Tocar piano é o seu sonho? Seu filho vive fascinado pelos pianistas que aparecem em filmes e novelas? Você quer aprender a tocar o instrumento para fazê-lo profissionalmente ou mesmo para exercer um hobby? Entenda que tudo isso é possível para você, já que estamos falando em um instrumento que fez história em nosso país - e que existem professores por toda parte. Não importa qual a sua cidade, sempre será possível ingressar em um curso de piano.
Você já reparou que o piano é o instrumento principal dos grandes compositores? Seria isso apenas coincidência ou existe uma lógica por trás desse fato? Acontece que, por seu funcionamento, o piano parece a ferramenta perfeita para traduzir ideias em forma de música. Para entender melhor, vamos compará-los a alguns outros instrumentos. O violão, por exemplo, permite o uso de apenas uma das mãos para movimentar as cordas, enquanto no piano, você tem 10 dedos para criar.
Outra grande vantagem é que o compositor pode explorar todas as possibilidades de tessituras, desde os sons mais graves, até os mais agudos. É como se o piano guardasse em si uma amostra de todos os demais instrumentos de uma orquestra, o que permitiria maior consciência ao fazer uma composição. Você corre menos riscos de prever resultados muito diferentes dos que acontecem na prática.
Quando pensamos em musicalidade no piano em nosso país, é comum que isso nos remeta aos acordes de Villa-Lobos, embora pouco se ouça falar sobre a nossa história com o piano no exterior. Na verdade, o grande destaque das Américas no assunto são os Estados Unidos. Se pararmos para pensar, a cultura do piano não é muito bem difundida nem mesmo entre nós, brasileiros.
Normalmente, quem se interessa pelo piano, são aqueles que sentem que têm um talento relacionado a ele ou que tiveram seu primeiro contato com as teclas logo na infância. De qualquer forma, talvez o grande segredo seja escolher corretamente seus repertórios para mostrar o melhor em relação ao que podemos fazer no piano.
Quer entender melhor nossa relação com o piano? Continue acompanhando a leitura abaixo.
Breve história do piano no Brasil
Vamos começar falando um pouco de história? Saber como o piano chegou ao Brasil, por exemplo, nos ajuda a entender mais a fundo o espaço cultural que ele ocupa em nossa história. Além de se tratar de dados bem interessantes para quem está fazendo um curso de piano, ainda vai ajudar você a escolher repertórios e, quem sabe até fazer suas próprias composições no futuro.
Estima-se que o piano chegou ao Brasil em meados do século XIX, tendo sido crucial nas primeiras décadas do século XX. Embora já existisse na Europa desde o século XVIII, foi D. João VI quem trouxe o primeiro exemplar do instrumento e toda a sua cultura para cá, durante a estadia da corte no Rio de Janeiro. Tamanho foi o entusiasmo dos cariocas que, na metade do século XIX, era comum encontrar o instrumento em fazendas e estabelecimentos comerciais.

Seu uso em concertos e outros espetáculos de música foi se tornando a cada dia mais comum. Houve uma época em que as pequenas apresentações eram comuns antes das principais sessões de cinema. O fato animou até mesmo os grandes compositores brasileiros, que passaram a dedicar parte de suas composições ao piano. Havia um interesse em torno de aprender a tocá-lo e inserí-lo em nossa cultura.
Dentre os principais nomes de época, merecem destaque Sigismund Neukomm e Maurício Nunes Garcia, ambos responsáveis por importantes peças da composição nacional. Em 1850, chegava ao Rio Sigismond Thalberg, que proporcionou o primeiro contato do público com um pianista de renome internacional. Anos mais tarde, foi a vez de Louis Moreau Gottschalk, que foi quem deu vazão à música popular afro-americana.
Não há dúvidas de que ele possa ter influenciado toda uma geração de compositores brasileiras, que iniciavam sua carreira à época. Ele faleceu ainda em nosso país, vítima da febre amarela. Embora o Conservatório de Música existisse desde 1841, foi somente 30 anos mais tarde que cedeu espaço para uma cadeira que representava o piano. Atualmente, a instituição funciona como a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Anos mais tarde, a música europeia já se misturava à brasileira, tornando possível composições que traziam características peculiares à nossa cultura. Se considerarmos os primeiros compositores que traziam, de fato, essa "marca nacional", podemos citar Joaquim Antônio Callado Jr, Francisca Gonzaga e Ernesto Nazareth.

Com o passar do tempo, surgiram também outros nomes de grande relevância, como Ary Barroso e Tom Jobin. Foi então que a nossa música passou a ser conhecida também internacionalmente, envolvendo elementos folclóricos e fazendo jus à escola nacionalista estabelecida à época. Esse enredo de criatividade permanece até hoje e, quem faz aulas de piano pode ter acesso à essa história de forma mais detalhada.
A música clássica brasileira
É praticamente impossível pensar em piano sem associá-lo à música clássica. E sim, o instrumento tem uma forte relação com o esse ritmo, tornando-se praticamente uma "marca registrada", relacionada à ele. Experimente perguntar ao seu professor de piano sobre essa relação. Se tiver interesse em tocar esse ritmo, melhor ainda. Talvez ele se empolgue e comece a ensiná-lo por esse caminho.
Embora a música brasileira seja frequentemente associada a samba, bossa nova e MPB, o clássico teve, sim, lugar de suma importância em nossa cultura. Na realidade, há compositores clássicos brasileiros fazendo sucesso no mundo desde o período da colonização. Vamos considerar que o ritmo surgiu por aqui em meados do século X, pelas mãos dos jesuítas.

Embora haja composições muito antigas nesse rol, é inegável o quanto elas venceram o tempo e encantaram gerações em série. As primeiras referências traziam elementos religiosos e eram usadas na catequização dos índios. A grande virada aconteceu em 1808, por meio da chegada da Família Real.
Se você tem interesse em entender a música clássica brasileira, guarde bem esse nome: Régis Duprat. Foi ele quem descobriu, na Bahia, um documento do período áureo do barroco europeu. É claro que outros nomes são associados à música clássica, sob uma ótica mais nacionalista: Brasílio Itiberê da Cunha, Alberto Nepomuceno e Heitor Villa-Lobos são apenas alguns exemplos.
Na atualidade, podemos citar Gilberto Mendes, falecido em 2016; Edino Krieger (atualmente com 93 anos) e Jocy de Oliveira, hoje com 85 anos. Suas trajetórias envolvem ainda o folclore, óperas apresentadas em Teatros Municipais, cadeiras na Academia Brasileira de Música e festivais internacionais.
É importante entender que, embora não pareça tão difundida quanto o sertanejo ou mesmo o samba, a música clássica também faz parte da nossa cultura e deve ser valorizada como tal. Um jovem que se interessa pelo assunto e sonha em aprender piano não é "estranho". Trata-se de um gosto diferenciado que deve ser, sim, incentivado e apoiado. Pode ser que aí se esconda um grande talento.
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Qual a importância de Chiquinha Gonzaga para tudo isso?
Quando falamos em piano, não podemos deixar de citar um grande nome feminino: Chiquinha Gonzaga. Você sabia que ela foi peça fundamental na nossa história no que diz respeito à cultura musical? Ela é, até hoje, considerada referência na música nacional. Foi pioneira em reger uma orquestra em nosso país.
Não foi fácil chegar a esse reconhecimento: filha de um militar e uma escrava liberta, teve uma educação muito rígida, sendo educada para as tarefas do lar e obrigada a casar-se com apenas 16 anos de idade. Ao "rebelar-se" contra esse destino, ela não recebeu apoio da família, tendo passado por dois divórcios e a perda da guarda dos filhos.
Interessada pela música e tendo aprendido piano sozinha desde muito cedo, esses acontecimentos a empurraram ainda mais para a sua música, que era um verdadeiro sonho para ela. Desfiou os padrões da época, especialmente os que eram impostos às mulheres quando declarou-se abolicionista e comprou a liberdade de um escravo, que se tornaria um de seus músicos.
O grande sucesso veio com a canção "Ó abre alas", mantida no carnaval até os dias atuais. Aos 52 anos, mais um escândalo: envolveu-se com João Batista Fernandes Lage, que tinha apenas 16 anos. Mais tarde, foi o companheiro que a ajudou a preservar seus direitos autorais junto à Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Faleceu aos 87 anos, em 1935.
Por sua importância em nossa música, recebeu diversas homenagens póstumas. Dentre as principais, podemos citar o "dia da música popular brasileira" fixado em 17 de outubro, data do seu nascimento e uma minissérie apresentada pela Rede Globo em 1999.
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Atualmente, seu nome está em ruas, praças, avenidas e escolas e foi uma das principais personagens do filme Brasília 18%, de Bete Mendes. Suas peças de piano são lembradas até hoje e, além de "Ó abre alas", podemos citar ainda "Lua Branca", cujos direitos lhe foram conferidos em 1912.

Como se pode ver, o piano está presente em nossa cultura e quem deseja estudá-lo provavelmente saiba disso. Entender como tudo começou é uma forma de valorizar essa parte dessa cultura e sentir-se inserido em algo muito mais grandioso do que parece.
E você? Quer conhecer um pouco mais sobre a história do piano em nosso país? Então acompanhe o nosso blog, com conteúdos inéditos sobre o assunto.
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