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Os problemas econômicos dos alunos que repetem séries

De Fernando, publicado dia 26/06/2018 Blog > Aulas particulares > Ter aulas particulares > Quais os custos da repetição de ano?

Nós cruzamos nossos dedos para que nunca tenhamos que nos preocupar com nossos filhos repetindo de ano. Investimos em aulas particulares, damos a devida atenção aos deveres de casa, cuidamos de cada uma das tarefas, mas… Estas são coisas que acontecem, e todos nós somos passíveis de erros e situações inesperadas. Em suma, faz parte da paisagem: basta olhar em volta para encontrar casos de repetição.

Paradoxalmente, essa situação diz respeito a crianças que frequentemente gostam menos de escola, mas que estão “condenadas” a ficar um pouco mais tempo do que outras.

A repetência traz sim mais possibilidades para o aluno, desde que ele compreenda que essa situação é importante para que ele se torne mais maduro e possa conquistar resultados que ainda não tinham sido possíveis no ano escolar anterior. Mas isso não é apenas um problema acadêmico.

A repetência significa custos altos para o país na educação da rede pública, além de causar problemas sociais, como a evasão escolar e uma diminuição na mão de obra especializada, já que com falhas na educação básica, os alunos não frequentarão o ensino técnico ou o superior.

Mas qual é o benefício da repetência  para eles e, especialmente, como podemos compreender melhor o custo suportado pela sociedade da repetição escolar?

Analisando os custos da repetição Se repetir não é uma escolha, como compreender a importância dela para o aluno?

Repetição custa dezesseis bilhões de reais por ano

Esta é a conclusão direta e concisa de um estudo realizado pelo Censo da Educação, realizado pelo Inep – Ministério da Educação e publicado em 2017. Esses 16 bilhões são, naturalmente, assumidos pelo Estado, isto é, por todos os contribuintes e fazem parte dos impressionantes números sobre a repetência no Brasil.

Esta enorme soma é resultado da repetência de 3 milhões de estudantes da educação básica e dividida em 12 bilhões para a escola fundamental (direcionada para a gestão dos municípios, responsáveis por esse nível acadêmico) e 4 bilhões de reais para o Ensino Médio, gerenciado pelos estados da federação. Este desequilíbrio também aponta o crescente volume de alunos que abandonam o sistema escolar brasileiro, que já atinge 15% dos jovens entre 15 e 17 anos que deveriam estar na escola regular.

Entre os jovens brasileiros, 36% afirmam já ter repetido ao menos um ano acadêmico (contra uma média de 13% para todas as nações da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

16 bilhões equivale a 8% do investimento do Governo Federal em educação no ano de 2016. Esse é um peso muito grande para as finanças e traz também grandes problemas sociais e familiares.

Em um contexto particular, as famílias podem buscar melhorias para evitar a repetição usando tutoria, ajuda com a lição de casa e outras aulas particulares com um professor experiente ou buscar apoio em associações que apoiam alunos com dificuldades escolares.

As crianças precisam de investimentos A Coreia do Sul investe muito na base educacional (e não possui sistema de repetência!)

O que pode ser dito à luz do estudo do PISA

O plano do PISA ( Programa Internacional de Avaliação de Alunos / Programme for International Student Assessment, em inglês) tornou possível, a partir de 2000, avaliar a eficácia dos sistemas educacionais nos vários países da OCDE.

Concentrando-se no insucesso escolar, o documento do PISA de 2016 mostra que um em cada quatro estudantes da OCDE está abaixo do limiar de habilidades exigido. No Brasil, os alunos em matemática estão na 65ª colocação entre 70 participantes, bem abaixo de países como Cingapura e Hong Kong. Um fato perturbador …

Mas seria pior sem essa possibilidade de repetir o ano? Como funcionaria o nosso sistema escolar pensando nessa ideia? Seria positivo ou negativo?

Impossível dizer para o caso brasileiro, mas a Coréia do Sul está lá para nos esclarecer.

De fato, este último não usa repetição e obteve as melhores pontuações no último ranking do PISA! O modelo sul coreano tem um incentivo maior na formação da educação básica, com grandes incentivos financeiros, testes padronizados e ótimos salários para os professores, que atuam de maneira integral nas escolas.

São os países com repetições raras ou inexistentes que ficam no pódio, enquanto a França e outros se inscrevem nos últimos lugares …  Da mesma forma, o sistema educacional  asiático não é necessariamente o mais satisfatório e perfeito do mundo, o Japão, por exemplo, ocupa um sinistro primeiro lugar no suicídio de menores (esta é a primeira causa de morte entre os jovens).

O programa PISA tem a honra de examinar as alternativas existentes para substituir a repetição. Também aponta que seria ineficiente mudar de escola para alunos com problemas disciplinares, bem como acadêmicos estritamente focados em sala de aula. Maior liberdade educacional dentro da mesma estrutura escolar, como na Coréia, continuaria sendo algo inatingível.

Mas devemos aceitar a repetição? Ou persistir em tomar aulas particulares ?

Como superar as barreiras do aprendizado? A dedicação dos alunos pesa também para os cofres públicos

Economias progressivas em caso de supressão de repetições

Nas suas conclusões sobre a realidade francesa (com 28% dos franceses de 15 anos já tendo repetido de ano, número alto e que pode ser válido para compararmos com o Brasil) , o PPI (Instituto de Políticas Públicas/Institut des Politiques Publiques, em francês)  explica que a comunidade pouparia dinheiro simplesmente eliminando a repetição.

Assim, os 2 bilhões de euros que o país europeu gasta com repetência seriam economizados e seriam realocados em outros lugares dentro do mesmo gabinete. Com isso, o orçamento da educação tenderia a subir a cada ano  – isso significa que essas economias não resultariam em impostos mais baixos, mas, no máximo, não aumentariam os custos.

A autoridade pública também poderia pensar em eliminar a repetição no ensino médio, mas mantê-la no ensino fundamental, onde o investimento é mais barato no caso deles. Além disso, o essencial de uma escola continua sendo o mesmo: o controle da leitura, da escrita e das operações matemáticas, todas as coisas que são adquiridas mais facilmente nas pequenas classes, onde o intelecto ainda é muito receptivo e maleável.

Depois, muitas vezes é tarde demais. É assim a sugestão deles é que se deve tentar, o mais depressa possível, trazer soluções eficazes para sufocar dificuldades na raiz educacional, logo nas séries iniciais.

Os limites dessa análise, perfeitamente alinhados com o desejo de reforma, estão na não estimativa dos custos associados às iniciativas que serão implementadas para compensar a eliminação da repetição. Porque remover esta última possibilidade não aniquilará o fato de todas as dificuldades dos alunos seguirem existindo, o que manterá a necessidade de reforço escolar constantes para que os alunos possam seguir acompanhando o ritmo em sala de aula!

No entanto, para reportar tudo aos números e ao dinheiro, num modo econômico utilitário, não é suficiente.  Precisamos alcançar mais do que resultados numéricos simples de aprovação, trazendo também resultados qualitativos, como os observados pelo PISA para matemática, leitura e ciências, em que o Brasil está muito mal colocado.

Economizar dinheiro apenas por economizar dinheiro não faz muito sentido. Criamos mais problemas do que resolvemos!

Mas você sabe quem tem a última palavra em casos de reprovação?

Saiba como superar a repetência Repetir é uma oportunidade de começar novamente a aprender

Um fardo necessário: a percepção dos franceses

Em janeiro de 2015, o Conselho Nacional de Avaliação do Sistema Escolar (CNESCO – Conseil national d’évaluation du système scolaire, em francês ) publicou uma pesquisa sobre como os franceses viam a repetição escolar em suas  realidades. E os resultados são surpreendentes (já viu os números sobre esse país e outros sobre a repetência?).

Em geral, 80% dos alunos do país consideram que essa repetição é uma espécie de “segunda chance” oferecida aos alunos. Portanto, é uma forma de não falhar e ser capaz de mostrar que podemos fazer melhor.

73% dos entrevistados acham que a repetição é útil para melhorar os resultados educacionais. É realmente mais fácil de assimilar e ter boas notas no conteúdo educacional já discutido no ano anterior.

Além disso, a conclusão é clara: 69% dos estudantes do ensino médio dizem ser desfavoráveis à supressão da repetição.

E assim que questionamos as pessoas que realmente repetiram de ano, 35% dos repetidores afirmam ter sido tentados a abandonar a escola por causa da repetência, ou seja, estavam propensos à evasão escolar.

Da mesma forma, um terço deles relatou que eles tinham sido mal integrados na nova turma, cujos alunos eram – logicamente – mais jovens. E nós entendemos melhor este estado de coisas quando quase 25% dos repetidores dizem que já foram repreendidos por seus novos colegas de classe pelo simples fato de terem voltado um ano,

De fato, os inquéritos do PISA não tiveram dificuldade em demonstrar a ineficácia da repetição, que tem o objetivo oposto ao que eles buscam, a reintegração e o avanço educacional.

Agora há a questão do substituto da repetência. Se não houver mais repetição, com o que podemos substituir essa metodologia pedagógica? E como isso pode funcionar sem os devidos investimentos na formação de professores, salários mais justos e na boa estrutura do ambiente acadêmico? Todo o debate deve ser mais amplo do que apenas no encerramento de um ciclo de repetência e a criação de uma massa de pessoas que não foram reprovadas, mas também não tem capacitação para realizar certos trabalhos.

A discussão continua aberta!

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