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Ligações entre os brasileiros e japoneses

De Carolina, publicado dia 28/03/2018 Blog > Idiomas > Japonês > Qual é a relação Brasil – Japão?

São Paulo: em um bairro no centro da cidade, você encontra comércios com placas em kana (caligrafia japonesa). As lojas vendem produtos do país do sol nascente, as pessoas têm olhos puxados, cabelos bem pretos e lisos e falam uma língua completamente diferente do português.

Ao entrar na loja, muitos brasileiros não conhecem a maioria dos produtos que estão ali. Mas calma, nem todos… Os nipo-brasileiros e os apaixonados pela cultura nipônica conhecem e sabem muito bem onde fica esse bairro na maior cidade do Brasil: o bairro Liberdade.

Para quem não conhece, é o nosso pedaço japonês no tupiniquim (aprenda japonês para dar aulas)!

Os primeiros japoneses que vieram para o Brasil no início do século XX se instalavam ali, onde tinham pensões muito baratas. Aos poucos, eles também criaram suas vendas, comércio de variados produtos japoneses. Dessa forma, o bairro tomou ares japoneses e é considerado um ponto turístico de Sampa.

Mas como duas culturas tão diferentes uniram-se e formaram a maior comunidade japonesa fora do Japão?

Por que os japoneses se interessaram pelo Brasil? País tão distante, do outro lado do planeta, com clima tropical, população completamente miscigenada – quase o oposto da cultura tradicionalíssima do país do sol nascente?

Qual é a relação dos descendentes, ou nipo-brasileiros, com o país do sol nascente?

Os japoneses tiveram dificuldade para se adaptar ao Brasil As paisagens japonesas são bem diferentes das brasileiras…

Qual é o começo dessa história que está fazendo 110 anos este ano?

Superprof explica quais são os principais pontos em comum com o Brasil e o Japão, países de origens tão distintas, mas que se completam e uniram-se nesse laço eterno?

Primeiros imigrantes japoneses no Brasil

Antes de entrar nos detalhes dessa história frutífera até hoje, vale lembrar uma coisa: o Japão era um país completamente isolado até o fim da era Edo que durou cerca de 265 anos.

Isso porque os xoguns da família Tokugawa, que governaram o país durante séculos, não queriam que o Japão tivesse contato com nenhum outro país.

Ele era um país completamente arcaico no final do século XIX. No meio da explosão da revolução industrial, o Japão ainda tinha um sistema feudal baseado na agricultura.

O Japão estava mal no final do século XIX e início do século XX. Superpovoado, não havia comida nem emprego para toda a população.

Com a restauração Meiji, o Japão feudal deu espaço para a revolução industrial também na agricultura. Com isso, milhares de trabalhadores rurais se encontraram sem emprego nos campos porque seus trabalhos foram substituídos por máquinas.

O alimento produzido também era de consumação imediata sem ter grandes reservas.

Já no Brasil, era o fim da escravidão (1888) e o país estava recrutando mão de obra principalmente branca e europeia (política de “embranquecimento” da população do país).

Os japoneses procuravam lugares onde poderia emigrar. Os Estados Unidos e México fizeram parte de seus novos lares.

Já no Brasil, os asiáticos eram mal vistos pela elite brasileira da época. Eles consideravam que os japoneses eram uma “raça inferior” e “amarelos”. Para eles, eles não contribuiriam com o “embranquecimento” da população.

Porém, com a diminuição da imigração italiana para trabalhar nas culturas de café de São Paulo e Sul do país, os chefes de Estado se sentiram obrigados a aceitar a mão de obra japonesa.

Por isso, houve um acordo entre as duas nações e os navios japoneses começaram a chegar aqui em 1908.

Conheça mais as relações entre o Brasil e o Japão Os templos japoneses inspiraram muitos nipo-brasileiros

Eles chegavam na maioria das vezes acompanhados de suas famílias e conhecidos. Eles trabalharam muito nas fazendas cafeeiras de São Paulo.

Aparentemente, a resistência contra os japoneses diminuiu quando chegaram aqui. Os brasileiros os acharam “limpos” e alguns diziam que a união entre brasileiros e japoneses resultavam em crianças brancas.

Porém, os casamentos aconteciam mais entre japoneses que tinham dificuldade em se integrar por causa das diferenças culturais com os brasileiros.

Eles sofriam muito, principalmente com a língua, a diferença de temperatura e hábitos alimentares. No início, eles não eram independentes porque tinham que pagar os custos de viagem, de alimentação e remédios.

Aos poucos, alguns conseguiram comprar um pouco de terras graças a acordos feitos com os fazendeiros.

Depois de mais de 20 anos em território brasileiro, o número de imigrantes aumentou muito depois da Primeira Guerra Mundial. Nos anos 30, o Brasil já era o país com a maior população japonesa no mundo fora do Japão.

Porém, com o apoio do governo Vargas na Segunda Guerra Mundial aos Estados Unidos, muitos brasileiros ficaram contra à população nipo-brasileira. Isso porque os Estados Unidos faziam parte dos Aliados e o Japão dos países do Eixo, inimigos durante a guerra Muitos japoneses foram perseguidos e eram vistos como inimigos do Brasil.

Após a guerra, os japoneses perderam as esperanças de um dia voltar para o Japão (saiba 10 motivos para aprender japonês). Seus parentes  mandavam notícias sobre os horrores que aconteceram na Segunda Guerra na terra do sol nascente. Então, decidindo definitivamente ficar em território brasileiro, os japoneses saíram do campo para a cidade. O intuito era preparar seus filhos com estudos para um futuro melhor.

A imigração japonesa acabou em meados da década de 70. Mas, com certeza, deixou suas marcas e cidadãos nipo-brasileiros, principalmente no estado de São Paulo e Paraná.

Houve várias comemorações no Brasil em 2008 comemorando os 100 anos do início da imigração japonesa. Uma versão da moeda de R$2 foi feita com o desenho do primeiro barco japonês que ancorou no porto de Santos, o Kasato Maru em 1908. Um monumento em comemoração do centenário da artista Tomie Ohtake foi instalado no porto de Santos.

Eles criaram um mascote para simbolizar os japoneses no país. Até Maurício de Sousa gerou um personagem da Turma da Mônica, Keika, que era de origem japonesa.

Este ano também haverá uma série de comemorações pelos 110 anos do início dessa história.

População nipo-brasileira

Sabrina Sato, Fernanda Takai, Daniele Suzuki, Luiz Gushiken, Mitsuyo Maeda… você deve conhecer todas essas pessoas. O nome e os olhos puxados já indicam: eles são descendentes de japoneses.

Ao todo, eles são mais de 1,5 milhão de japoneses e nipo-brasileiros compondo a maior comunidade japonesa fora do Japão. E ela está bem aqui, no Brasil!

Os pratos japoneses fazem sucesso no tupiniquim A culinária japonesa também é muito influente no Brasil

A população nipo-brasileira é bem ativa principalmente quando se trata de difundir a cultura nipônica aqui nos tupiniquins.

O número de associações, centros culturais, escolas de japonês (para conhecer mais sobre a cultura) é grande!

Uma das muitas contribuições da cultura japonesa no Brasil foi no meio das artes. As técnicas de cerâmica, fotografias e arte abstrata ganharam terreno principalmente com a última leva de imigrantes japoneses depois da segunda guerra.

A cidade de São Paulo apresenta muita influência dos japoneses, principalmente no bairro Liberdade. Há feiras, comércios, restaurantes, centros culturais japoneses. Eles também fizeram uma versão da caipirinha com sakê: a sakerinha.

Eles também apresentam a cultura japonesa através de lutas marciais como o Judô, Sumô, Aikido
Karatê, Jiu-jitsu (representada muito bem pelos brasileiros) entre outras.

A espiritualidade não ficou para trás. Muitos japoneses trouxeram com eles suas crenças no xintoísmo e budismo. Podemos reparar no bairro Liberdade alguns portais vermelhos imitando os templos no Japão.

E os restaurantes japoneses? Eles estão presentes no país inteiro. Podemos encontrar cópias fiéis de restaurantes japoneses do Japão em São Paulo, por exemplo.

Comunidade brasileira no Japão

Após a imigração japonesa no Brasil, que durou cerca de 60 anos (início do século XX até os anos 70), foi a vez dos brasileiros partirem para o Japão no final do século, nos anos 80.

Na maioria dos casos, eles eram nipo-brasileiros. Eles são conhecidos como os decasséguis no Japão (aprenda japonês para ir ao país). Muitos foram trabalhar nas indústrias automobilísticas, tecnológicas e na construção civil para tentar melhores condições de vida na terra do sol nascente.

Porém, mesmo os brasileiros com ascendência japonesa sofrem muito preconceito por não saberem o idioma. Além disso, o diploma brasileiro não é válido no Japão. Por isso, o diploma de muitos não contam e eles não conseguem ter o mesmo nível de vida de um japonês com o mesmo grau de estudos.

Como podemos concluir facilmente, a situação de agora não é a mesma que do início do século XX: o Japão se tornou a 3ª economia mundial e o Brasil se encontra entre seus “altos e baixos” com uma gritante desigualdade social (uma das maiores do mundo).

Atualmente, mais de 170 mil brasileiros estão no Japão. A estimativa era muito maior antes de 2008, ano de crise econômica japonesa. Muitos decasséguis voltaram para o Brasil graças ao  rápido crescimento brasileiro vivenciado nos anos de 2010. Mas com a volta da crise, muitos quiseram retornar ao Japão, continuando mais estável que o Brasil (o que você está esperando para aprender japonês?).

Relações comerciais entre o Brasil e o Japão

O Brasil e o Japão têm relações comerciais que começaram no final do século XIX justamente com o tratado de amizade entre os dois países.

Nessa época, eles fizeram esse acordo justamente pensando na imigração japonesa no Brasil (aprenda japonês para o trabalho). Mas os laços foram abertos também no sentido comercial.

Conheça os pontos em comum dos brasileiros e japonesas Você pode encontrar muitos produtos japoneses no bairro Liberdade em São Paulo

Alguns setores como o biocombustível (produção de álcool e diesel) são bem estimulados no comércio nipo-brasileiro. Além do combustível, os negócios entre os dois países também se passa pela agricultura.

Muitas indústrias japonesas foram instaladas no Brasil, principalmente as automobilísticas e eletrônicos: Toyota, Mitsubishi, Yamaha, Honda, Subaru, Suzuki, Nissan…

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