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O desafio das aulas de suporte para estudantes asiáticos

De Rafaela, publicado dia 27/10/2017 Blog > Aulas particulares > Reforço escolar > Ásia: A onipresença do apoio escolar no sucesso das crianças

Atualmente, os países da Ásia são considerados os melhores em termos de educação. Os mesmos também ocupam as primeiras posições no ranking do PISA, deixando países da Europa e da América para trás.

O PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Programme for International Student Assessment, em inglês) é uma rede mundial de avaliação de desempenho escolar dos alunos, entre 15 e 16 anos em 70 países, incluindo o Brasil.

Mas como eles estão conseguindo se manter no topo ano após ano?

O principal motivo é que esses países entendem a importância da educação para a economia e investem pesado no sistema de ensino. Vale dizer que quando dizemos países asiáticos, estamos nos referindo ao Japão, China, Coréia do Sul e Singapura.

O resultado é decorrente de um trabalho que começou décadas atrás. A Coréia do Sul, por exemplo, nos anos 60 tinha renda próxima dos países da América do Sul e estava entre os 30 piores países da OCDE, em termos de qualificação educacional. Hoje, 97% dos sul-coreanos, entre 25 e 34 anos, completaram o ensino secundário.

O governo desses países destina uma boa porcentagem do seu PIB para a educação. Contudo, os pais também costumam fazer a sua parte dando apoio escolar e/ou investindo em cursos de reforço escolar ou professores particulares.

Em seguida, explicaremos como funciona o sistema educacional nos países asiáticos e como o apoio escolar é usado para o sucesso das crianças, comparando com o reforço escolar no mundo.

A relação da China com a cultura do saber

Na China, mais especialmente em Xangai, existe um exigente sistema de ensino para os alunos, desde o ensino infantil. Além disso, há uma forte pressão por parte da sociedade que faz com que os estudantes queiram passar mais tempo estudando.

Os alunos chineses, além de passar o dia na escola, estudam em casa três vezes a mais que a média mundial. Durante esse período, fazem deveres de casa e aulas extras com professores de reforço escolar. Fazendo um panorama dos cursos de reforço escolar no mundo, podemos dizer que o modelo asiático é bem mais intenso e mais rígido de que de outros países.

Com uma forte competição social, os estudantes se dedicam ao máximo para obterem os melhores resultados no PISA que só acontece a cada três anos. O programa avalia conhecimentos e habilidades dos estudantes em Ciências, Leitura e Matemática. Os dez lugares com os melhores resultados foram Singapura, Japão, Estônia, Taiwan, Finlândia, Macau, Canadá, Vietnã, Hong Kong e China.

“O fato de Xangai tem tirado os melhores resultados nos testes do Pisa é uma boa notícia,  mas por outro lado , os estudantes chineses estão gastando mais tempo estudando do que outras partes do mundo, e estão fazendo um grande sacrifício”, afirma Sun Shijin, professor na Universidade Fudan de Xangai 

Além do PISA, os chineses passam por uma avaliação no final do ensino médio, como o nosso Enem. Uma boa nota obtida no “Gao kao” pode garantir uma vaga na universidade, além de aumentar as chances de sucesso acadêmico e bons empregos.

Apenas à título de curiosidade, a cidade de Buenos Aires teve a melhor posição entre os latino-americanos (38º lugar em ciências). No entanto os cursos de apoio escolar na América Latina ainda tem muito a melhorar.

singapura-melhor-educacao “Singapura é um dos países com as melhores estatísticas em conclusão do período escolar na Ásia e também no mundo”

Singapura: país onde a educação e a tecnologia caminham juntas

Este país asiático lidera as primeiras posições do PISA, graças à um método de educação diferenciado. O governo investe na educação e determina que os professores façam atividades ou cursos de desenvolvimento profissional, com 100 horas por ano.

Os professores também possuem mais autonomia para trabalhar e estabelecer as melhores práticas. Segundo Adreas Schleicher, diretor de educação da OCDE e coordenador das provas do Pisa, “Algumas aulas são gravadas em vídeo, e semanalmente os professores se reúnem, assistem aos vídeos, conversam, analisam e vão, eles mesmos, estabelecendo a melhor prática.”

Além dos bons professores, o país faz uso da tecnologia como apoio escolar. As instituições de ensino, estão equipadas com internet de alta velocidade e livros em plataformas digitais. O objetivo é tornar os materiais didáticos e a informação mais acessíveis, especialmente para os estudantes com menos condições financeiras.

A educação das crianças não para por aí. Muitos pais colocam seus filhos para fazerem aulas adicionais com professores particulares. Como os alunos passam boa parte do dia na escola, as aulas de reforço escolar acontecem no período da noite.

Dominar a matemática no primário é item primordial na educação em Singapura. Por isso, acaba sendo uma das matérias mais trabalhadas nas aulas particulares de reforço. Os alunos do ensino aprendem matemática usando instrumentos antigos de cálculo, conhecidos como “ábacos”.

“Se você pensa que Matemática é difícil, não vai conseguir aprender”, diz o estudante Hai Yang, de 10 anos.

A ideia é que os alunos ganhem mais confiança no conhecimento adquirido na sala de aula e estejam preparados para os exames de conclusão. Pois é muito importante que o a criança alcance uma boa nota para conseguir uma vaga na escola que pretende frequentar na próxima etapa. É um conceito que se assemelha o estilo de apoio escolar em países da Europa.

“Devido ao antigo valor da honra no Japão, é comum que a escola e os exames sejam altamente valorizados, é por isso que quase 100% dos adolescentes são matriculados para fazer o ensino médio mesmo que este não seja obrigatório”

 

A educação complementar às escolas japonesas

Na cultura japonesa, o desenvolvimento do caráter vem antes do processo educacional. Os primeiros anos da vida escolar de uma criança no Japão é dedicado ao desenvolvimento da moral, respeito, generosidade, justiça, autocontrole, entre outros.

Embora o sistema educacional atual tenha sido imposto pelos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ainda mantém certos conceitos instaurados na Era Meiji (1868-1912), onde o governo promovia ideais de total fidelidade ao Estado, piedade filial, obediência e amizade.

A educação pública no Japão não é gratuita, no entanto sai bem mais barato que uma escola particular. O sistema de educação é composto por 9 anos obrigatórios e 3 anos de ensino médio que é opcional. Além disso, há cursos técnicos e superiores que também são opcionais.

“A importância dos exames e a pressão para que o estudante triunfe é tão alta na cultura japonesa que alguns estudantes optam por se suicidar ao falhar em um exame ou ao começarem as aulas”

Assim como a China, os japoneses também sofrem pressão e estudam muito. Além de colaborar com a arrumação da escola e a participar de cursos extracurriculares, os alunos costumam ter aulas de reforço com professores particulares e/ou cursos preparatórios, depois do período de aula.

O curso de apoio educacional mais comum se chama “juku”, um tipo de reforço escolar comum na América do Norte. É dividido entre “juku de enriquecimento intelectual” e “juku acadêmico”, sendo o segundo subdividido em mais duas partes, o “hoshuu juku” (curso de revisão) e o “shingaku juku” (curso de avanço). Todos tem como objetivo trabalhar as dificuldades e preparar o estudante para ingressar em uma faculdade, pois os exames são muito difíceis.

coreia-do-sul-exemplo-educacional “Cerca de 95% dos estudantes sul-coreanos concluem o ensino fundamental. E 60% dos jovens fez ou faz algum curso superior.”

A educação se tornou prioridade na Coréia do Sul

A Coréia do Sul é talvez um dos melhores exemplos de que é possível mudar a economia de um país através da educação. O país que já foi devastado por sucessivas guerras e esteve entre os países mais pobres do mundo, hoje é um dos mais avançados tecnologicamente.

Como eles conseguiram isso? Colocando a educação como uma prioridade. Nos últimos 40 anos, o governo investiu e fez diversas reformas no sistema de ensino da Coréia do Sul. A primeira mudança tinha como propósito ter um ensino de boa qualidade universal, ou seja, para todos. A segunda reforma veio nos anos 90 para assimilar os avanços tecnológicos ao sistema educacional. Hoje, todas as escolas contam com laboratórios de informática.

Embora os governo se esforce para oferecer escolas de qualidade, boa parte das crianças vão para cursos de reforços, em instituições privadas. São conhecidas como “Hagwons” e funcionam como extensões da escola tradicional, onde os alunos tem aulas de matérias específicas, como matemática, ciências, inglês e artes.

O governo estima que existam 95 mil hagwons e até 84 mil professores particulares.  

As Hagwons, normalmente, abrem as suas portas no final do dia e as vão aulas até tarde da noite. Para que os filhos estudem nessas escolas de reforço escolar, os pais precisam desembolsar em torno de US$ 1.000 por mês.

Embora seja comum a busca por aulas de reforço escolar e cursinhos preparatórios, não é algo visto com bons olhos pelo poder público. O governo vem tentando melhorar a qualidade de ensino para que os estudantes não tenham que fazer aulas extras. Também determinou uma hora limite (até às 22 horas) para que os cursinhos noturnos não durem até de madrugada.

Enquanto temos esse cenário na Ásia, o reforço escolar na África é usado para completar as lacunas deixadas pelo ensino público.

 

Qual a sua opinião sobre a forma que os países asiáticos lidam com a educação e o reforço escolar?

 

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