Como nossos primeiros-ministros gostam de dizer, o Reino Unido tem, há muito tempo, um relacionamento especial com os Estados Unidos - talvez porque os primeiros colonos naquela terra que se tornaria os Estados Unidos eram cidadãos britânicos!

Apesar da reivindicação das terras dos povos indígenas e das origens dos colonos, a Revolução Americana é uma fatia fascinante da história política e econômica que deu origem ao poder mundial; aquele que ainda hoje é um líder em assuntos globais.

Tribo indígena
Povos indígenas reivindicavam suas terras à época da revolução.

Agora vamos voltar no tempo, para um território desconhecido que só poderia ser alcançado por navio, para descobrir as razões pelas quais aqueles colonos isolados rejeitaram o governo real e se colocaram como cidadãos de uma nação independente, ainda a ser estabelecida.

Prelúdio da Revolução Americana

Assim como em todo evento histórico, a revolta das colônias contra a Coroa não aconteceu do nada - houve motivos jurídicos e econômicos distintos para o levante. E mais de 100 anos foram necessários para isso.

Em comparação, a Revolução Russa explodiu rapidamente, mas durou muito mais tempo!

Embora a Lei de Navegação, redigida pelo "Parlamento manco", de Oliver Cromwell em 1651, fosse destinada a regular o comércio nas Colônias, os registros mostram que os colonos não foram severamente afetados por ela.

No entanto, semeou o descontentamento e a raiva em relação à Coroa; sentimentos que foram passados ​​de pai para filho, ao longo dos anos. A ideia de que a Inglaterra e a monarquia deviam se beneficiar mais do comércio e do trabalho das colônias do que os próprios colonos era a raiz de sua ira.

O rei Carlos II, na década de 1680, revogou seu foral colonial. E então, o rei Jaime II estabeleceu domínio sobre a Nova Inglaterra - como essa região ainda é conhecida hoje. Politicamente, isso significava que não apenas os colonos perderam o direito a um governo autônomo, mas ficaram sujeitos às leis da Inglaterra mais uma vez, incluindo a Lei de Navegação.

Jaime II abdicou / caiu em 1688. Os colonos celebraram a mudança de governo de seu país com uma revolta que expulsou o domínio; as colônias voltaram a se governar. Os governos ingleses subsequentes não tentaram impor liderança aos colonos.

A Lei do Melaço (1733) foi particularmente incendiária porque as colônias lucraram muito com essa substância. Em vez de pagar as pesadas taxas que a lei lhes impunha, os colonos recorriam a subornar ou intimidar os funcionários da alfândega britânica que trabalhavam em portos americanos para enviar seus produtos a outras nações.

Na década de 1760, eles estavam prontos para lutar pela independência total da Inglaterra. Essa provavelmente você já viu em suas atividades de história 4 ano.

Curso de história: a luta pela independência americana

Em seguida, uma enxurrada de leis tributárias foi aprovada no parlamento inglês:

  • A Lei da Moeda destinava-se a restringir o uso de papel-moeda (1764);
  • A Lei do Açúcar impôs direitos sobre uma série de itens, incluindo açúcar (1764);
  • A Lei do Selo, segundo a qual qualquer coisa feita de papel, era obrigada a ter um selo (revogada em 1766).
Imagem de selos
Os selos em produtos se tornaram obrigatórios por lei.

Os colonos não se importavam com esses impostos tanto quanto se ressentiam de serem tributados à revelia.

Sem ninguém no Parlamento para representá-los, esses decretos eram vistos como unilaterais e imponentes, especialmente porque as colônias não recebiam apoio da Inglaterra e, de fato, eram obrigadas a travar guerras - por elas em solo estrangeiro e contra elas em seu território.

De todos os insultos, essa taxação sem representação foi a gota d'água. Os Filhos da Liberdade, um grupo rebelde, partiu para a ofensiva. Eles se manifestaram - nem sempre pacificamente, incendiaram registros públicos e saquearam a casa do presidente do tribunal Thomas Hutchinson.

É importante notar que, ainda nesta época, os colonialistas se consideravam ingleses, com todos os direitos e privilégios que lhes eram devidos pela lei inglesa. Você pode imaginar como aqueles, com uma atitude tão leal, se sentiram quando o Parlamento expressou a ideia de que as colônias pertencem à Coroa e, portanto, estavam completamente subordinadas ao governo.

Além disso, o Parlamento afirmou que eles estavam virtualmente representados, assim como todos os outros súditos da Coroa. Mas não pense que a Grã-Bretanha estava cedendo: o Ato Declaratório (1766) dissipou essa ilusão - eles estavam mantendo para si direitos plenos de fazer leis e disposições com relação às colônias.

No entanto, essa pequena concessão foi um motivo de celebração, tanto para legalistas quanto para anarquistas.

Períodos da história: O que foi a Revolução Americana

Pouco depois do Ato Declaratório, o Parlamento britânico aprovou a Lei do Townshend (1767), segundo a qual tudo passaria a ser tributado, até mesmo o chá.

Os americanos protestaram contra esses novos impostos porque eles não se destinavam a regular o comércio das colônias com outras nações, mas sim a gerar receita para a Inglaterra.

O cerne da questão era realmente sobre o chá.

A British East India Tea Company era a maior empresa do Império, mas corria o risco de falir porque o chá contrabandeado da Holanda para a América era muito mais barato, prejudicando seus lucros. Oficiais da alfândega britânica em Boston tinham como objetivo determinar que o contrabando de chá e outros produtos se tornasse muito mais difícil.

Xícara de chá
A venda de chá foi objeto de batalha à época da revolução.

Depois disso, ficou muito mais fácil fazer cumprir a Lei de Indenização, que anulou os impostos do chá e vendeu chá britânico a preço de custo - mais barato do que o chá holandês contrabandeado. Isso foi visto pelos colonos como uma coerção mesquinha para forçar a aceitação de tarifas mais rígidas sobre outros bens e eles não gostaram nada disso!

Agora a pressão, de ambos os lados, estava realmente forte...  assim como, séculos depois, a Europa sentiu a pressão da Alemanha nazista! Já ouviu sobre isso em sua aula de história?

Um barco pertencente a John Hancock (o signatário inicial da Declaração de Independência) foi apreendido no porto de Boston sob suspeita de estar carregado com chá ilegal da Holanda. Um motim em grande escala estourou. Os funcionários da alfândega britânica, temendo por suas vidas, fugiram do local. Para restaurar a ordem, o governo britânico enviou tropas a Boston.

Boston, Massachusetts 05 de março de 1770

Um grande grupo de colonialistas se aglomera ao redor dos soldados britânicos que patrulham o porto. Eles estão com raiva, jogando bolas de neve e pedaços de madeira e vidro. Um soldado britânico é atingido e, embora nenhuma ordem tenha sido dada, todos eles abrem fogo.

Onze civis foram baleados; cinco deles morreram.

Este evento ficou conhecido como Massacre de Boston. Os soldados foram julgados por suas ações e absolvidos em um tribunal britânico. Como resultado, qualquer chance de relações cordiais entre Massachusetts e Londres evaporou.

Embora patriotas radicais como Samuel Adams continuassem a incitar a ira contra a Grã-Bretanha, ele também implementou e coordenou os Comitês de Correspondência em todas as 13 colônias - uma forma legítima e respeitável de estabelecer um governo para se rebelar contra o domínio britânico.

Isso é completamente burocrático em comparação com o patriota rebelde John Brown, que ateou fogo a um navio de guerra britânico! Outro burocrata, Benjamin Franklin, interceptou cartas que foram interpretadas como prova da intenção da Inglaterra de suprimir sistematicamente os direitos americanos.

Ao ser confrontado com esse ato aparentemente traiçoeiro dos britânicos, Franklin admitiu ter pego as cartas. Ele foi então demitido de seu cargo. Durante este tempo, vários atos de traição foram cometidos.

Enquanto isso, a questão do chá estava chegando ao auge.

Comerciantes de Boston foram designados para vender exclusivamente o chá britânico, mas logo foram forçados a fechar a loja sob pressão de outros vendedores de chá e do próprio governador de Massachusetts.

Além disso, o governador declarou que qualquer navio de chá britânico que chegasse seria rejeitado... mas não antes do rebelde malandro Sam Adams e seus comparsas, vestidos com trajes de índios americanos, descarregarem um lote inteiro de chá no porto.

Este evento ficou conhecido como Boston Tea Party (Festa do chá de Boston); um dos eventos históricos mais significativos do mundo. Experimente perguntar ao seu professor de história.

Aula de história: Reflexões sobre a Revolução Americana

À medida que o controle britânico sobre as colônias diminuía, outros atos coercitivos se seguiam:

  • A Lei do Governo de Massachusetts restringiu as reuniões municipais e mudou seu estatuto;
  • A Lei de Administração da Justiça exigia que soldados britânicos acusados ​​de irregularidades fossem julgados na Grã-Bretanha, em vez de nas colônias;
  • O Boston Port Act fechou o porto até que a Inglaterra fosse totalmente compensada pelo chá jogado na água;
  • O Quartering Act de 1774 exigia que os soldados britânicos fossem alojados em residências de cidadãos americanos (sem pagamento de indenização aos cidadãos).

Diz-se que quanto mais forte alguém se apega a algo, mais rápido vai perdê-lo.

Isso certamente se provou verdadeiro no caso da Revolução Americana: quanto mais restritivas as leis da Inglaterra, mais relutantes e rebeldes os americanos se tornaram - assim como os militantes austríacos se tornaram após a anexação de seu país antes da Segunda Guerra Mundial.

Tendo as coisas chegado ao auge em 1775, os colonos se tornaram militantes.

Quando a guarnição britânica recebeu ordens para desarmar todos os rebeldes, eles revidaram, obtendo uma vitória decisiva na Batalha de Lexington e Concord.

Monumento em Lexington
Lexington foi um dos locais históricos da Revolução Americana.

O primeiro tiro disparado naquela batalha, a salva de abertura da guerra revolucionária americana que lançou uma nova nação, veio a ser conhecido como o tiro ouvido em todo o mundo.

O mesmo aconteceu com o tiro que deu início à Primeira Guerra Mundial!

A propósito, o termo "special relationship = relacionamento especial" foi cunhado por Winston Churchill, em um discurso em 1946, aludindo a sua mãe nascida nos Estados Unidos - não necessariamente a quaisquer laços econômicos ou políticos.

Algumas pessoas se apaixonam tanto pelos estudos desses períodos que acabam decidindo fazer uma faculdade de história.

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Marcia

Jornalista. Professora. Tradutora. Bailarina. Mãe. Mulher. Dedicada às minhas lutas diárias. Em constante transformação. Quando não há mais nada a dizer, escrevo!!!