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Quais são os lugares com maior influência da imigração italiana?

De Fernanda, publicado dia 24/06/2019 Blog > Idiomas > Italiano > A imigração de italianos no Brasil

Entre as muitas imigrações que ocorreram até o Brasil, pode-se afirmar que a italiana foi a que obteve maior expressividade.

Entre o final do século XIX e começo do século XX, mais de 700 mil imigrantes italianos chegavam ao país. Por meio destes imigrantes, os costumes e a cultura italiana criaram raízes que influenciam hábitos, idioma e cultura brasileiros até hoje.

Atualmente são quase 25 milhões de ítalo-brasileiros que vivem por aqui.

Veja nesse artigo onde e como se deu esse processo tão importante da imigração italiana!

A história da imigração italiana no Brasil

qual a história da imigração? A maioria dos imigrantes italianos veio da região do Vêneto, norte da Itália, região, na época, com grandes problemas nas zonas rurais.

“Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? É a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?” (resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país, a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa)

Com a crise que acontecia na Itália em meados dos séculos XIX e XX, muitos camponeses decidiram partir para nosso país e trabalhar nas lavouras do território brasileiro, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul. Essa campanha imigratória funcionou bem porque ambos os países tinham interesses em comum. Por um lado, o Brasil precisava de mão de obra agrícola no período pós-abolição, por outro, a Itália precisava recompor suas famílias financeiramente depois da recessão.

Entre 1887 e 1978, das 2,5 milhões de pessoas que passaram pela antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, mais de 700 mil vinham da Itália.

E foi em 21 de fevereiro de 1874 que chegou ao Brasil o Vapor “La Sofia” com as primeiras famílias de imigrantes italianos. Em homenagem a este momento, todos os anos nosso país celebra o Dia Nacional do Imigrante Italiano. Essa data foi sancionada através da lei nº 11.687, em junho de 2008, pelo então vice-presidente do Brasil, José de Alencar, como forma de homenagear o povo italiano que veio para o Brasil e ajudou a construir a nossa história.

Alguns italianos chegaram dispostos a criar pequenas empresas e prosperar. Vendiam o que tinham na Itália e investiam no Brasil em áreas como a agricultura, comércio, prestação de serviços e indústria.

Partindo do porto de Gênova, a expedição de Pietro Tabacchi no La Sofia chegou ao Espírito Santo há 145 anos e marcou o início do processo de migração em massa dos italianos para o Brasil. Os primeiros 386 imigrantes que chegaram por aqui deram origem a uma grande colônia italiana.

Apenas seis estados brasileiros concentraram a quase totalidade da imigração italiana no Brasil:

  • São Paulo: recebeu imigrantes de diversas regiões da Itália. A maioria deles veio para trabalhar nas fazendas de café.
  • Rio Grande do Sul: nem todas as colônias foram bem sucedidas nessa região, outras, por sua vez, deram muito certo, como no caso das colônias que deram origem às cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias.
  • Santa Catarina: em sua grande maioria, os italianos foram direcionados para as colônias alemãs e foram discriminados e explorados.
  • Paraná: as colônias próximas à capital, Curitiba, prosperaram com o trabalho na construção de ferrovias para escoar os alimentos produzidos no sul do país.
  • Minas Gerais: a mão-de-obra italiana no estado foi aproveitada para realização de obras públicas ao redor da capital mineira e algumas fazendas de café do sul de Minas.
  • Espírito Santo: a presença de imigrantes italianos foi grande e prospera até 1920.

A imigração italiana no sul do Brasil

Como foi a imigração italiana no Brasil? Qual história está por trás do seu prato de pizza e sua taça de vinho? A base da economia na região italiana do Rio Grande do Sul foi, e continua a ser, a vinicultura.

Atrair imigrantes europeus foi uma estratégia do governo brasileiro na tentativa de ocupar o vazio demográfico existente nas tantas terras da região Sul do país. A facilitação e implantação de colônias entre 1818 e 1870 era uma verdadeira política governamental. No entanto, devido à falta de disponibilidade financeira e desorganização estrutural, essas tentativas fracassavam e muitas das colônias no Rio Grande do Sul e Santa Catarina desapareceram ao longo dos anos.

Com a crise social e econômica que afetava a Itália no final do século XIX, o governo brasileiro viu a oportunidade de incentivar a imigração italiana. A disponibilidade de terras, o clima temperado similar ao país da bota e a promessa de prosperidade no cultivo dos produtos italianos contribuíram para que o Sul fosse uma região atrativa para a vinda dos novos imigrantes.

Os imigrantes que se dirigiram para o Sul do Brasil eram quase todos do Norte da Itália, e as primeiras colônias se estabeleceram na serra gaúcha. A migração italiana para a região ocorreu sobretudo entre 1875 e 1892, ano que entrou em decadência. A colônia que apresentava mais características italianas era Caxias do Sul, que no ano de 1898 já contava com 25 mil habitantes, quase todos italianos.

No Paraná, os primeiros imigrantes se estabeleceram na região litorânea em 1878. Posteriormente, Curitiba atraiu uma boa quantidade de italianos para suas imediações. A capital conta até hoje com influência cultural e gastronômica da Itália.

Por fim, Santa Catarina contou com a concentração dos italianos na região sul do estado. No entanto, a forte presença das colônias alemãs acabou enfraquecendo o enraizamento dos italianos na região.

As plantações de café no Sudeste

Alguns imigrantes se direcionaram para a capital paulista, nos bairros da Mooca, Bixiga, Lapa, Mandaqui, Santa Cecília e Barra Funda, entre tantos outros. Em São Paulo, o atrativo eram as oportunidades de trabalho em fábricas e indústrias. Mas a grande massa dos que partiram do Vêneto e da Lombardia foi para o interior do Estado trabalhar nas fazendas de café.

Nas fazendas de café, a vida dos homens, mulheres e crianças imigrantes – chamados de colonos pelos fazendeiros – era muito difícil. As condições de trabalho eram geralmente semi-escravas e os imigrantes sofriam pressões e maus tratos semelhantes aos dos escravos.

As fazendas eram isoladas dos centros urbanos: sem acesso à saúde e distantes de igrejas e escolas, os colonos eram obrigados a dormir em cima de palha em pequenas casas, sem as mínimas condições de higiene.

O fazendeiro, senhor absoluto, estabelecia suas próprias leis e abusava no tratamento dos trabalhadores. Os abusos eram físicos e psicológicos: os colonos era vigiados por capangas e era frequente o uso de violência como punição. O endividamento do colono também era uma estratégia para mantê-lo preso à fazenda e impedir sua saída.

Apesar das péssimas condições de trabalho, as revoltas eram exceções, pois os camponeses italianos normalmente agiam de forma apática, pois provinham eles próprios de uma sociedade que via a resignação como uma virtude cristã.

Os italianos deixaram seu país por motivos econômicos e socioculturais. O grande fluxo migratório italiano começou após a unificação da Itália, em 1870. A grande massa de italianos trabalhou em fazendas de café. A dificuldade de acumular capital fez com que imigrantes italianos partissem das fazendas para o centro da cidade. São Paulo chegou a ser conhecida como “cidade italiana”, pois esses imigrantes se ocuparam especialmente na indústria e nas atividades de serviços urbanos. Em 1901, italianos chegaram a representar 90% dos 50.00 trabalhadores nas fábricas paulistas. Museu da Imigração do Estado de São Paulo

Qual a historia da imigração italiana? O Museu da Imigração do Estado de São Paulo acolhe a história de preservação da memória das pessoas que chegaram ao Brasil por meio da Hospedaria de Imigrantes.

O fim da imigração italiana

As condições de trabalho nas fazendas de café eram degradantes, com frequentes abusos por parte dos fazendeiros. Com o passar dos anos, as notícias das condições de trabalho semi-escravo chegaram até a Itália e causaram impacto. Foi nesse período que os fluxos imigratórios se intensificaram para Argentina e Estados Unidos, fazendo a imigração italiana no Brasil cair.

No entanto, a imigração no Brasil continuou até a década de 20, quando o ditador nacionalista Benito Mussolini passou a controlar a emigração. Com a Segunda Guerra Mundial, a declaração de guerra entre Brasil e Itália e a contínua recuperação da economia italiana, a chegada de italianos no Brasil entrou em decadência.

O período nacionalista do Estado Novo, comandado por Getúlio Vargas, afetou a vida dos descendentes italianos. Ser italiano era sinônimo de ser marginal. Os dialetos foram proibidos de ser falados publicamente, as associações italianas foram fechadas, o comércio e residência de italianos foram invadidos, e bens de imigrantes foram confiscados.

Foi somente a partir da década de 1970, durante as comemorações do centenário da imigração que isso foi revertido. Se antes as origens italianas eram, muitas vezes, motivo de vergonha, recriou-se a italianidade, fazendo dela um atributo positivo. Muitos descendentes de italianos, já bem posicionados socialmente, criaram um novo discurso acerca da italianidade, positivando-a. Desde então, proliferaram a criação de circolos italianos que passaram a agregar a comunidade de origem italiana, recriando a própria visão dos descendentes de si mesmos.

No Brasil, os filhos e netos de italianos continuaram a propagar a cultura e os costumes do país da bota. À medida que o número de imigrantes e seus descendentes ia crescendo, o Brasil modificava os seus costumes, assim como os imigrantes modificam os seus. Hoje, identificamos muitas contribuições da imigração italiana na culinária, no idioma, na cultura e nas tradições brasileiras. 

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