O nosso imaginário popular é consolidado sobre uma base de absoluta segurança geológica. Afinal, o Brasil é um país abençoado? Desde a escola aprendemos que o nosso país está praticamente imune aos desastres geológicos como vulcões, furações e acima de tudo, de grandes abalos sísmicos que frequentemente estampam os noticiários internacionais, como o caso do terremoto na Venezuela em 2026. Quando assistimos a imagem de prédios desabando, tendemos a olhar para o nosso próprio país com um suspiro de alívio, convictos de que a terra sob os nossos pés é completamente estável. Mas até que ponto isso é uma verdade absoluta?
A realidade científica e histórica traz nuances um pouco diferentes dessa percepção comum. Embora o território nacional não enfrente catástrofes de proporções globais, a ocorrência de terremotos no Brasil é uma realidade. Longe de ser um solo totalmente estático, o país registra anualmente centenas de tremores de terra de variadas magnitudes. A maioria deles, é verdadeiramente imperceptível para a população e detectada apenas por sismógrafos ultrassensíveis, porém, alguns eventos já foram fortes o suficiente para assustar cidades inteiras, rachar estruturas e até derrubar construções vulneráveis.
Quer conhecer mais sobre o histórico de terremotos no Brasil? Continue a leitura e descubra que o Brasil também se move!
O que gera um tremor de terra em território brasileiro?
Compreender a atividade sísmica em nosso território vai muito além da curiosidade geográfica. Trata-se de uma necessidade para a engenharia civil, para o planejamento urbano e para a desmistificação de mitos sobre o nosso relevo. Por essas razões, vamos explorar a fundo o que causa o tremor de terra em solo brasileiro, resgatar os maiores registros históricos documentados pela ciência e entender como o nosso nível de risco se compara ao resto do mundo.

Veja como os movimentos das placas tectônicas também influenciam as erupções vulcânicas no mundo.
Para decifrar o mistério por trás de um terremoto no Brasil, precisamos primeiro entender a mecânica global por trás desse fenômeno. A crosta terrestre é composta por imensas placas tectônicas que flutuam sobre um manto pastoso. A esmagadora maioria dos terremotos catastróficos do planeta ocorre nas bordas dessas placas, onde o atrito decorrente do choque ou do afastamento entre elas acumula uma quantidade monumental de energia que, ao ser liberada bruscamente, faz o chão chacoalhar violentamente.
O Brasil, conforme apontam os estudos geológicos, está localizado bem no centro da Placa Sul-Americana, uma posição considerada privilegiada e muito estável. No entanto, estar no meio de uma placa não significa estar totalmente imune a tensões.
As causas dos abalos sísmicos em nosso país dividem-se principalmente em três fatores principais:
- Acomodação de falhas geológicas: ao longo de milhões de anos, a Placa Sul-Americana acumulou fraturas e desgastes internos conhecidos como falhas geológicas. Como a placa está em constante movimento (afastando-se da África e chocando-se contra a Placa de Nazca, na cordilheira andina), o bloco central sofre pressões colossais nas suas extremidades. Essa pressão se propaga pelo interior do bloco e acaba sendo liberada nas suas zonas de fraqueza — as falhas —, gerando tremores.
- Esforços tectônicos intraplaca: a própria compressão contínua que o continente sofre gera pontos de estresse no interior do território, que colapsam de tempos em tempos.
- Atividades ou sismos induzidas: em menor escala de Richter, tremores de baixíssima magnitude podem ser provocados por ações humanas, como o desabamento de cavernas subterrâneas, a detonação de grandes cargas de explosivos em minerações ou o preenchimento de imensos reservatórios de usinas hidrelétricas, cujo peso da água comprime o solo subjacente.
No nosso país, o primeiro sismo induzido (provocado pela atividade humana) que se tem notícia ocorreu na Hidroelétrica de Capivari-Cachoeira, no nordeste de Curitiba - Paraná. A atividade sísmica teve maior intensidade entre 1971 e 1972, continuando menos intensa até o ano de 1979.
Terremotos também são as principais causas de tsunamis.
Registros históricos: os maiores terremotos no Brasil
O Brasil, apesar de não ter terremotos muito fortes, tem tremores de terras fortes o suficiente para causar danos.
Marcelo Assumpção - Professor USP
O monitoramento sismológico sistemático de terremoto no Brasil ganhou força ao longo do século XX, capitaneado por instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os dados coletados revelam que o país possui regiões sismicamente muito mais ativas que outras, com destaque para a Região Nordeste, o estado de Minas Gerais e a faixa que compreende o estado de Goiás e Mato Grosso.
Ao analisar a força de um abalo, os cientistas utilizam a famosa escala de Richter, uma escala logarítmica que mede a magnitude, ou seja, a quantidade de energia liberada no foco do terremoto. No Brasil, embora os eventos acima de 5.0 na escala sejam considerados raros, a história registra episódios marcantes.
O levantamento dos maiores eventos documentados em território nacional impressiona pelos seus impactos locais:
| Ano | Local | Magnitude | Impactos principais |
|---|---|---|---|
| 1955 | Região do Mato Grosso (Serra do Tombador) | 6.1 | O maior terremoto registrado da história do Brasil. Ocorreu em área isolada, o que evitou vítimas e danos materiais graves. |
| 1955 | Mar de Vitória (Vitória/ES) | 6.1 | Ocorrido no Oceano Atlântico, na Crista Médio-Atlântica, mas sentido com forte intensidade por moradores do litoral capixaba. |
| 1980 | Cascavel (Ceará) | 5.2 | Sentido em grande parte do estado, provocou pânico generalizado, rachaduras profundas em centenas de edificações e queda de telhados. |
| 1986 | João Câmara (Rio Grande do Norte) | 5.1 | Parte de uma longa série de tremores. Destruiu dezenas de casas de alvenaria simples e provocou o êxodo temporário de milhares de moradores. |
| 1994 | Porto Alegre (RS) | 7.8 (no epicentro na Bolívia) | Ondas sísmicas provocadas por um terremoto que ocorreu na Bolívia, a 2.200 km de distância. Algumas pessoas sentiram os tremores que fez móveis de prédios mais altos vibrarem |
| 2007 | Caraíbas (Itacarambi - Minas Gerais) | 4.9 | Tragicamente histórico por registrar a primeira morte direta provocada por desabamento de parede devido a terremoto no país. |
| 2020 | Recôncavo Baiano (Bahia) | 4.6 | Assustou moradores de Salvador e diversas cidades do interior, provocando quedas de objetos em prateleiras e rachaduras leves. |
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Impactos e consequências: comparando Brasil com o mundo
Os terremotos pelo mundo são estudados e registrados em estações sismográficas. Essas estações contam com aparelhos chamados sismômetros, que medem os terremotos, e os sismógrafos, que registram os seus efeitos em uma folha de papel.
Semelhante ao um aparelho de eletrocardiograma, o sismograma é desenhado por uma agulha que se apoia sobre um papel, em um movimento de zigue-zague. Quando os abalos surgem, as agulhas começam a dar saltos, movendo-se horizontalmente.
O maior terremoto no Brasil ocorreu em 1955 e teve seu epicentro 370 km ao norte de Cuiabá (MT). A magnitude atingiu 6,2 graus na Escala de Richter.
Ao confrontarmos os dados dos terremotos no Brasil com o cenário internacional, a diferença de escala de Richter torna-se evidente. Países localizados em zonas de colisão de placas, como o Japão ou o Chile, sofrem rotineiramente tremores com magnitudes superiores a 7.0 ou 8.0 na escala de Richter. Vale lembrar que, por ser uma escala logarítmica, um terremoto de magnitude 7.0 não é um pouco maior que um de 5.0; ele libera cerca de 1000 vezes mais energia mecânica.
vezes mais energia mecânica em relação a um tremor de terra de 5.0
Entretanto, o grande perigo dos terremotos no Brasil não reside na magnitude absoluta do evento, mas sim na vulnerabilidade das nossas cidades. Como a população e o setor da construção civil operam sob a premissa de que o risco é zero, a esmagadora maioria das casas e edifícios brasileiros antigos não possui nenhum tipo de reforço ou preparação estrutural para dissipar vibrações.
Em decorrência disso, um tremor de terra de magnitude 4.5 ou 5.0 — que no Japão passaria completamente despercebido e sem causar qualquer dano em prédios modernos — pode provocar quedas de muros, destelhamentos e colapsos parciais de habitações mais humildes no interior do Brasil. Além das perdas estruturais, o impacto psicológico em comunidades que nunca vivenciaram o fenômeno costuma gerar episódios de pânico coletivo e desinformação generalizada.
Por essa razão, informação e consciência sobre a possibilidade de um tremor de terra é fundamental para que você mantenha a calma e saiba o que fazer em caso de urgência.
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Informações de segurança sobre terremotos no Brasil: como agir?
Apesar de as probabilidades de vivenciar um grande colapso estrutural no país serem estatisticamente baixas, obter conhecimentos e informações de segurança sobre terremotos é uma ação preventiva valiosa, principalmente para aqueles que vivem em regiões com histórico de falhas ativas ou que planejam viajar para o exterior. Saber como agir nos primeiros momentos de uma vibração pode prevenir lesões causadas por estilhaços e quedas de objetos.
A seguir, mostramos o protocolo padrão internacional modificado para edificações comuns, com as principais informações de segurança sobre terremotos:
Ação imediata
Mantenha a calma e proteja-se
Não corra para fora se estiver em um prédio. O maior índice de ferimentos ocorre quando as pessoas tentam se deslocar desesperadamente nas escadas. Busque abrigo imediatamente embaixo de uma mesa resistente, escrivaninha ou sob o batente de uma porta estrutural forte.
Evite estilhaços
Fique longe de janelas e objetos altos
Afaste-se de janelas de vidro, espelhos, armários altos, estantes de livros ou luminárias que possam tombar com o balanço do chão ou estourar devido aos tremores.
Estabilização
Aguarde o fim dos tremores principais
Permaneça na posição de proteção até que o chão pare completamente de tremer. Preste atenção, pois tremores secundários (réplicas) de menor intensidade podem ocorrer minutos após o abalo principal.
Pós-tremor
Evacue o local com segurança
Ao cessar o tremor de terra, saia do edifício utilizando exclusivamente as escadas, nunca use elevadores, que podem sofrer panes elétricas ou travamento de cabos. Ao chegar à rua, procure um espaço aberto longe de postes de alta tensão, árvores ou fachadas de prédios.
Agora que você já sabe que o Brasil não está completamente imune a um tremor de terra e também conhece as orientações de segurança, já se sente mais preparado caso a terra trema na sua cidade?
Deixe-nos saber nos comentários, ai na sua cidade, você já sentiu algum tremor de terra? Teve algum impacto nas construções da sua cidade? Você sabia que existem terremotos no Brasil?
Referências:
- Mapa de Placas Tectônicas (2026). Imagem disponível em: https://pt.vecteezy.com/arte-vetorial/2852655-mapa-mundi-mostrando-placas-tectonicas-limites. Acesso realizado em 23 de julho de 2026.
- Serviço Geológico do Brasil (2026). Terremotos. Disponível em: https://www.sgb.gov.br/terremotos. Acesso realizado em 23 de julho de 2026.
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