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Estudar latim no ensino fundamental é possível?

De Carolina, publicado dia 06/02/2019 Blog > Idiomas > Latim > Como aprender a língua latina no colégio?

“Os problemas são como fios de lã embolados. Não tem como desenrolar tudo de uma vez, mas ir por etapas, nó após nó. Calmamente e na hora certa” Nadine Monfils

O curso de latim e grego antigo no Brasil são quase inexistentes no currículo escolar. Somente em nível superior, e, na maioria dos casos, no curso de letras, estuda-se latim. Por isso, corre-se o risco de que o conteúdo da aula de latim e grego antigo sejam quase que extintos? Semelhante a fios de lã completamente embolados?

Se o latim era a língua franca das elites europeias até o século 17, o ensino dessa “língua morta” cai lentamente em desuso. Em alguns países da Europa como na França, ele ainda faz parte do currículo escolar como matéria opcional. Mas há professores e profissionais do ensino que querem diminuir a carga horária ou tirar as línguas chamadas mortas (grego e latim) das matérias opcionais.

Nos últimos anos, os debates cristalizaram-se na utilidade do ensino do latim, acusado de ser um símbolo de distinção social para a elite, em detrimento de classes sociais desprovidas de capital cultural.

Estude a língua latina na escola Os vestígios romanos mostram a importância desse legado

Isso, para a França, seria um duro golpe para o ensino das letras clássicas.

No caso do Brasil, a situação piora visto que o ensino das línguas clássicas quase não existe.

Talvez no tempo de nossos avós, bisavós, tataravós, estudava-se latim nas escolas… como o francês e outras disciplinas.

Mas por que seria bom voltar aos estudos dessas línguas, especialmente o latim, bases de todo um conhecimento? Da nossa cultura ocidental?

A redação do Superprof decidiu, portanto, analisar esse debate para esclarecer como ocorre o aprendizado do latim.

Aprendendo latim na Europa no colégio

Vamos pegar o exemplo da França para analisar como funciona os estudos de latim no ensino fundamental.

Com as aulas de matemática e de francês, o latim ocupou um lugar de destaque no ensino fundamental e médio na França até a década de 1960.

Aprender latim no colégio era ter uma visão geral da Antiguidade. A opção latina no 5º ano francês (equivalente a nossa 7ª série) tinha a carga horária de duas horas para aprender sobre Roma antiga.

Uma opção aberta a todos os alunos

Antes do início do ano letivo de 2016, os alunos na França tinham a possibilidade de escolher o estudo da língua latina na quinta série (nossa 7ª série). Eles seguiam este programa:

  • Civilização romana,
  • História da literatura latina,
  • Descobrindo a Roma antiga,
  • Estudo de textos antigos
  • Palavras latinas e francesas de acordo com suas raízes etimológicas,
  • Gramática latina,
  • Vocabulário latino, etc.

Isso permitiu que eles aprendessem línguas antigas profundamente na vida escolar.

Na quinta série (sétima série no Brasil), as aulas de latim eram organizadas em torno de duas horas por semana. Depois, três horas semanais na quarta série (oitava série no Brasil) e terceira série (nona série no Brasil).

Esses cursos opcionais eram tratados da mesma forma que as aulas de todas as línguas vivas. Eles constituíam um curso de línguas autônomo e separado.

Acesso livre para todos os estudantes que queriam aprender essa língua deu-lhe uma aura de opção igualitária, uma vez que os alunos não eram agrupados em uma classe específica de estudantes de latim e de grego.

Descubra como aprender latim se divertindo!

Uma opção de importância crucial

Essa aprendizagem da língua de Lácio (região no centro da Itália, em Roma) deu a oportunidade, até duas horas por semana na 5ª série (nossa 7ª série) da França e três horas na 4ª e 3ª série (nossas 8ª e 9ª séries), para ir e voltar entre o latim e o francês, entre o mundo antigo e o de hoje, objetivar a raiz greco-romana das palavras latinas e sua sintaxe.

Saber interpretar uma escrita requer tempo de estudos e ser capaz de traduzir um texto também implica compreender o contexto em que foi escrito… Por isso, tantos estudos!

A aprendizagem do latim e da língua grega – em outras palavras, “as humanidades” – permaneceu crucial, ao menos para evitar “consumir a ruptura com nossas origens culturais”(no caso, da França com as origens latinas).

Aulas de língua latina na escola Se ele está de pé até hoje, é porque os romanos sabiam muito

Uma possível abolição das classes de estudiosos latinos e gregos era inconcebível porque traria consequências graves cultural, política e social.

Nisso, a escola não poderia transmitir valores humanistas se conjuntamente recusasse ensinar todos os outros temas que forjaram o humanismo na Europa.

No entanto, a reforma do Colégio implementada pelo governo do primeiro ministro Manuel Valls em 2015 parece ir em uma direção diferente…

Ensinando a língua latina

Sabe-se agora, se formar na leitura de textos em latim e até aprender a falar a língua de Júlio César (online) fornece sólidas bases para entender a nossa própria língua, tanto a nível gramatical (para o infinitivo, por exemplo), sintático e da análise lexical.

Mas também sabemos – dado o tumulto que a reforma provocou nos meios de comunicação – que um primeiro passo foi dado para a eliminação do curso de latim na França.

Reforma francesa no colégio em poucas palavras

Ainda para compreender o panorama dos estudos da língua latina no colégio, vamos continuar explorando o exemplo da França.

A reforma educacional francesa de 2015 reivindica uma visão universalista ao desejar incorporar elementos da língua e da cultura da antiguidade em um conjunto de ensino transversal. Isso permitiria que todos os alunos descobrissem o mundo antigo através de disciplinas gerais obrigatórias.

Isso, para remover o clichê e o rótulo de elitismo que sofre o curso do latim na França. Porque, como era uma matéria opcional, somente os bons alunos e de famílias ricas faziam as matérias de línguas como o latim e grego.

A reforma implica que o EPI (Ensino Prático Interdisciplinar) seja retirado do volume horário de disciplinas obrigatórias. E a matéria se chamaria Langues et Cultures de l’Antiquité (LCA – Línguas e Culturas da Antiguidade).

O latim é, a partir de então, considerado como uma educação complementar a outros temas, reduzindo o volume de tempo inicialmente destinado para a língua (história-geografia, francês, línguas modernas).

Além disso, os opositores da reforma – principalmente professores de letras clássicas – temem que esse curso (língua latina) se torne um “verniz cultural”. Isso quer dizer que eles têm medo que ele seja reduzido à mitologia romana ou etimologia, na melhor das hipóteses, para certas frases latinas.

Resumindo, uma política que vai promover a superficialidade dos estudos de latim… Ao invés de aprender (top 15 de aplicativos para o latim), os alunos veriam alguns conteúdos latinos “por alto”…

O conteúdo do EPI “LCA”

Os novos programas, publicados no boletim oficial de 1 de março de 2016, mostram a ambição de tornar possível o confronto entre o mundo antigo e algumas das questões colocadas pelo mundo contemporâneo.

Ele segue uma progressão cronológica, da era real ao Império Romano.

No quinto e quarto ano (nossas 7ª e 8ª séries), três temas são discutidos, com vários sub-capítulos:

  • Da lenda à história,
    – As origens de Roma e suas heroicas figuras (a fundação de uma cidade, os reis de Roma, a urbanização de Roma),
    – A República Romana, história e instituições (os primeiros séculos da República, patrícios e plebeus, votando no mundo antigo),
  • Vida privacidade e vida pública,
    – A família, o lugar das mulheres,
    – O habitat e a vida cotidiana dos romanos,
    – Classes sociais nos tempos antigos,
    – Religião: divindades romanas,
    – Teatro romano, jogos e lazer.
  • O antigo mundo mediterrâneo,
    – Cartago e as Guerras Púnicas,
    – Conflitos no mundo antigo,
    – Os poderes terrestres e marítimos da antiguidade.

Na terceira série (9º ano no Brasil), as aulas são um pouco mais densas:

Entenda a importância do idioma de Roma Antiga As bases de toda a nossa civilização está nos estudos latinos…

  • Da República ao Principado
    – As crises e o fim da república oligárquica,
    – O principado, o reinado de Augusto,
  • O Império Romano
    – Imperialismo: exército romano e expansão territorial de Roma,
    – Pax romana (paz romana) e romanização do império,
    – Os imperadores,
  • Família, vida social e intelectual da Roma antiga,
    – Vida urbana e vida rural
    – Cidadãos e não cidadãos,
    – Politeísmos e monoteísmos,
    – Roma e as províncias (Sicília, Gália, Hispânia, etc.),
  • O mundo mediterrâneo,
    – Roma e Grécia antiga: parcerias, trocas e influências,
    – Argumentação em Roma e na Grécia antiga,
    – A transmissão cultural da Grécia para Roma, da Antiguidade para o Renascimento.

Os alunos são introduzidos na análise de textos literários antigos para poderem compreender e ler um texto em latim, situar os textos no seu contexto histórico e sócio-cultural, para interpretar e traduzir um texto do latim para o francês.

Embora no papel, programas de língua latina mostram uma visão geral da civilização romana, os métodos de ensino em que estão ligados estão longe de ser unânimes…

Ensino francês mostra a importância do ensino do latim no colégio

Até aqui, pudemos ver o quanto foi importante para os alunos aprenderem latim (5 dicas para aprender latim rápido) durante o final do ensino fundamental na França.

Os estudos da língua latina permitiram que eles tivessem uma base melhor para compreender matérias como a língua francesa, história e civilização europeia. Sem esquecer que os textos clássicos de Roma Antiga tinham um cunho filosófico importantíssimo que passavam noções da arte da retórica e da eloquência para os alunos antes de entrar no ensino médio francês.

Aulas do idioma de Roma Antiga no colégio? Por que é importante estudar a língua latina?

Com certeza, esses estudos foram essenciais para criar um senso crítico e argumentativo para os alunos. Esse tipo de aprendizado é de um valor inestimável porque serve para toda a vida. A retórica e a eloquência servem para a vida escolar, profissional e até mesmo pessoal de um indivíduo.

Essas são algumas das contribuições da aprendizagem do latim no colégio e suas consequências para a vida.

Mas por que o Ministério da Educação francês decidiu reduzir (quase extinguir) o ensino das línguas mortas, latim e grego, no colégio?

Como aprender o latim?

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