Ao que tudo indica, a República de Weimar, como a Alemanha era conhecida de 1918 até a chegada do regime nazista ao poder, não era um país de vida pacífica onde grandes fortunas pudessem ser acumuladas.

Após a cessação da luta pela Primeira Guerra Mundial, em novembro de 1918, o povo alemão se levantou para derrubar a monarquia em favor de uma república parlamentar.

Uma vez que ela foi estabelecida, a vida não ficou mais fácil para os cidadãos alemães (ou de Weimar): a falta de trabalho, comida e bens, juntamente com a hiperinflação, levou a uma acentuada indignação popular. Acrescente a isso o fato de que o país não tinha liderança política real .

Além disso, o descontentamento com os termos do Tratado de Versalhes alimentou o desejo pelo regime militar em 1918 e levou a um forte sentimento de direita: o cenário perfeito para uma entidade política fervorosa, ambiciosa e relativamente desconhecida - Adolf Hitler, de quem você já deve ter ouvido falar em suas aulas de história.

Sim, o palco estava montado, mas precisava de iluminação. A Grande Depressão trouxe à tona a situação desesperadora dos pobres - famintos e com frio, a aparente prosperidade dos estrangeiros às custas dos verdadeiros alemães e a falta geral de direção política e empregos em todo o país.

Quer entender melhor a ascensão do Terceiro Reich, como ele deixou de servir ao povo para servir a uma ideologia, seus horrores e sua queda? Acompanhe nosso artigo, um mini-curso de história.

Aula de história: semeando o Terceiro Reich

"Hitler percebeu que as condições eram adequadas para um golpe, mas intuiu corretamente que deveria ser feito com uma luva de veludo em vez de um martelo de ferro."

Essa estratégia foi bem diferente de sua tentativa fracassada em 1923, que o levou à prisão. Embora ninguém jamais pudesse afirmar que aquele líder autocrático dirigia-se ao povo em tons gentis, ele era um especialista em apaziguamento, implementando programas sociais e econômicos extremamente necessários que trouxeram um tempo de produtividade e relativa harmonia social ao país.

Em um movimento que o presidente americano Roosevelt parecia imitar em seu New Deal, a estabilização econômica alemã foi implementada em três fases:

  • Obras públicas: pessoas foram colocadas para trabalhar na reconstrução do país - hospitais, escolas e estradas;

  • O rearmamento foi o maior impulsionador econômico da época;

O rearmamento era uma das estratégias para implantação do nazismo.
  • O Serviço Nacional de Trabalho, uma doutrinação de seis meses na ideologia de Hitler, exigia que todos os jovens do sexo masculino participassem dele, após o que seriam convocados para o serviço militar obrigatório.

Com esses três programas, Hitler habilmente tratou de todas as causas de indignação popular, trazendo o orgulho nacionalista e a raiva em relação aos termos do Tratado de Versalhes.

Seu objetivo era fazer da Alemanha uma autarquia - uma nação totalmente dependente de seus próprios recursos e materiais e sem comércio com outros países. Ele falhou nesse objetivo, mas, em outros, teve um grande sucesso!

Como líder indicado do Partido dos Trabalhadores Alemães, em 1923, ele tentou um golpe para tomar o poder na cidade de Munique, no sul. Em um evento conhecido como Beer Hall Putsch, cerca de 2.000 nazistas enfrentaram um cordão policial ao redor da prefeitura. A batalha que se seguiu deixou 16 nazistas mortos e o próprio Hitler ferido. Ele fugiu para o campo para evitar a captura, mas foi preso dois dias depois e acusado de traição.

É por isso que, apesar de todos os seus discursos inflamados e retórica apaixonada, o presidente von Hindenburg apenas o nomeou com relutância como chanceler da Alemanha - ele sentiu que alguém deveria ficar de olho em Hitler para evitar outro movimento traiçoeiro.

Essa cautela foi em vão visto que, pouco depois, foi sancionada a Lei de Habilitação, dando a Hitler o poder de promulgar leis sem o envolvimento do Reichstag - o corpo governante.

Entre aquela emenda à constituição de Weimar e o Decreto do Incêndio do Reichstag, que transferiu poderes do Estado para o governo do Reich - leia-se Hitler, ele ganhou o controle total e autônomo do país. Em 1933, a Alemanha havia se tornado uma ditadura.

Alguns eventos levaram Hitler à uma rápida ascensão ao poder.

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Para que serve a história? Entenda a vida na Alemanha nazista

Apesar de uma vaga inquietação, as pessoas a princípio estavam relativamente satisfeitas: depois de anos de incertezas, adversidades e conflitos, elas finalmente tiveram uma medida de segurança econômica: quase todo homem tinha um emprego e havia comida suficiente, se não abundante.

"É verdade que os cidadãos tiveram que negociar algumas liberdades civis por esse nível de segurança, mas esse parecia um preço pequeno a pagar pela perspectiva do pão de cada dia."

Os agricultores se beneficiaram especialmente com as políticas nazistas. Esse grupo demográfico era fervoroso em seu apoio à ideologia nazista e sua lealdade foi recompensada com um aumento substancial de ganhos e privilégios.

Aqueles que contribuíram para os esforços de rearmamento por meio de qualquer um dos três programas para trabalhadores poderiam ser recompensados ​​com privilégios especiais, como ingressos para o teatro, férias de baixo custo e educação adicional.

No entanto, os trabalhadores das indústrias não armamentistas não se saíram tão bem: seus salários diminuíram e a carga horária aumentou.

Havia proporcionalmente mais acidentes industriais neste setor e, se alguém reclamasse das condições de trabalho, poderia ser demitido e colocado na lista negra - eliminado dos registros de elegibilidade para emprego.

O nazismo afetou o curso da vida de homens e mulheres, que eram doutrinados segundo o regime.

A contratação de mulheres passou a ter um foco especial na propaganda nazista, não por causa de seu admirável desempenho na linha de produção, mas pelo que os líderes nazistas pensavam sobre seus esforços para apoiar o Reich.

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Conceito de história sobre mulheres na Alemanha nazista

O que se esperava das mulheres na Alemanha nazista era que suas vidas girassem em torno de filhos, cozinha e igreja. Desde o início do regime, as trabalhadoras foram persuadidas a desistir de seus empregos (cedendo-os para os homens), ficar em casa e ter tantos filhos quanto possível. Melhor ainda se fossem descendentes dos infames guardas de Schutzstaffel. Quanto mais melhor!

E nada de vaidade! Sem glamour, sem maquiagem, sem roupas de luxo... Também, a mulher alemã ideal não deveria permanecer magra: pensava-se que mulheres magras tinham mais complicações durante o parto - algo a ser evitado a todo custo.

Da mesma forma, nenhuma destreza intelectual era esperada das mulheres, a não ser a contribuição para a educação de seus filhos - e, portanto, apenas provia-se sua educação social, nos moldes partidários. Com a necessidade de mão de obra, passaram a ser requisitadas em chão de fábrica e enfermarias.

Esperava-se que todas as crianças frequentassem a escola assim que fossem elegíveis, tanto para sua formação acadêmica quanto com base em princípios ideológicos.

Como a Alemanha nazista se compara à luta dos colonos americanos pela independência?

Crescendo na Alemanha de Hitler

Filhos de verdadeiro sangue alemão eram tesouros nacionais e geralmente bem tratados: muita comida nutritiva e atividades organizadas. A doutrinação nas crenças fascistas começava cedo. Em comparação, crianças de outras etnias sofreram condições de vida precárias, rações escassas e segregação.

Crianças deficientes, fossem elas arianas ou de outra etnia, foram os primeiros alvos do programa de eugenia de Hitler - afinal, como alguém pode se gabar de uma raça superior quando alguns eram defeituosos? A "solução" era exterminá-las. Os adolescentes tiveram pouca escolha em seu alistamento em grupos da Juventude Hitlerista - suas famílias estavam ameaçadas.

No Museu do Holocausto, é possível encontrar parte do genocídio ocorrido durante o nazismo.

Em 1936, a adesão era obrigatória e, três anos depois, 90% de todas as crianças com 10 anos ou mais usavam uniforme. As tarefas e atividades eram diferentes entre meninos, que eram treinados para se tornarem soldados, e meninas, que eram ensinados apenas a ser donas de casa.

Até mesmo seu currículo escolar foi alterado para refletir as prioridades do Reich:

  • Os cursos de biologia refletiam a inferioridade de outras raças no apoio à eugenia;

  • As atividades de história incluíam um estudo aprofundado da ascensão do Führer ao poder;

  • Matemática e química foram rebaixadas em importância;

  • As aulas de educação física tornaram-se um evento diário;

  • Todos os professores tinham que ser membros do partido nazista.

Com toda a população alemã tremendo sob o regime autoritário, chegou a hora de purgar o país da diversidade racial e das religiões que não simpatizavam com a causa nazista.

Em uma disputa notável com líderes religiosos, o desejo de Hitler de banir o Antigo Testamento por causa de suas raízes judaicas culminou no envio de mais de 800 pastores de igrejas para campos de concentração.

A Noite dos Cristais e os campos de extermínio são os símbolos mais reconhecidos da Segunda Guerra Mundial.

Talvez você tenha aprendido sobre o tema em suas atividades de história 4 ano. Mas o fato é que nunca devemos nos esquecer da tentativa de genocídio de um povo, dos esforços de uma pessoa na destruição - de uma raça inteira, de ideais progressistas, do pensamento livre e da liberdade civil, que começaram na consciência, muito antes de essas atrocidades explodirem em público.

Tudo ocorreu não furtivamente ou por meio de subterfúgios, mas à vista de legisladores e cidadãos: esse pode muito bem ser o aspecto mais perturbador da Alemanha nazista.

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Marcia

Jornalista. Professora. Tradutora. Bailarina. Mãe. Mulher. Dedicada às minhas lutas diárias. Em constante transformação. Quando não há mais nada a dizer, escrevo!!!