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Como funciona o Ensino do Português como Língua Estrangeira

De Fernanda, publicado dia 10/07/2018 Blog > Idiomas > Português para estrangeiros > Quais são as especificidades do PLE?

Segundo o site da Catho, no Brasil, apenas 5% da população fala uma segunda língua e menos de 3% têm fluência em inglês. E o que acontece na comunicação com os estrangeiros que vêm se estabelecer no Brasil?

O ensino de português a estrangeiros, seja na universidade ou numa escola de idiomas, é totalmente diferente do ensino de língua portuguesa para alunos brasileiros da Educação Básica. É por isso que os professores precisam conhecer a didática das línguas e, mais especificamente, a didática do PLE.

O Superprof responde às perguntas sobre as especificidades do ensino de PLE no Brasil!

Como funciona um curso PLE?

Como dar um curso de português como idioma estrangeiro? Incentivar os alunos a se ajudarem entre si é uma boa maneira de progredir.

Antes de se apresentar na frente de toda a turma, o professor de português língua estrangeira deve preparar suas aulas. O professor deve levar em conta o nível (nível iniciante, intermediário ou avançado etc.) e a idade, a origem e os objetivos de sua turma.

Dessa maneira, ele será capaz de avaliar melhor o programa a ser elaborado, o conteúdo e a duração dos estudos. Ele também precisa determinar a duração do aula, os materiais de apoio (retroprojetor, quadro negro, jogos …) e as condições humanas (o número de alunos).

Na primeira hora da sua aula de PLE, você pode aplicar uma dessas duas metodologias:

  • Ou você opta por uma abordagem superficial do português, com a apresentação do alfabeto e uma introdução à cultura brasileira,
  • Ou você entra diretamente no assunto, com uma abordagem comunicativa. Os alunos aprendem diretamente a se apresentar, a adquirir conhecimentos linguísticos e, portanto, a falar português desde a primeira aula.

Com a abordagem comunicativa, os alunos podem interagir diretamente com o professor, mas também uns com os outros para se ajudarem entre si e, assim, criar uma coesão de grupo, importante para o futuro.

A compreensão escrita, a compreensão oral, a expressão escrita e a expressão oral podem ser abordadas a partir da primeira aula simplesmente com a atitude de se apresentar. A professora diz “meu nome é Maria”, “tenho 35 anos”. Ela escreve em dois pedaços de papel as duas frases e o objetivo é fazer os alunos entenderem como associar os dois. Os alunos então copiam as frases e as repetem mudando a idade e o primeiro nome.

Isto permite trabalhar diretamente dois importantes verbos da língua portuguesa: ter e ser. Os alunos também vão estudar regras fonéticas para aprender a pronunciar. Então depois passamos ao aprendizado dos números.

Você está achando complicado?

Mas não se aprende uma língua da noite para o dia. O importante é retornar regularmente ao que foi aprendido fazendo revisões e reforçar os registros na memória a longo prazo.

Alguns professores usam jogos para tornar a aula mais divertida. Forca, cartões de memória … O único limite é a imaginação do professor!

O professor também deve estar atendo às competências linguísticas sugeridas pela Base Nacional Comum:

  1. Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem.
  2. Apropriar-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes campos de atuação da vida social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades de participar da cultura letrada, de construir conhecimentos (inclusive escolares) e de se envolver com maior autonomia e protagonismo na vida social.
  3. Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar aprendendo.
  4. Compreender o fenômeno da variação linguística, demonstrando atitude respeitosa diante de variedades linguísticas e rejeitando preconceitos linguísticos.
  5. Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de linguagem adequados à situação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso/gênero textual.
  6. Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em interações sociais e nos meios de comunicação, posicionando-se ética e criticamente em relação a conteúdos discriminatórios que ferem direitos humanos e ambientais.
  7. Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias.
  8. Selecionar textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e projetos pessoais (estudo, formação pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho etc.).
  9. Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experiência com a literatura.
  10. Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.

Como progredir nos estudos de PLE?

Aula particular de musica com um professor a domicilio Você deve estar atento às diferenças sociais e culturais dos seus alunos.

Os níveis dentro da mesma turma e entre as diferentes turmas de PLE são às vezes muito variáveis.

É por isso que muitos professores avaliam o nível de alunos usando um teste de conhecimento no início da primeira aula. Há várias razões para isso:

  • O professor não conhece seus alunos,
  • A turma é heterogênea,
  • Para saber quais são as habilidades reais dos alunos.

É graças a essa avaliação que o professor vai poder elaborar seu programa para que os alunos possam progredir ao longo do ano.

Para muitos estudantes, progredir na aprendizagem do português é um processo longo e difícil. O progresso é realmente lento e às vezes é desanimador ver que não estamos progredindo como gostaríamos, ou pior, que estamos regredindo. O professor está lá para apoiar cada aluno porque a progressão é personalizada e independente da turma:

  • As taxas de assimilação podem ser muito variáveis ​​de um indivíduo para outro,
  • As assimilações são heterogêneas,
  • O princípio da progressão coletiva não é efetivo (especialmente para o trabalho fonético).

Cada aluno é, portanto, acompanhado individualmente e individualmente.

A progressão não é linear e passa por fases de regressão bastante normais. Assim, tendemos a progredir muito no início, depois estagnar ou mesmo regredir e a fase de progressão recomeça, mas mais lentamente.

Além disso, a progressão de cada aluno está fortemente ligada ao aspecto psicológico:

  • O aspecto sociocultural: é o mais profundo. É a atitude ou o comportamento do aprendiz de acordo com seus ritos, crenças, costumes e cultura de origem (interculturalidade com a do Brasil). Um exemplo: a diferença social varia muito de uma cultura para outra,
  • O aspecto pessoal: em relação ao passado, à experiência, ao conhecimento dos alunos. Também se refere à motivação e às expectativas, construindo assim o perfil psicológico do aluno,
  • O aspecto situacional: o contexto da turma e das aulas pode influenciar o ensino de idiomas como o português.

Os erros dos alunos são parte integrante do processo de aprendizagem. Vamos citar a expressão de André Lamy: “o erro como trampolim para uma expressão correta”. Ela esquematiza perfeitamente a ideia de que o importante no erro é corrigi-lo e aproveitá-lo ao máximo. A abordagem metodológica do professor deve levar isso em conta.

Qual a diferença entre o PLE e o PLM?

As aulas de português para falantes nativos não são em nada parecidas com as aulas de português dado a estudantes imigrantes, estudantes estrangeiros ou refugiados não lusófonos.

Veja como são os diferentes campos de atuação propostos para contextualizar as práticas de linguagem no Ensino Fundamental e no Ensino Médio em Língua Portuguesa :

Onde aprender PLE? Os diferentes campos apresentados pela Base Nacional Comum.

O PLE está mais relacionado ao aprendizado de idiomas modernos. Quando você começa a estudar o inglês, por exemplo, normalmente não sabe muito. O contexto é simplesmente diferente: o aluno não é “forçado” a aprender a língua para lidar porque vive em seu país de origem, ao contrário dos aprendizes em PLE, que frequentemente estão em situação particular. Aprender o português é uma forma de integração no país de acolhimento.

Assim, não se trata de estudar obras literárias clássicas, mas sim de aprender frases úteis em português na vida cotidiana para poder se comunicar e se integrar rapidamente.

Gramática e ortografia são, é claro, abordadas, mas de uma maneira diferente, e menos completa se comparada ao ensino para estudantes do ensino fundamental e do ensino médio brasileiros.

O objetivo é que, pouco a pouco, o aluno possa simplesmente se comunicar com um interlocutor.

A noção da abordagem da ação, portanto, entra em jogo. Em outras palavras: o uso da linguagem não é dissociado das ações do aprendiz, que é ao mesmo tempo locutor e ator social.

“Comunicar é usar um código linguístico (competência linguística) relacionado a uma ação (competência pragmática) em um determinado contexto sociocultural e linguístico (competência sociolinguística)”.

Em síntese:

  • Um curso de PLE é dado principalmente em português e prioriza a abordagem comunicativa na maioria dos casos.
  • A progressão no PLE é lenta e às vezes difícil. Depende de critérios culturais e contextuais, mas também da curva de progressão, o que significa que cada aluno experimentará fases de regressão. O professor deve encorajar o aluno e corrigir seus erros de maneira inteligente.
  • Ensinar a língua portuguesa a alunos de diferentes idiomas e culturas é bem diferente de ensinar para brasileiros no ensino fundamental e no ensino médio. Trata-se de ensinar uma língua para que o aluno se integre rapidamente no país. Esta não é uma aula de alfabetização, os alunos já falam uma língua; e tampouco é um curso de inglês universitário.

Por fim: descubra como trabalhar no Brasil!

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