Quem vai a uma aula de piano provavelmente não quer somente aprender a tocar o instrumento. É claro que esse é sempre o principal objetivo de quem estuda qualquer instrumento mas, para os reais interessados no tema, saber um pouco da história e algumas curiosidades faz toda a diferença. É por isso que o seu professor de piano pode, além de ensinar a técnica, também reservar um tempo para tratar sobre essas outras questões.
Essa é, aliás, uma grande vantagem do professor particular, já que algumas escolas oferecem apenas aulas práticas com o instrumento. Muitas vezes, é o despertar para essas curiosidades que faz com que o aluno tenha ainda mais interesse em tocar o instrumento. Se o som, por si só, já encanta, imagine entender contextos e fatos que existem por trás da arte que se conhece.
Você sabe, por exemplo, qual a primeira música de piano tocada no Brasil? Ou quem foram os grandes nomes que introduziram o piano em nossa cultura? Para quem tem o hábito de pesquisar, talvez essas informações pareçam até mesmo um pouco óbvias, mas elas podem ser a porta de entrada para novos talentos.
Entenda que nem todos nós gostamos de tocar piano, ou qualquer instrumento que seja. Mas alguns precisam apenas de um bom motivo para reafirmar o seu talento. E isso pode se traduzir em conhecimento. Portanto, caso o seu curso de piano não traga essas informações, pode ser que esteja na hora de procurar por outro, em outros moldes.
Mas, enquanto você decide, que tal já ir conhecendo algumas curiosidades sobre o piano? Acompanhe!
Piano é um instrumento de corda ou percussão?
Para quem não conhece esse assunto, a pergunta pode parecer um tanto absurda, já que não há cordas e tampouco batidas. Há teclas e só! Já para quem entende um pouco mais, pode surgir a dúvida, especialmente se o padrão para comparativo for o funcionamento do cravo. Enfim, vamos parar para analisar o que acontece no interior do piano quando você toca.

Tanto o cravo quanto o piano têm cordas em seu interior, ligadas às teclas. Só que diferente do primeiro, o piano não pinça as cordas quando tocamos suas teclas. Suas teclas, na verdade, acionam um conjunto de martelos que repercutem nas cordas. Por essa razão, podemos afirmar que se trata de um instrumento de cordas e de percussão ao mesmo tempo.
Você já assistiu a uma orquestra, na qual havia o instrumento? Para quem quer começar a fazer um curso de piano, esse é um exercício e tanto. Você vai conseguir observar, na prática, a combinação do seu toque com outros instrumentos. Mas, para quem já assistiu, provavelmente tenha observado que o piano fica normalmente próximo aos violinos e aos naipes de percussão. Isso faz todo o sentido se considerarmos essa característica.
E há ainda os pedais: o da direita libera a vibração das cordas, enquanto o da esquerda traz um desvio, responsável por inserir certos efeitos ao som. O do meio (ou sustenuto) sustenta o som que estava tocando no momento em que foi acionado.
O piano mais antigo do Brasil
Podemos dizer que o ancestral do piano é o monocórdio. O primeiro piano do mundo foi descoberto por um italiano: Bartolomeo Cristofori. A chegada do instrumento ao Brasil começou pelo Rio de Janeiro. Isso aconteceu no início do século XIX, pelas mãos de D. João VI, quando da estadia da corte portuguesa em nosso país. O sucesso foi tanto que, por volta de 1856, já havia pianos por todo o estado, inclusive nas fazendas do interior.

De lá para São Paulo, foi um passo. O encantamento pelo piano se alastrou entre as pessoas, quando o mesmo passou a ser parte em concertos e utilizado para música ambiente em casas de chá. As apresentações evoluíram para os cinemas, já no século XX.
A primeira escola fundada foi o Conservatório de Música, atualmente Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Já a primeira fábrica de pianos situava-se em Pernambuco, iniciada por uma oficina que aflorou a curiosidade em entender o funcionamento do piano para poder replicá-lo. A partir de então, surgiram novos fabricantes em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.
Com o tempo, a qualidade foi se aprimorando e foram surgindo novos modelos. Ao mesmo tempo, o piano se tornava mais acessível, deixando de ser um privilégio apenas da elite. Hoje em dia, existem diversas oportunidades para quem deseja fazer aula de piano.
Pianos fabricados no Brasil
Embora a fabricação tenha iniciado a partir da curiosidade, levamos um tempo para produzir instrumentos cuja qualidade fosse, de fato, similar à dos precursores europeus. Depois dessa primeira fábrica no século XIX, surgiram outras, e as peças utilizadas eram todas importadas, como uma forma de manter o padrão, ou talvez pela falta de um fabricante nacional.
Podemos dizer que, ainda nesse início, outros fabricantes alemães e judeus, também ampliaram seus negócios, implantando suas fábricas aqui no Brasil. Chegamos a ter cerca de 90 fábricas em nosso país. Algumas marcas surgiram e simplesmente desapareceram com a mesma facilidade: Cirei, Sohn Jeg, Albert Schmolz, Lichtner, Lux, Natal, J. Hoelzl, entre outras.
Outras conquistaram lugar cativo na preferência dos apaixonados por piano. Como exemplo, podemos citar a Essenfelder, de origem alemã. Por divergências familiares, ela se dividiu em duas: uma delas buscou novas técnicas para "bater" o original, sendo a responsável pelos pianos Schneider, que foram descontinuados na década de 1980.
Em 1959, pianos passaram a ser fabricados em São Paulo, na Halben, localizada no bairro do Canindé. Mais tarde, a fábrica foi rebatizada de Pianofatura Paulista. No início, fabricavam apenas sob concessão de marcas internacionais, até chegar aos pianos Fritz Dobert, sua marca original, que mais tarde se tornaria o carro-chefe, e sucessivamente a exclusividade da fábrica.
Atualmente, a fábrica ainda existe e é uma das únicas da América Latina a produzir o instrumento. Ele é utilizado, inclusive, por diversos músicos famosos nacionais e internacionais.
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Os 4 percursores do piano no Brasil
Embora a técnica do piano tenha sido importada, podemos dizer que alguns brasileiros foram percursores do instrumento em nosso país. E eles fizeram aulas de piano. É possível que já tinham um talento, mas tudo começou a partir do interesse pelo estudo. Isso significa que você também pode chegar lá. Quer se inspirar? Então acompanhe esses nomes!
Chiquinha Gonzaga
Estamos falando da primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil e da pioneira em uma marcha carnavalesca no piano (Ó abre alas). Também era compositora. Estudou piano com Elias Álvares Lobo. Casou-se por imposição e separou-se anos mais tarde, já que o matrimônio a afastaria de sua grande paixão: a música. Tornou-se militante política e, hoje em dia, uma medalha oferecida à mulheres que lutam por causas humanitárias leva o seu nome.

Ernesto Nazareth
Conheceu o piano através da mãe, que tocava Frederich Chopin, música que chamou sua atenção desde muito cedo. Após a morte precoce da genitora, passou a tomar lições com um amigo de família e, mais tarde, com o professor Charles Lucien Lambert. Aos 14 anos, fez sua primeira composição e, três anos mais tarde, se apresentaria em um clube frequentado pela família de D. Pedro II. Após algum tempo, ele reproduzia ritmos populares no piano e fez história na música.

Guiomar Novaes
A paulista nasceu em uma família com 19 irmãos e o piano estava presente em sua casa para as aulas das irmãs mais velhas. Aos 4 anos, tocava de ouvido e, aos 6, começou a tomar aulas. Aos 8, já fazia sua primeira apresentação artística. Embarcou para a França onde iniciou sua carreira internacional, tornando-se famosa também nos Estados Unidos. Tocava especialmente Chopin e Schumann.
João de Sousa Lima
Seu primeiro contato com o piano, foi pelas mãos do irmão. Anos mais tarde, quando este começou a trabalhar, contrataram um professor particular para ensinar ao menino, o famoso Luigi Chiaffarelli. Ele percebeu seu talento e levou-o para estudar no exterior. De volta ao Brasil, foi regente de orquestra no Departamento de Cultura do município de São Paulo, tendo passado também pela Rádio Tupi e Rádio Gazeta.
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Música mais antiga brasileira tocada no piano
Gravada por Grigóry Ivanovitch Langsdorff, a primeira composição brasileira para piano de que se tem registro é Ária Brasileira. À época, as modinhas portuguesas chegavam ao Brasil e caíam no gosto popular. Com a ascensão da burguesia, a tendência era da criação de produções mais domésticas.
A canção teria sido ouvida na casa de uma família que Langsdorff visitou e permanece até hoje em nossa memória. Conhecer dados como esse é fundamental para quem pensa em estudar piano, uma vez que entender os elementos culturais envolvidos é a melhor forma de tocar com mais afinco e sentimento.
Para você que é apaixonado pelo piano, segue abaixo um vídeo da canção. E temos certeza de que muitos vão se inspirar também e, finalmente, tirar da gaveta o sonho de estudar piano.
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