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Entenda o realismo poético e seus fotógrafos

De Fernanda, publicado em 26/04/2018 Blog > Artes e Lazer > Fotografia > Fotografia humanista: origem e grandes nomes

A história da arte tem visto muitos movimentos e correntes ao longo do tempo. Dadaísmo, surrealismo ou fauvismo para a pintura…. Na fotografia não é diferente.

Fotografia de paisagem, fotografia de moda, fotografia publicitária, fotografia culinária, retratos… Há muitas maneiras de fazer uma foto.

Mas alguns famosos fotógrafos conseguiram romper e criar um estilo exclusivo chamado fotografia humanista.

Disparo, enquadramento, sensibilidade, profundidade, luz, sombra… Esses fotógrafos do século XX foram capazes de capturar as emoções humanas e e a vida cotidiana de homens e mulheres comuns.

São imagens que podem ser encontradas hoje em exposições, galerias e nos maiores museus de arte do mundo.

Mas você sabe quais são os objetivos e os fundamentos da fotografia humanista?

O Superprof está aqui para lhe trazer mais informações.

O que é fotografia humanista?

Henri Cartier-Bresson, Roberto Doisneau, Robert Capa… Você por acaso conhece o trabalho desses grandes artistas?

Talvez você já tenha ouvido esses nomes porque já participou de uma exposição de fotografia humanista.

A fotografia humanista é uma corrente fotográfica que reúne profissionais que compartilham o interesse pelo ser humano em sua vida cotidiana.

De acordo com essa definição da Wikipédia, a fotografia humanista é essencialmente definida por seu sujeito: o homem.

Os fotógrafos dessa corrente apresentam o ser humano da maneira como ele vive no cotidiano, sem poses e sem artifícios. Os artistas tentam transcrever as emoções das pessoas que fotografam.

Quais são os assuntos da fotografia humanista? Fotógrafos humanistas tentam capturar os momentos da vida cotidiana.

Este movimento, também chamado de realismo poético ou interesse humano, é principalmente francês.

Para fotógrafos como Cartier-Bresson ou Capa, o entorno do sujeito é tão importante quanto o assunto em si.

Isso traz muita informação sobre as pessoas que são fotografadas: o lugar onde vivem, o que estão fazendo, como se relacionam em público…

Assim, o início do movimento retratava sobretudo pessoas são que transitavam nas ruas ou em bares parisienses. Bem diferente de um curso de fotografia mais teórico!

Amor, infância, sofrimento, rua, artesãos, favelas, outras culturas, pessoas nas ruas, grandes festas, manifestações …

Os temas são numerosos, mas os fotógrafos sempre tentam capturar os elementos que nos tornam humanos.

Por meio de suas lentes, eles buscam congelar o denominador comum da humanidade.

Alguns desses fotógrafos são:

  • Henri Cartier-Bresson,
  • Robert Doisneau,
  • Izis Bidermanas,
  • Willy Ronis
  • Ed Van der Elsken,
  • Lucien Lorelle,
  • Emmanuel Sougez,
  • Pierre Ichac,
  • René-Jacques.

Estes últimos trabalharam para a imprensa ou junto de poetas como Pierre Mac Orlan, Blaise Cendrars, Francis Carco ou Jacques Prévert.

A fotografia humanista também está muito próxima da foto de guerra e do fotojornalismo inspirado em Robert Capa. Um dos mais célebres fotógrafos de guerra, Capa cobriu os mais importantes conflitos da primeira metade do século XX: a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Segunda Guerra Mundial na Europa, no Norte da África, a Guerra árabe-israelense de 1948 e a Primeira Guerra da Indochina.

É nesse momento que primeiras agências fotográficas nascem e vendem para os maiores jornais do mundo inteiro os cliques desses eventos internacionais.

Descubra também o que é fotografia contemporânea

Como nasceu a fotografia humanista?

Agora você conhece as principais linhas da fotografia humanista, descubra quando e como esse movimento nasceu.

Henri Cartier-Bresson afirmou:

“O objeto da foto é o homem, o homem e sua vida tão curta, tão frágil, tão ameaçada.”

É na década de 30 que essa nova figura de fotógrafo surge. Ela passa a fazer ainda mais sentido após a carnificina da Segunda Guerra Mundial.

De fato, a fotografia humanista nasceu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945.

Naquela época, os homens estavam passando por dificuldades econômicas e materiais reais. E especialmente na França, onde o Estado é obrigado a pedir ajuda aos Estados Unidos para reconstruir o país.

A fotografia humanista, em seguida, procura buscar e valorizar os pequenos prazeres da vida cotidiana, longe das atrocidades da guerra.

A fotografia humanista também serviu para denunciar e mostrar as injustiças deste período histórico.

Mas por que esse movimento é predominantemente francês?

Simplesmente por causa de uma foto mundialmente famosa: o beijo do Hôtel de Ville, de Robert Doisneau.

Esta foto de dois amantes se beijando na rua obteve rapidamente um sucesso fenomenal. No entanto, muitas pessoas tentaram ganhar dinheiro alegando ser retratadas na imagem.

Publicada na revista Life em 1950, a foto é até hoje o símbolo da atmosfera parisiense da época.

O que a famosa imagem dos amantes parisienses representa? Le baiser de l’Hôtel de Ville é a imagem icônica do movimento fotográfico.

Ela permite entender os códigos da foto humanista: mostrar os hábitos cotidianos dos homens em seu ambiente.

É com esta imagem que o movimento de fotografia humanista fica reconhecido como sendo de origem francesa. Os fotógrafos Henri Cartier-Bresson, Robert Doisneau e Willy Ronis podem ser considerados precursores e verdadeiros fundadores da tendência artística.

Este movimento é então reconhecido mundialmente e propagado para outros países por meio da exposição de Edward Steichen, The Family of Man, organizada em Nova York em 1955.

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As grandes figuras da fotografia humanista

Várias personalidades marcaram a história da fotografia e do movimento humanista. Aqui está o retrato dos maiores fotógrafos deste período.

Robert Doisneau

Verdadeiro pai da fotografia humanista, Robert Doisneau (1912-1994) é um dos fotógrafos franceses mais conhecidos internacionalmente.

Sua foto “O Beijo de l’Hôtel de Ville” é o símbolo da fotografia humanista.

Suas fotos em preto e branco, muitas vezes retratam crianças em idade escolar ou casais se beijando. Essencialmente na rua, seus protagonistas mostram a vida cotidiana parisiense da época.

Fotos cheias de vida, nostalgia e poesia para um fotógrafo ainda admirado hoje em dia.

Willy Ronis

Willy Ronis (1910-2009) é um dos representantes da fotografia humanista, que ele mesmo define como “o olhar do fotógrafo que ama o ser humano”.

Vencedor do Grande Prêmio Nacional Francês de Fotografia em 1979 e do Prêmio Nadar em 1981, ele participou em 1953 na exposição “Five French Photographers” com Brassaï, Henri Cartier-Bresson, Robert Doisneau e Izis no Museu de Arte Moderna de New York.

Ele é certamente um dos fundadores da corrente de fotografia humanista.

Édouard Boubat

“Acho que as fotografias que apreciamos são feitas quando o fotógrafo consegue se apagar. Se houvesse uma regra, certamente seria essa.”

Édouard Boubat (1923-1999), fotógrafo da revista Réalités há muitos anos, é também uma das principais figuras da fotografia humanista.

Divulgadas pela agência Gamma-Rapho, suas fotos fornecem um retrato verdadeiro da sociedade do pós-guerra.

Jacques Prévert dizia sobre ele:

“Boubat, um correspondente da paz”.

Será que suas imagens fazem parte das fotos que mais marcaram a história?

Izis

Israelis Bidermanas (1911-1980) foi um fotógrafo e fotojornalista francês de origem lituana.

Suas obras foram publicadas pela primeira vez no semanário do Partido Comunista “Regards“.

Ele também trabalhou para Paris Match.

Publicou muitas reportagens à maneira da fotografia humanista feitas em Israel, Portugal e Inglaterra.

Jean Cocteau, Colette, Edith Piaf ou Grace Kelly são alguns dos nomes que estiveram atrás de suas lentes.

Henri Cartier-Bresson

Nascido em 22 de agosto de 1908 perto de Paris e falecido em 3 de agosto de 2004 nos Alpes da Alta Provença, Henri Cartier-Bresson é reconhecido como um dos maiores fotógrafos do século XX.

Ele é um dos fundadores da Magnum Photos.

Suas fotos são frequentemente usadas para a imprensa, o que lhe deu o status de fotojornalista. Ele gostava de fazer reportagens de rua tirando fotos do momento, sem trabalhar a cena com antecedência.

Suas fotos são quase todas espontâneas.

Agência Magnum Fotos

Como falar de fotografia humanista sem mencionar a agência de fotos Magnum?

Criada em 1947 por Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, George Rodger e David Seymour, a agência Magnum é a maior agência de fotojornalismo do mundo.

Os fotógrafos dividiam o trabalho em várias áreas geográficas. Enquanto Cartier-Bresson se ocupava da Índia e o Extremo Oriente, Capa cuidava dos Estados Unidos, Rodger da Africa e Seymour da Europa.

Uma nova maneira de organizar o trabalho fotográfico.

As fotos da agência tentam transmitir a imagem do mundo com um grande número de temas como: família, religião, guerra, pobreza ou fome.

O homem está obviamente no centro de todos esses tópicos.

A organização cooperativa permite que os fotógrafos escolhessem seus assuntos e sua maneira de trabalhar. Uma rara liberdade para a época.

Suas fotos são publicadas em revistas e jornais como “Life” ou “Paris Match”.

Os herdeiros da fotografia humanista

Quem é o maior fotógrafo brasileiro? Entre os nomes brasileiros, podemos dar destaque a Sebastião Salgado, que retratou muitos rostos de nosso povo.

Com escritórios ao redor do mundo, em Paris, Nova York, Londres e Tóquio, a agência Magnum ainda existe e reúne cerca de 60 fotógrafos.

Os fotógrafos trabalham para a imprensa, mas também para  outros setores como a publicidade ou ONGs. Cada vez mais é difícil de distinguir os elementos de base do fotojornalismo e da fotografia humanista.

Todas as fotos da agência remontam de uma forma ou de outra a vida cotidiana dos homens de todas as épocas.

Por meio de suas alegrias, das guerras, de seus hobbies, de seu trabalho, os fotógrafos dessa agência souberam como usar a fotografia humanista para testemunhar a sua época.

Hoje, muitos fotógrafos e fotojornalistas continuam nessa direção.

As maiores fotos são publicadas regularmente nas principais revistas e jornais. Isso ajuda a entender a vida dos homens ao redor do mundo.

“Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…” – Sebastião Salgado.

Por fim, se desejar, convidamos você a descobrir mais sobre a fotografia culinária…!

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