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Mulheres na história: as maiores artistas brasileiras

De Marcia, publicado dia 22/10/2019 Blog > Artes e Lazer > Desenho > O feminino na arte: pintoras ganham fama no Brasil e no mundo

Houve uma época na qual as mulheres sofriam mais preconceito do que ainda sofrem. Superamos a fase de que não podiam votar, dirigir ou ocupar cargos importantes no mercado de trabalho. Superamos também algumas barreiras no que diz respeito à liberdade social e sexual.

Entretanto, há ainda quem acredite que personagens históricos devem ser, necessariamente, homens. É como se, na concepção de algumas pessoas, mulheres não fossem capazes de fazer história.

E sim, elas são! Prova disso são as grandes percussoras de certos momentos da história da arte. Algumas mulheres se tornaram conhecidas no mundo todo pela emoção e pelo significado transmitidos pela sua arte. E assim se transformaram em inspiração para outras mulheres… e também para alguns homens!

Você já pensou em perguntar para o seu professor de desenho sobre mulheres que fizeram a diferença na história da arte? Pode ter certeza que você se surpreenderia com a resposta.

E enquanto esse assunto não á abordado em sua aula de artes, nos adiantamos em falar para você sobre algumas das mulheres mais importantes da história da arte e de que forma fizeram a diferença para o mundo artístico.

Abaporu, Tarsila do Amaral e a arte brasileira

Você sabia que a pintura que marcou o início do movimento antropofágico no Brasil foi feita por uma mulher? A grande obra se chama “Abaporu” e podemos dizer que ela consagrou a artista em ascensão. Tarsila do Amaral era o seu nome e 1928 era o ano. O motivo? A artista queria presentear o então marido que estava fazendo aniversário.

O nome da obra tem origem no tupi-guarani e pode ser traduzido para o português como “homem que come gente”. Foi então que tiveram a ideia de fundar um movimento a partir dela: o antropofagismo, que visava “engolir” a cultura estrangeira, no que diz respeito à arte, e transformá-la em elementos típicos do nosso país.

Tarsila do Amaral se tornou um ícone do antropofagismo.

À essa época, Tarsila fazia uma leitura da sociedade brasileira. O quadro retrata uma pessoa com grandes pés e mãos, desproporcionais à cabeça, que impossibilita até a identificação se trata-se de homem ou mulher. A representação se refere à supervalorização do trabalho braçal e a desvalorização do intelecto.

Os elementos da paisagem como o cacto e o sol remetem ao sofrimento com a seca do Nordeste, estabelecendo uma ligação com o sofrimento desse povo, que acabava por se submeter à quaisquer condições de trabalho, já que a necessidade batia à sua porta. Tarsila também ganhou destaque no movimento modernista.

Sua carreira começou quando era muito jovem. Morando em Paris com a família, ingressou em escolas de artes e assim desenvolveu seu talento, tendo entrado em contato com o cubismo e outras vertentes.

Apesar de ter conhecido trabalhos modernistas ainda no exterior, Tarsila só se identificou com essa vertente ao voltar ao Brasil.

Abaporu faz parte da fase “pau-brasil” da artista, na qual pintava elementos de nossa terra, com destaque sempre na figura humana. As cores utilizadas eram quentes, como uma forma de referência ao nosso clima tropical.

Após uma ida à União Soviética, a artista também se descobriu socialista e passou a abordar mais temas sociais em suas pinturas. Entretanto, tal postura não foi vista com bons olhos pelo regime militar, que chegou a acusá-la de subversão.

Anita Malfatti e o movimento modernista no Brasil

Pintora, desenhista, ilustradora, professora…. assim foi Anita Malfatti, uma importante artista paulistana que superou uma deficiência congênita na mão direita e emocionou o Brasil e o mundo com suas obras.

Sua família chegou à levá-la à Itália, ainda criança, na esperança de corrigir o problema. Sem sucesso. A solução para seu desenvolvimento foi aprender a escrever e desenhar com a mão esquerda.

O gosto pela arte foi despertado a partir do contato com a mãe. A família perdeu seu arrimo com a morte do pai de Anita e a mãe passou a desempenhar atividades acadêmicas para sustentá-la. Ela dava aulas de idiomas e artes. Foi à essa época que a menina teve seu primeiro contato com as artes plásticas.

Ainda jovem, sonhava estudar artes no exterior, o que era praticamente impossível, já que a mãe trabalhava o tempo todo para subsistência da família. Foi então que, financiada por um tio, e acompanhada de amigas, embarcou para a Alemanha, à época em que o modernismo estava em ascensão no país.

A obra de Anita Malfatti sofreu influências do modernismo.

Em Berlim, teve enfim sua oportunidade de estudar a arte que queria desenvolver e entrou em contato com famosos e influentes artistas. Passou ainda por Paris e chegou a estudar também nos Estados Unidos.

Suas obras foram expostas no Brasil, para que ela conseguisse arrecadar dinheiro para continuar estudando. Foi então que conheceu Tarsila do Amaral, juntamente com quem ganhou destaque no período modernista da arte brasileira.

Após nova temporada de estudos no exterior, Anita voltou a viver no Brasil. Sustentava-se da sua arte e dedicou-se também a dar aulas, seguindo o exemplo da mãe.

Maiores pintoras do Brasil: Djanira

Nascida em Avaré, interior do Estado de São Paulo, Djanira teve o primeiro contato com seu talento artístico em uma situação nada agradável. Estava internada em um sanatório para tratar-se de um vírus que havia adquirido e fez seu primeiro desenho: Cristo no calvário.

Uma vez curada, passou a viver de uma pequena pensão que abrira. Entretanto, sempre soube que seu talento era a arte, não deixando jamais de frequentar cursos e workshops.

Na década de 40, já pintava alguns quadros, que se caracterizavam por uma aparência sombria e geométrica. Na década seguinte, entretanto, passou a adotar cores mais vibrantes.

Pintou os indígenas maranhenses, a festa do Divino e diversos outros temas que remetem à nossa cultura. Além da pintura, a artista se dedicou também à xilogravura, ou gravação em metais. Foi essa técnica que ela utilizou para pintar os azulejos que decoram, até hoje, as paredes da capela do túnel Santa Bárbara, no Rio de Janeiro.

A xilogravura fez parte da obra da grande artista Djanira.

Sua morte, aos 65 anos, causou comoção geral em sua cidade natal. Anos mais tarde, foi fundado o Centro Cultural Djanira da Mota, em sua homenagem. Atualmente, o espaço abriga também uma biblioteca e sua intenção é manter viva a lembrança de uma artista que pode ser considerada o maior talento de Avaré de todos os tempos.

Djanira levou as cores do Brasil para o mundo e assim conquistou e inspirou gerações inteiras. Para você ter uma ideia, ela foi homenageada até mesmo por Jorge Amado e Paulo Mendes Campos.  Em 2008, foi inaugurado ainda um memorial, com objetos pessoais e parte da obra da artista.

A arte contemporânea de Lygia Pape

Em suas aulas de desenho, o tema neoconcretismo já foi abordado? Trata-se de um movimento que, contrário aos princípios do Concretismo, acredita que a arte tem características subjetivas e expressivas, e que o homem, ao se aproximar para admirá-la, acaba se tornando parte dela.

Sua arte, no início da carreira, trazia características contemporâneas e abstracionistas, tendo aderido ao movimento neoconcreto quando do seu surgimento, na década de 50. A trajetória da artista também foi marcada por ironias, humor negro e uma crítica à situação política que vivíamos.

Alguns de seus trabalhos envolvem formigas saúvas, baratas vivas e até amostras de fios de cabelo das diversas etnias que compõem o povo brasileiro. Sua intenção, entretanto, era levar os expectadores a uma reflexão.

Quem vê suas obras, certamente não se sentirá pronto para consumí-las rapidamente e seguir em frente. Ela leva a alguns minutos de reflexão mais profunda. Está comprovada aí a tese do neoconstrutivismo.

Foi então que participou de uma bienal e algumas exposições internacionais. Tóquio, Estocolmo, Munique, Veneza e Chicago são apenas alguns exemplos de cidades que já foram cenário de exposição de suas obras.

A arte de Lygia chamava a atenção por seu realismo.

Até hoje, seu trabalho faz parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Também ganhou destaque no cinema, trabalhando em divulgação e cartazes de filmes. Até mesmo as embalagens dos biscoitos Piraquê foram desenhadas pela artista.

A marca ficou famosa devido às figuras geométricas que eram associadas a ela, que indiretamente remetiam à obra da artista. Tal embalagem se tornou identidade visual da marca, no Brasil e no mundo. Ela inclusive, foi a criadora da embalagem cilíndrica para itens alimentares, que também se tornou padrão internacional.

Lygia faleceu aos 77 anos, vítima de uma infecção generalizada. Deixou marido e duas filhas. Foi cremada e, atendendo a uma vontade da artista relatada em vida, não teve velório. Sua missa de sétimo dia também foi cantada no Mosteiro de São Bento.

Viu só como as mulheres também fizeram toda a diferença na história da arte? Se você por um momento pensou em desistir das aulas de desenho, por acreditar que não eram para você, pare e pense um pouco.

Além de inspirarem o mundo com suas obras, essas artistas também devem ser tomadas como exemplo de coragem. Mesmo contradizendo a toda a uma sociedade, lutaram para mostrar seu talento ao mundo.

E ainda que o seu sonho não seja se tornar famosa como elas, certamente estudar arte fará de você alguém mais sensível, até mesmo do ponto de vista de uma analogia histórica.

 

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