemão médio fora utilizado por volta de 1100 a 1500, na região das margens do mar do Norte  e do mar Báltico. Sabe-se que esta língua fora aplicada para a escrita, mas nenhum traço oficial ainda fora encontrado.

O baixo-alemão médio é o ancestral do baixo-alemão moderno.

O idioma da Alemanha sofreu muitas mutações. A história da língua alemã data de muitos séculos!

O alemão padrão

Sob influência da religião protestante, o alemão padrão (Hochdeutsch) fora inserido nas escolas com o objetivo de tornar germanófona toda a população do norte da Alemanha.

Entre 1520 e 1535, Martinho Lutero (parte das personalidades históricas alemãs) traduzira o Antigo e o Novo Testamento para o alemão. Na região sul do território da Alemanha, a língua era ensinada como idioma estrangeiro.

Durante o século XIX, a língua alemã se transforma no idioma oficial do comércio. Isso porque, com o domínio do Império Austro-Húngaro na Europa central, o alemão era falado em várias cidades:

  • Praga;
  • Budapeste;
  • Bratislava;
  • Zagreb;
  • Liubliana.

As zonas rurais, no entanto, conservaram seus dialetos.

O dicionário dos irmãos Grimm, publicado em 16 volumes entre 1852 e 1860, fora o responsável por divulgar todo conjunto do vocabulário alemão.

Será que os irmãos Grimm estão, portanto, na lista dos grandes escritores alemães?

A (fraca) influência do latim sobre o idioma

Mesmo não sendo de origem latina, a língua alemã sofre influências do latim, predominante em todo o resto do território europeu.

Mesmo sendo ínfima comparada à intervenção dentro do francês, do português e do espanhol, a influência do latim sobre o alemão aconteceu devido à invasão ao território da Alemanha pelo povo romano. Com o objetivo de construir o Império Romano, eles influenciaram vocabulários da língua alemã ligados à guerra e à inovações tecnológicas.

A influência do idioma latino crescera com a multiplicação dos monastérios e com a expansão do cristianismo. O latim vivera o período de maior impacto sobre o alemão durante a Renascença, através das obras humanistas.

O impacto da língua alemã no Brasil

No sul e no sudeste no Brasil existem regiões que foram fortemente influenciadas por imigrantes alemães. A presença da língua alemã foi tão grande que uma versão brasileira do idioma foi criada: o alemão brasileiro.

O maior grupo de imigrantes no Brasil depois dos italianos é o alemão. Originários da Alemanha, Áustria e Suíça conseguiram conservar mais os costumes da língua alemã do que as pessoas vindas da Itália. Tal fato deve-se, provavelmente, à proximidade do italiano e do português (e a maior facilidade que este grupo teve em aprender o idioma local).

Você sabia que existe um alemão brasileiro? O brasil criou seu próprio dialeto alemão.

Segundo o Wikipedia, “as variedades de origem alemã faladas por teuto-brasileiros formam uma língua minoritária significativa no Brasil. O “alemão brasileiro” é fortemente influenciado pelo português e, em menor grau, pelos dialetos italianos, bem como pelas línguas indígenas.

Hoje em dia, mesmo em áreas dominadas por comunidades de origem alemã, os habitantes são bilíngues.

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Achei ótimo o assunto sobre as origens da língua alemã.É um tema que sempre despertou meu interesse, por ser eu, um estudante da língua e apaixonado pela história do país.
Muito obrugado.