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Os instrumentos de corda africanos

De Marcia, publicado dia 06/10/2018 Blog > Música > Violino > É possível tocar violino na África?

Já dizia um provérbio africano: “Um homem sem cultura é uma zebra sem listras”. Tal frase traz consigo uma pitada de humor mas, se pararmos para pensar, veremos que há muito significado envolvido: e ele refere-se à cultura de modo geral, inclusive a música.

A África é um continente famoso pela forte presença da percussão. O violino também aparece, mas representa uma minoria entre os ritmos locais. Os cerca de 3% da população que tocam o instrumento estão concentrados basicamente na porção Norte do continente.

Tocar violino na África Embora a percussão seja forte na cultura africana, o violino também ganhou seu espaço.

Mas afinal, qual a real importância do violino na Áfrrica? Será que ele desempenhou algum papel na música erudita local? Se quer descobrir mais sobre a relação desse instrumento com o continente africano, continue lendo. Preparamos um post especial sobre o assunto.

Instrumentos de corda na África

Se por um lado o violino não pode ser considerado um instrumento nativo da África, podemos dizer que, por volta do século V, algumas peças semelhantes foram encontradas por lá. Trata-se de instrumentos de corda em geral, cujos usos são diversos.

Atualmente, inclusive, encontramos ainda alguns desses derivados em determinados países:

  • Na África Ocidental, há o violino Peul, ou riti , com apenas uma corda. Ele cria um som estridente com o arco;
  • Também na África Ocidental, o ngoni está a meio caminho entre o violão e o violino;
  • Na África Central, o ennanga apresenta o formato de uma harpa, com uma caixa de som oval;
  • No norte da África, o guembri, também conhecido como sintir é difundido, particularmente entre os povos Tuareg e Berber;
  • Na África Oriental, especialmente no Quênia, o orutu é um instrumento muito semelhante ao violino. Na realidade, é uma espécie de violino antigo;
  • Na África Central, há o ngombi, uma mistura de harpa e violino;
  • Em Madagascar, o kabosy é uma forma de violão rústico, que acompanha canções populares.

Além desses, há ainda o kundi, o krar, e muitos outros. Alguns são utilizados para tocar canções folclóricas, ganhando grande importância na cultura local. Em geral, existem cerca de 400 referências para instrumentos de corda na África: seria impossível citar todos por aqui.

Mas afinal, será que existem costumes tipicamente africanos que podem ser associados ao violino e seus derivados?

Qual a relação entre instrumentos de corda e os costumes africanos?

Como dissemos no início do post, o concerto de violino não é uma cultura muito difundida no continente africano. Além disso, a cultura da música clássica não é muito forte nos países da região: ela cede espaço para a dança local, normalmente mais energética.

O rei do Norte da África

Desde o século XIX, o violino é um elemento notável na cultura africana, tornando-se inclusive um dos principais agentes da música tocada no Norte do continente. Uma diferença que podemos pontuar é que ele não era tocado sob o queixo ou repousando no ombro, mas sim, apoiado no pé, estendido ao chão.

Dessa forma, o violinista podia permanecer sentado enquanto tocava. Entretanto, durante os séculos XX e XXI, esses hábitos começaram a mudar, migrando para as posições convencionais que conhecemos, especialmente a ocidental (sob o queixo). Podemos dizer hoje que o Magrebe é a porção da África onde o violino é mais difundido.

Um instrumento de origens ocidentais

Na África Ocidental, muitos instrumentos similares ao violino surgiram, mas o instrumento original, em si não é tão popular assim. Alguns países francófonos, como o Senegal, estão começando a introduzir aulas de violino nas escolas ou em institutos de música.

Escolas africanas de violino Em alguns países, já se busca abrir espaço para desenvolver talentos também no violino.

No entanto, em termos de costumes, há também muitos tambores africanos e alguns instrumentos de cordas.

O restante da África: o violino e suas aparições discretas

Na África, de modo geral, a maioria dos músicos são percussionistas. Normalmente, eles experimentam a música tradicional no djembê ou tambores feitos à mão.

Na África Negra, com exceção da África do Sul, existem poucas (se é que existem) instituições para aprender a tocar violino. Por questões puramente culturais, costuma-se dizer que a música africana não rima com a orquestra sinfônica, mas sim com instrumentos tradicionais!

Além da África e outros continentes, podemos dizer ainda que violino ganhou parte da América.

Onde aprender violino na África?

A cultura musical africana é tradicional e familiar: para a maioria dos nativos, o aprendizado é feito diretamente dentro das aldeias, com os líderes, que muitas vezes são músicos experientes. Poucas instituições são acessíveis e o ensino de violino não é democratizado de forma alguma. Mais uma vez, é especialmente no norte da África que a prática do violino (e outros instrumentos) como profissão é reconhecida e incentivada.

No entanto, existem alguns estabelecimentos distribuídos pelos países locais, que oferecem a oportunidade de aprender a tocar o instrumento:

  • Na Argélia, há o Conservatório Nacional Superior e o INSM (Instituto Nacional Superior de Música);
  • No Marrocos, há o Conservatório Nacional de Música e Dança (Rabat, Agadir ou Tetouan);
  • No Quênia, especificamente em Kisumu, o MUSEA (Escola de Música da África Oriental) oferece cursos para tocar o instrumento;
  • Na Tunísia, temos o Centro Nacional de Música e Artes Populares;
  • No Egito, há o famoso Conservatório do Cairo.

Além disso, existem ainda as escolas particulares ou escolas de música, nas quais é possível matricular-se para aprender o violino em sua forma raiz. Nesse caso, podemos citar:

  • No Senegal, há a Escola de Música de Dakar;
  • Na Etiópia, a primeira escola de música, fundada em 1960, ainda funciona: estamos falando da Yared School of Music;
  • No Congo, em Brazzaville, o Music Fund visa democratizar a aprendizagem da música;
  • Na África do Sul, o Conservatório de Música Clássica e Música Contemporânea é um bom local para quem deseja aprender a toca violino.

Nesses estabelecimentos específicos, você pode aprender teoria musical, desenvolver técnicas para segurar seu instrumento musical com a mão esquerda ou direita e trabalhar tanto no violino clássico quanto nas variações locais.

Aprender a tocar violino A cultura africana abre espaço para vários elementos, inclusive o violino.

Na cultura africana, cada grupo étnico tem seus próprios instrumentos com seus sons particulares. Escolas também  ensinam a distinguir as famílias de instrumentos, a técnica de um violino antigo e as notas que podem ser emitidas por um violino convencional. Dependendo do local escolhido, uma especialidade pode ser oferecida durante o ensino, para manter uma dimensão cultural e direcionada de aprendizagem.

De modo geral, o continente africano é bastante pobre em instituições de música mais famosas, no que diz respeito às aulas de violino. Além disso, a representatividade africana em uma competição internacional como o Menuhin é bastante fraca (menos de 10% nos melhores casos).

Entretanto, é importante lembrar que isso não impede que algumas celebridades originárias de lá (ou mesmo estrangeiras) tenham sua reputação internacional como violinista.

Quem são os mais famosos violinistas africanos?

Especialmente se você faz parte de uma família que preza a cultura musical, é provável que tenha crescido ouvindo falar em Vivaldi, Beethoven e Mozart. Entretanto, há africanos que também dominam a arte do violino com perfeição. E eles levam a vida, tocando em concertos e oferecendo lições para jovens que querem desenvolver seu talento musical. Podem estar presentes, inclusive, naquela criança prodígio, que a sociedade muitas vezes invisibiliza. Dentre os principais violinistas africanos, podemos citar:

  • Joseph Antonio Emidy – Figura antiga do violino africano, nasceu em uma diáspora, no ano de 1775. Foi escravo (no Brasil) antes de subir ao palco no Reino Unido. Suas composições serão reproduzidas e transcritas nos arquivos da UNESCO, sob o título agora famoso de “The Emidy Project”;
  • Adama Dembélé – Não, não estamos falando de um jogador de futebol, mas de um violinista virtuoso nascido em Burkina Faso. Ele é descendente de uma família de griots, ou seja, “comunicadores tradicionais”, uma casta muito presente na sociedade africana. Suas especialidades incluem o sokou (ou violino sokou), um instrumento tradicional local de cordas;
  • Monia Rizkallah – Agora famoso em todo o mundo, este músico de origem marroquina rapidamente alimentou uma verdadeira paixão pelo violino. Ele toca hoje em muitas orquestras sinfônicas, em diversos países. Embora raramente volte ao Marrocos, já se apresentou lá;
  • Jasser Haj Youssef – Reconhecido como o único violinista a tocar jazz na viola d’amore, ele também é um dos maiores músicos do seu tempo. Originário da Tunísia, ingressou no Conservatório aos 8 anos e conhece as sutilezas de um violino sinfônico. Atualmente, trabalha como compositor e intérprete;
  • Issa Mbaye Diarry Sow – Conhecido em todos os países da Europa (mas praticamente anônimo em seu país de origem, o Senegal), construiu uma carreira promissora, tirando partido da sua cultura senegalesa;
  • Abdo Dagher – Artista egípcio, considerado por alguns como uma lenda viva. Nascido em 1936, já tocou em muitas orquestras árabes, incluindo Umm Kalthumm;
  • Kyla-Rose Smith – Originário da África do Sul, esta jovem violinista, nascida em 1982, estudou música clássica e é hoje um dos maiores nomes do violino na África. Ela fez parte da sessão de Glamour para a divisão sul-africana, onde tocou seu violino ao lado de Shakira, em 2014 para a Copa do Mundo.

Tocando violino pelo mundo Artistas famosos e não famosos já tocam violino pela África.

Já que há poucos violinistas famosos na África, que tal estudar para ser o próximo? Se você tem paixão pela cultura do continente, vale a pena embarcar para lá para descobrir mais sobre a relação entre o violino e a história local. E não se esqueça, o violino está presente no mundo todo: não só na África, podemos encontrá-lo até na Ásia.

 

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