Os Tudors são fazem parte de uma das dinastias de monarcas mais famosa da história da Inglaterra. E isso por um bom motivo.

Com algumas das mudanças mais turbulentas da história britânica ocorrendo sob seus reinados, como a consolidação do estado inglês, assim como todos os tipos de comportamento depravado e mulherengo acontecendo na corte real, há muito para se interessar no que diz à história dessa família.

Mas, além de um certo rei Henrique VIII se casar com muitas mulheres - algumas das quais ele então decapitou - e talvez com a Armada Espanhola, pouco sobre esse período fascinante é conhecido.

A importância da Casa de Tudor na história dos reis e rainhas ingleses não é tanto sobre as esposas, mas sim sobre a política que eles desenvolveram. Esta é a verdadeira contribuição da história dos Tudor tanto para o mundo contemporâneo quanto para o do século XVI.

E embora você possa descobrir sobre as vidas e personalidades dos monarcas Tudor em outras matérias, aqui veremos as mudanças gerais que eles fizeram na era Tudor como um todo.

Espie nosso manual sobre os Tempos de Tudor.

Quando foi o período Tudor?

A resposta à pergunta, ‘quem eram os Tudors?’, Começa com outra pergunta: ‘QUANDO eram os Tudors?’. Porque a época particular em que esta famosa dinastia governou é, em grande parte, a razão pela qual tantas coisas importantes aconteceram, Sendo assim, é impossível estudar a história da Inglaterra sem mencionar o reinado desta família.

A 'era Tudor','tempos Tudor', 'período Tudor' ou ainda 'época Tudor', como são frequentemente chamados, aconteceram entre 1485 e 1603. Ela começou com a coroação de Henrique VII - ou Henrique Tudor - e teve fim com a morte de Elizabeth I. Este longo século XVI veio após um período de duradoura guerra - a Guerra das Rosas (1455-1485) - e antes da consolidação do primeiro Império Britânico.

De modo geral, foi nessa temporada que a Inglaterra se preparou para o período de poder global que se iniciou no século XVII.

Quem eram os Tudors?

Muito antes do período que leva o nome da família, os Tudors já faziam parte da aristocracia do norte do País de Gales.

Eles ganharam importância durante o que hoje conhecemos como a Guerra das Rosas, uma série de guerras civis ao longo do século XV entre a Casa de York e a Casa de Lancaster (a primeira sendo identificada por uma rosa branca e a última por uma vermelha).

Essas guerras começaram devido à questão monárquica perenemente problemática dos herdeiros, ou seja, qual filho de quem realmente tinha o direito de ser o rei. Ao longo da história, houve muitos conflitos semelhantes sobre esse assunto e, de modo geral, muitas pessoas morreram por causa dessas divergências.

Desenho de rosa vermelha, rosa branca, e rosa vermelha e branca.
O símbolo da dinastia Tudor surgiu da conjunção das rosas da família Lancaster e da família York.

Dado que a Guerra das Rosas durou cerca de trinta e dois anos - durante os reinados dos reis Yorkistas Eduardo IV e do rei Ricardo III - não muitas das pessoas que começaram a guerra em 1455 estavam lá, em 1487, para ver seu fim.

E é precisamente por isso que Henrique Tudor, descendente de uma obscura linha aristocrática galesa, tornou-se o líder dos lancastrianos (pessoas que pertenciam à família de Lancaster) e um pretendente ao trono: simplesmente porque todos os outros lancastrianos com pretensões mais fortes já haviam morrido na guerra.

Veja ainda algumas preciosas características dos integrantes da família Tudor. 

O início da dinastia Tudor

Os lancastrianos - liderados por Henrique (Henry) Tudor - finalmente venceram a guerra, na Batalha de Bosworth Field em 1487. Henry Tudor, portanto, tornou-se Henrique VII.

Este momento deu início à monarquia Tudor, que conseguiu reter o poder por mais de um século devido às ações de Henrique VII - um rei frequentemente subestimado. Ele, por meio de ameaças e um casamento estratégico com Elizabeth de York, conseguiu unificar as duas casas em conflito, reunindo os dois símbolos como a Rosa Tudor, tanto vermelha quanto branca.

Henrique VII teve que enfrentar muitas rebeliões durante seu reinado, apesar de proibir os exércitos particulares de senhores e duques em todo o país. Nenhum deles, no entanto, lhe causou grandes problemas.

As conquistas de Henrique VII

Os primeiros anos dos Tudors foram caracterizados principalmente pela astúcia financeira e o pragmatismo diplomático de Henry.

Ao longo de seu reinado, ele conseguiu assegurar tratados com os franceses, com o Sacro Império Romano, com a Espanha e até mesmo com a Escócia - inimigos de longa data dos ingleses.

Rei medieval com capa vermelha de costas.
As conquistas do primeiro rei da era Tudor foram fundamentais para o sucesso de mais de um século da dinastia.

Enquanto isso, sob sua liderança, ele construiu o tesouro do governo por meio de pesados impostos e por meio de sua determinação em ver um comércio saudável de lã e tecidos na Inglaterra.

Embora ele não fosse a pessoa mais emocionante que já existiu - e embora seu reinado não tenha visto metade do drama de seus descendentes - todas essas conquistas foram extremamente importantes para o resto da dinastia Tudor.

Confira algumas  curiosidades sobre os Tudors.

Henrique VIII (1509-1547)

Vamos examinar rapidamente o reinado do filho de Henrique VII, Henrique VIII, provavelmente o mais notório dos monarcas Tudor. Primeiramente, o fato que o faz até hoje ser um dos reis ingleses mais conhecidos: ele teve seis esposas!!! Ele morreu um homem obeso e mal-humorado. Além do mais, ele provavelmente foi um cara bastante carismático em seu tempo, pois competia em justas (competição esportiva medieval na qual dois oponentes a cavalo lutam com lanças) e ainda escrevia poesia e músicas.

Mas o que é importante sobre seu reinado, na verdade, é o poder maior que ele exerceu sobre a Inglaterra e o País de Gales: muito maior do que qualquer outro rei havia feito anteriormente. Tal feito certamente não poderia ter acontecido em qualquer outra época que não fosse século XVI.

Isso porque o rompimento com Roma - no início da década de 1530 - foi devido ao desejo de Henrique de se divorciar de sua primeira esposa, Catarina de Aragão. Tal decisão causou muitos problemas com diversas potências europeias.

No entanto, esta é apenas metade da história, porque todas as coisas que aconteceram na Inglaterra na década de 1530 - a dissolução dos mosteiros, o estabelecimento da igreja anglicana separada do Papa, etc. - foram resultado de vários tipos de pressões e ideias diferentes que vinham de outros lugares.

A Reforma e os Tudors

 

Estátua de Lutero segurando livro aberto.
Estátua de Martinho Lutero, uma das figuras importantes para a efetivação da Reforma Protestante.

Dissemos antes que a parte mais importante de saber quem eram os Tudors é saber quando eles viveram e reinaram. Embora os fatos e eventos da Guerra das Rosas façam parte desse "quando", a outra parte vem de outro lugar.

Geralmente, essa outra parte vem da Europa, onde todo tipo de ideias diferentes estavam sendo difundidas como resultado da insatisfação com o Papa e com a Igreja Católica em geral.

Essa insatisfação veio da vasta riqueza da Igreja Católica, do fato de que o clero não cumpriu os papéis que deveria cumprir, e do fato de que muitas das cerimônias na igreja foram facilitadas por trocas monetárias às custas dos pobres.

Essas questões foram generalizadas. No entanto, não foi até que teólogos como Martinho Lutero, Huldrych Zwingli, João Calvino e muitos outros começaram a falar sobre o assunto, que os sentimentos contra a Igreja Católica alcançaram impacto político.

A Reforma na Inglaterra

Embora a busca de Henrique VIII por um divórcio de Catarina de Aragão tenha sido a centelha que desencadeou a Reforma Inglesa, essas idéias "protestantes" já estavam na Inglaterra há algum tempo. Ana Bolena, a segunda esposa de Henrique VIII, era conhecida por ter ideias protestantes - assim como Thomas Cromwell, o conselheiro mais importante de Henrique.

Foram essas duas forças - ao lado dos desejos pessoais de Henry - que levaram ao que conhecemos como a Reforma Tudor e à Igreja Anglicana.

E embora muitos historiadores sustentem que Henrique VIII morreu como um católico comprometido, a importância de suas ações para o futuro da Inglaterra foi enorme. Ele trouxe muito mais dinheiro para a coroa do qualquer outro rei havia feito antes, por meio da apreensão de mosteiros e propriedades da igreja, assim como do desvio de impostos da igreja.

Casa pobre medieval inglesa.
Os pobres que viveram na era Tudor antes da reforma eram os que mais sofriam com os impostos que deviam ser pagos à igreja católica.

Esse momento proporcionou um incidente-chave no desenvolvimento de um estado central na Inglaterra: quando o monarca se tornou um poder absoluto no país!

Saiba mais sobre vida cotidiana dos ‘reles mortais’ que viveram a era Tudor. 

Os Tudors depois de Henrique VIII

Essas ações de Henrique VIII, entretanto, causaram vários problemas para o resto da dinastia Tudor.

Eduardo VI, o jovem rei que assumiu o trono quando Henrique VIII morreu em 1547, era um protestante convicto. No entanto, sua meia-irmã, Mary I - também conhecida como ‘Bloody Mary’ - que o sucedeu em 1553, era uma católica devota.

As convicções religiosas pessoais desses monarcas tornaram a vida um pouco complicada para pessoas normais durante esses anos, já que a religião oficial - religião que você tinha permissão para praticar - nem sempre era totalmente clara. Maria I, em particular, desenvolveu a reputação de ser profundamente autoritária e assassina - uma reputação que é, aliás, cada vez mais contestada pelos historiadores.

Rainha Elizabeth I da Inglaterra

Todas essas idas e vindas terminaram com a rainha Elizabeth I, cujo reinado é conhecido por compromissos religiosos, brilho cultural e crescente força diplomática.

E então, deu para entender um pouco mais sobre a história geral, desde a ascensão até a queda do poder, da família Tudor?

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Camila

Aventureira linguística, curiosa por natureza, artista por opção, viajante apaixonada e redatora por vocação.