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Saber a língua latina para ser bom aluno

De Carolina, publicado dia 18/01/2019 Blog > Idiomas > Latim > Aprender latim para estar nas melhores classes

Um declínio contínuo nas estatísticas do Ministério da Educação mostram uma continua perda da qualidade do ensino em geral.

O sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), que objetivou o fenômeno da reprodução social na França, mostrou que o sistema escolar reproduz e confirma as desigualdades econômicas e sociais. Isso exerce uma “violência simbólica” na juventude promovendo uma cultura burguesa muito distante das realidades das crianças das classes mais baixas.

Saiba a língua e a cultura latina!

Um processo de dominação social que o leva ao fracasso e promove o acesso ao ensino superior para estudantes das classes privilegiadas.

Estude o idioma latino Basta ver nossos prédios e modo de vida para notar a presença romana!

Nessa linha de análise, o ensino de línguas antigas – a escolha da opção latim na faculdade – foi uma estratégia adotada pelos pais das classes superiores para “colocar” seus filhos nas melhores aulas.

Falar latim era de dimensão nobre, um prestígio. Portanto, os indivíduos, herdeiros de uma classe favorecida eram valorizados com ferramentas de distinção social.

Essa afirmação é verdadeira hoje? Aprender a língua latina – e mais geralmente os clássicos, como o grego antigo – é reservado aos herdeiros da elite social, embaixadores da alta cultura e detentora da totalidade do capital cultural?

Como aprender latim no ensino médio?

Superprof tenta responder a essa pergunta: qual é a ligação entre as aulas de latim e admissão às melhores classes?

História do ensino latino

Desde o Renascimento e o período humanista – séculos 15 e 16 – aprender latim era reservado para as crianças da elite social europeia, a nobreza e o clero até a Revolução Francesa de 1789.

Rosa, rosa, rosam, rosae, rosa… Rosae, rosae, rosas, rosarum, rosis, rosis. Aprender a declinação latina singular e plural: era um distintivo social pertencente à alta sociedade.

A língua latina, por sua influência – legados da civilização romana, impacto cultural e linguístico na Europa, a linguagem da educação, ciência, erudição e cultura erudita – foi vista como um veículo poderoso de mobilidade social.

Uma minoria recrutada nas fileiras da elite (as crianças desfavorecidas não têm acesso ao ensino) foi, assim, formada nessa disciplina – já uma língua morta – ipso facto no objetivo de alcançar as melhores posições sociais.

Em contraste, uma esmagadora maioria da população – um exército industrial de trabalhadores indigentes – foi privada de estudos, menos ainda em línguas europeias.

Saber o vocabulário grego ou latino, portanto, é o resultado de uma luta de classes sociais. Alguns acreditam que ele ainda continua até hoje: aprender línguas antigas é visto como uma estratégia dos ricos para integrar as melhores faculdades latinas.

A partir da revolução industrial na Europa, a laicidade e o desejo de emancipação da Igreja Católica inevitavelmente favoreceram a desconfiança em relação ao curso de latim (por que?) na escola republicana.

A partir dos anos 1950, as línguas antigas caíram de seu pedestal. Porém, uma parte da elite continuou a estudá-la permanecendo um elemento de distinção social para os ricos.

“O latim e especialmente o grego estão mais ou menos desatualizados. As línguas antigas e a formação humanista não mais constituem a marca necessária e eminente da cultura”. Albert Thibaudet, História da Literatura Francesa, 1936.

O estudo da língua latina – mitologia, história do Império Romano, a leitura de textos antigos, grandes escritores como Ovídio, Sêneca, Cícero, Horácio, Tito Lívio e Plauto, etc. – perde progressivamente sua soberba.

Nos debates pedagógicos, o desafeto pelas línguas antigas se explica em alguns atores. Agora, o recrutamento da elite passa pela matemática.

Estudos romanos ajudam para outras matérias Aprenda a língua latina e saia na frente

Para fazer cálculos de potência ou medir o desempenho de um motor, você deve aprender a conjugar verbos latinos?

O objetivo seria lutar contra as desigualdades educacionais.

No entanto, entre as famílias ricas, a educação ainda é quase uma exclusividade. O ensino público no Brasil é de má qualidade. Apenas a educação superior pública se destaca. Porém, quem entra, na maioria das vezes, é quem teve condições de ter um bom ensino nos anos anteriores, ou seja, a elite.

Então, pensar no ensino de latim para uma população que não tem acesso nem ao ensino básico parece inútil.

Na maioria dos casos, as pessoas que têm acesso a essa opção de estudos em língua latina continuam sendo as mais favorecidas. Portanto, aprender a primeira declinação latina (e recitar brilhantemente para seus amigos), normalmente é um privilégio para os melhores alunos.

Latim, uma escolha ligada às origens sociais?

Conhecer as palavras latinas já foi visto como elevador para as fileiras da elite econômica, política e social.

Hoje, o latim é visto como uma porta de entrada para outras línguas ou para aprofundar em sua própria língua materna. Aprenda latim para o aprendizado de outras línguas!

Ou se as melhores aulas – classes bilíngues, estudos científicos – recrutar sua força de trabalho entre os estudiosos do latim da classe privilegiada, isso não é um elitismo notório na educação querendo ser igualitária?

A lei de ferro da oligarquia permanece ainda relevante?

Na França, onde o latim é ensinado como matéria opcional no colégio, a Diretoria de Avaliação, Planejamento e Desempenho (DEPP) do Ministério do Trabalho concluiu que “as crianças vindas de meios privilegiados e que obtêm boas notas estão mais preocupadas com o latim“.

O estudo mostra o abismo social nos estudos de latim na França: 44% dos estudantes de latim são filhos de professores, 39% são filhos de gestores e profissionais de pós-graduação, enquanto apenas 15% dos estudiosos latinos são filhos de trabalhadores.

A realidade francesa, muito diferente da brasileira, está aqui somente para ilustrar que o latim continua, sim, sendo estudos muito elitistas… No Brasil, os estudos de latim são possíveis somente em nível superior e em curso de Letras ou algo científico.

Porém, mesmo bem mais reduzido, é possível que os alunos brasileiros de latim também vêm da classe privilegiada.

As disparidades sociais profundas estão se intensificando. A origem social é um fator determinante ao acesso às melhores classes.

Isso mostra que a origem social e nível de escolaridade são altamente correlacionados com a escolha de orientação para as belas letras latinas.

Quer conhecer a história de Roma antiga? Fazer aulas do idioma romano para aprender mais sobre as outras línguas

Empiricamente, isso também reflete na distribuição de disposições adquiridas nas práticas culturais desiguais e diferentes: o filho de um professor será mais acostumados a visitar o museu, a leitura de diferentes gêneros literários, mais predispostos a assimilar uma cultura elevada que uma criança de um ambiente social popular.

Na verdade, o interesse na cultura ou história é baixo entre os grupos sociais desfavorecidos.

Como se interessar pela gramática latina, a sintaxe do português, do latim, o curso de língua, a história da civilização romana, a arte da eloquência e da retórica dos autores do Lácio e da República Romana quando o sentimento de incompetência às expectativas do sistema escolar é internalizado por gerações na cultura familiar?

O top 10 do porquê aprender latim!

Nós entendemos porque os alunos que analisam textos literários no vestibular e no Enem são de origens privilegiadas…

A língua latina e os impasses sociais

Quem lembra da primeira declinação latina ou do estudo de um verbo latino depois de seus estudos universitários? Ou antes? Ninguém?

Você aprendeu os marcos da civilização romana? Em agosto de 79 da nossa era, o Vesúvio enterrou várias centenas de pessoas sob dezenas de metros de cinzas piroclásticas: é o fim de Pompéia.

Quem estudou em história Roma antiga e o Império Romano? Não é de se assustar se você responder não.

Isso só reflete aquilo que estamos cansados de saber: a grande defasagem do aprendizado nas escolas do Brasil.

Os país, é quase lógico, querem que seus filhos tenham uma posição social futura melhor que a deles: assim, eles estimularão seus filhos a estudar para obter bons resultados escolares.

Quanto mais o ambiente social é favorável aos estudos, mais isso é verdade…

No entanto, um fenômeno de descomissionamento social está em ação hoje em dia: o paradoxo de Anderson:

A despeito do aumento de diplomas, há também o desenvolvimento da precariedade. Mesmo tendo um nível de escolaridade mais elevado que o dos pais, isso não garante mais a mobilidade intergeracional ascendente (ou seja, ter uma situação melhor que a dos pais).

É compreensível, portanto, que estratégias entre os pais dos alunos nascem para superar esse fenômeno: ensinar o latim ao filho na escola para que ele esteja entre os melhores alunos e que ele beneficie de uma boa integração social.

É nisso que a escolha do latim na faculdade é chamada de evitação social: se aprendemos a história de Pompéia ou do léxico latino, a fazer tradução latina, é mais pelo cálculo utilitário para o futuro ou pela crença em possíveis benefícios futuros.

Faça aulas língua romana Quanto mais estudos os pais têm, mais eles vão incentivar seus filhos

O debate é polêmico sobre o assunto para limitar esse tipo de estratégia que, em última análise, coloca os estudantes em competição no sistema escolar e não promove a igualdade.

Por exemplo, a redução dos cursos de língua latina, que ajudam os jovens a compreender melhor a estrutura gramatical e a ortografia do português (usando regras latinas – nominativo, acusativo, dativo, gerúndio, vocativo, ablativo), a ordem dos elementos na frase latina (sujeito + verbo + COD), e as línguas oficiais de todos os países latinos.

Saiba latim para entender melhor o português!

Tudo isso contribui para uma diminuição da qualidade de ensino e o aumento da disparidade…

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