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Criança autista: saiba o que fazer em sala de aula

De Fernanda, publicado dia 04/02/2019 Blog > Aulas particulares > Dar aulas particulares > Como ensinar para crianças com autismo?

Meu desejo real não era escrever, era ficar quieto. Sentar na soleira da porta e observar o que está por vir, sem me misturar ao barulho do mundo. Esse desejo é um desejo de autista. Entre a palavra autista e a palavra artista, há apenas uma letra de diferença, não mais – Christian Bobin

A escola e a educação são princípios fundamentais que nos permitem acessar conhecimento, valores e oportunidades de vida. A escolarização das crianças, sejam elas quem forem, é, portanto, primordial, e o papel do professor é central na formação e na integração dos alunos.

Conforme matéria da Revista Educação, em 2008, com a ratificação na ONU da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, o direito de qualquer estudante frequentar a escola regular independentemente de características, sem discriminação e em igualdade de oportunidades, passou a ser compreendido.

No mesmo ano, o MEC lançou a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, com diretrizes para políticas públicas e práticas pedagógicas voltadas à inclusão escolar de pessoas com deficiência ou autismo.

Mais recentemente, em 2016, entrou em vigor a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), com inovações como multa e reclusão a gestores que neguem ou dificultem o acesso de estudantes com deficiência ou autismo a uma vaga, proibição de cobrança de valor adicional nas mensalidades e anuidades para esse público e oferta de profissional de apoio quando necessário.

Pelos cálculos da ONU, existem perto de 71 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mundo, cerca de dois milhões delas no Brasil. Uma criança a cada 68 nasce com o distúrbio no planeta.

Por todos esses motivos, é urgente saber como o professor deve reagir, se comportar, de modo a promover o direito à educação, à vida escolar e à escola pública para todos.

Aqui estão as nossas dicas para ensinar para um aluno com autismo!

Reconhecer um estudante autista

Em qual cidade podemos encontrar professores autistas? Em uma perspectiva geral, o ensino de aulas para estudantes autistas ou não autistas difere pouco.

Há uma tendência a conceber o autismo como uma pessoa isolada, impermeável ao mundo externo, à socialização, às interações sociais e mais inclinada à reclusão, tudo em um ambiente comum. Na realidade, o termo tem sua origem no grego “autos“, que significa “a si mesmo” e só “a si mesmo”.

Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais:

  • Inabilidade para interagir socialmente;
  • Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
  • Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental. (Dráuzio Varella)

Pelos cálculos da ONU, existem cerca de dois milhões de autistas no Brasil. E, como muitos outros casos de inclusão no país, muitas escolas ainda recusam os alunos com autismo, afirmando serem despreparadas para sua educação. “O argumento do despreparo tem sido usado como guarda-chuva de argumentos para justificar a recusa e até retirada de estudantes com autismo na escola regular. Muitos educadores entendem que esses alunos são ‘especiais’ e, para educá-los, é necessária uma preparação totalmente ‘especial’.” afirma Raquel Paganelli, mestre em educação inclusiva pela University College, de Londres, e integrante das equipes do Instituto Rodrigo Mendes e do portal Diversa.

O desconhecimento ainda reina. E aqui é fundamental não fazer generalidades, especialmente quando se é professor.

Claro que tudo vai depender do grau de comprometimento do aluno, mas, em geral, em uma aula, ter um aluno com autismo não é um drama, porque é mais ou menos como os outros estudantes. Basta lhe dar um pouco mais de atenção, seguir com ele seu projeto personalizado e avançar juntos em uma unidade de educação e uma comunicação verbal relacionada e saudável. O principal papel do professor, nesse caso, é de estar presente e de valorizar as diferenças como atributos.

Porque uma criança autista é tanto, e às vezes até mais inteligente que outros estudantes, por causa de seu lado sensorial altamente desenvolvido, e do ponto de vista cognitivo que cada criança tem. Independentemente de os distúrbios de linguagem ou não, dificuldades de aprendizagem ou não, dificuldades de comunicação ou não, é necessário que o professor vá além dos estereótipos, e saiba como tirar proveito e se beneficiar da comunicação não verbal que uma criança autista apresenta.

Como reconhecer um aluno com fracasso escolar?

Como lidar com um aluno com autismo?

Dar aula para autistas. É preciso fazer algum curso de especialização para dar aula a pessoas com autismo? Não necessariamente. Se você souber identificar e valorizar a particularidade de cada aluno, as aulas serão mais simples e eficazes. É exatamente o mesmo para estudantes não autistas!

Se, por um lado, uma criança ou um aluno com autismo deva ser considerado como todos os outros, por outro, é também necessário ter o mínimo de conhecimento. E isso exige um pouco mais de esforço e pesquisa da parte do professor. Além disso, é preciso haver um ambiente escolar colaborativo. O professor precisa ter contato com outros docentes para trocas de experiências, conhecimento de boas práticas com bons resultados concretos.

Combinar habilidades é muitas vezes interessante quando se trata de ensinar para um aluno com autismo. Algumas crianças sofrem de atraso de linguagem, deficiência intelectual, hiperatividade ou isolamento, e o professor sozinho não é necessariamente capaz de lidar com todas essas situações. Ele deve saber como ser aconselhado e ajudar a reagir melhor a algumas crianças invasoras ou particulares.

Há também a necessidade de aumentar a conscientização com os outros alunos, se a criança com autismo faz parte de uma turma regular. De fato, isolamento e sentimentos de deficiência podem às vezes ser causados ​​por zombaria, aparência ou fala maliciosa de outras crianças. Porque, não se esqueça, as crianças em geral podem ser cruéis entre elas. Portanto, é necessário que o professor saiba como lidar com esse tipo de comportamento.

Além de ser vigilante e sensível com os demais, o professor deve saber quando dar atenção ao estudante em si mesmo, bem como em seus esforços, seu progresso, sua manobra para entender as coisas e assimilar. Um trabalho de substância, no qual o professor deve pensar em tudo, estar em todas as frentes, e participar no bom desenvolvimento cognitivo da criança autista ao mesmo tempo.

Ser professor é um trabalho de tempo integral, e quando se fala em ensinar um aluno autista isso também é válido. Ele precisa ter muita retrospectiva e paciência para poder se concentrar naquele aluno sem ignorar sua normalidade potencial. A primeira qualidade é, portanto, a didática, que se manifesta com escuta, consciência e diálogo constantes.

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Pense no futuro ao dar aulas a uma pessoa autista

Como dar aula para autistas. O desafio do professor é saber como equilibrar um ensino igualitário e que valorize as diferenças. Trata-se de inclusão!

O futuro é um conceito vago para o estudante autista, mas muito importante, sobretudo para as pessoas ao seu redor, que fazem parte da sua vida cotidiana. De fato, como todos sabemos, a escola e a vida escolar em si mesmas são elementos fundamentais de uma vida, que define muito de quem somos e o que nos tornaremos. Ela nos treina para a vida social, profissional, pessoal, nos dando conceitos de amizade, hierarquia e respeito.

Todas essas noções também são adquiridas por uma criança autista, de maneira diferente, mas não minimizadas. O professor deve pensar sobre isso e, portanto, tratar o aluno como os outros.

O futuro de um estudante, seja ele quem for, depende muito da educação que ele recebe na escola. Assim, o conhecimento deve ser distribuído da mesma maneira para todos.

Naturalmente, não negligenciamos o status especial do aluno autista, mas a ideia está aí para perceber que ele é um aluno antes de ser uma criança autista.

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Combater os clichês do autismo como professor

O autismo não é contagioso, não é fatal e é simplesmente um transtorno de comportamento, de aprendizado, que não deve ser alvo de marginalização ou exclusão. Este é também o papel do professor, que aos olhos dos outros, deve mostrar seu aluno autista como um estudante normal ou quase.

Na verdade, não há nada pior do que segregar um aluno que já é isolado devido a suas condições. A figura do professor é, portanto, a de apoio, mas também de levantar a bandeira da causa autista, que ele pode concretizar basicamente com sua presença ao lado de seu aluno.

Na idade adulta ou na idade da criança, nada justifica a marginalização de um indivíduo, especialmente na escola. O desenvolvimento da criança também passa pela visão que lhe é devolvida, e em particular seu professor, que deve ser irrepreensível nesse nível.

O professor tem este lugar de apoio, mas também porta-bandeiras contra clichês e equívocos. Um verdadeiro desafio diário, claro, mas uma felicidade de todos os momentos para dar lições a uma criança promissora, cujo sucesso só depende em parte de nós!

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