Ama poemas infantis? A arte da declamação de poemas para crianças é uma forma encantadora de introduzir os pequenos ao mundo da literatura e da expressão oral. 

Por meio da recitação, elas desenvolvem sensibilidade, imaginação, confiança e domínio da linguagem. Declamar poemas estimula a criatividade e ajuda na formação emocional, já que muitas obras infantis tratam de sentimentos, natureza e convivência de forma lúdica.

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Poetas mais conhecidos em poema infantil

Entre os poetas mais conhecidos nesse universo estão Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, José Paulo Paes e Mario Quintana, cujas obras combinam musicalidade e simplicidade. Poemas como “A Casa”, “O Menino Azul”, “O Relógio”, “As Borboletas” e “Ou Isto ou Aquilo” são clássicos usados em escolas e apresentações.

E, claro, no artigo de hoje, separei o melhor da poesia infantil para você estudar em casa! Vem comigo e veja o guia de poema infantil.

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A Casa – Vinícius de Moraes

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada

Ninguém podia
Entrar nela, não
Porque na casa
Não tinha chão

Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede

Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali

Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número zero

Esse é meu poema infantil preferido!

O Menino Azul – Cecília Meireles

O menino quer um burrinho
Pra passear.
Um burrinho manso, que não corra nem pule,
Mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
Que saiba dizer
O nome dos rios, das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
Que saiba inventar
Histórias bonitas com pessoas e bichos
E com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
Que é como um jardim...
A procurar o burrinho falante
Do menino assim.

As Borboletas – Vinícius de Moraes

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas

Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!

O Relógio – Vinícius de Moraes

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Passa tempo, tic-tac,
Tic-tac, passa hora,
Chega logo, tic-tac,
Tic-tac, vai-te embora.

Passa tempo, bem depressa,
Não atrasa, não demora,
Que já estou muito cansado
E preciso ir embora.

Leilão de Jardim – Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
Lavadeiras e passarinhos,
Ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
Uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão.)

Esses poemas infantis são tudo de bom, né? Veja também esse guia de poesias românticas.

A Porta – Vinícius de Moraes

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado.

Eu abro bem pra passar
O boi, a copa, o passarinho.
E, às vezes, eu fico fechada
Pra que ninguém veja o ninho.

Eu passo o dia fechada
Pra todos que vêm bater.
Mas de noite, abro de par em par
Pra quem quiser me querer.

O Pato – Vinícius de Moraes

Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá,
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.

O pato pateta
Pintou o caneco,
Surrou a galinha,
Bateu no marreco,

Pulou do poleiro,
No pé do cavalo,
Levou um coice,
Criou um galo.

Comeu um pedaço
De jenipapo,
Ficou engasgado
Com um caroço no papo.

Caiu no poço,
Quebrou a tigela,
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

Separei um artigo completo sobre poemas.

O Girassol – Cecília Meireles

De um lado cantava o sol,

do outro, suspirava a lua.

No meio, brilhava a tua

face de ouro, girassol!

Ó montanha da saudade

a que por acaso vim:

outrora, foste um jardim,

e és, agora, eternidade!

De longe, recordo a cor

da grande manhã perdida.

Morrem nos mares da vida

todos os rios do amor?

Ai! celebro-te em meu peito,

em meu coração de sal,

Ó flor sobrenatural,

grande girassol perfeito!

Acabou-se-me o jardim!

Só me resta, do passado,

este relógio dourado

que ainda esperava por mim . . .

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A Foca – Vinícius de Moraes

Quer ver a foca

Ficar feliz?

É pôr uma bola

No seu nariz

Quer ver a foca

Bater palminha?

É dar a ela

Uma sardinha

Quer ver a foca

Comprar uma briga?

É espetar ela

Bem na barriga

Lá vai a foca

Toda arrumada

Dançar no circo

Pra garotada

Lá vai a foca

Subindo a escada

Depois descendo

Desengonçada

Quanto trabalha

A coitadinha

Pra garantir

Sua sardinha

O Mosquito Escreve – José Paulo Paes

O mosquito pernilongo

trança as pernas, faz um M,

depois, treme, treme, treme,

faz um O bastante oblongo,

faz um S.

O mosquito sobe e desce.

Com artes que ninguém vê,

faz um Q,

faz um U, e faz um I.

Este mosquito

esquisito

cruza as patas, faz um T.

E aí,

se arredonda e faz outro O,

mais bonito.

Oh!

Já não é analfabeto,

esse inseto,

pois sabe escrever seu nome.

Mas depois vai procurar

alguém que possa picar,

pois escrever cansa,

não é, criança?

E ele está com muita fome.

Ah, e claro, lá vai uma pergunta: você gosta de poemas concretos?

O Elefante – Vinícius de Moraes

Onde vais, elefantinho

Correndo pelo caminho

Assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho

Espetaste o pé no espinho

Que sentes, pobre coitado?

Estou com um medo danado

Encontrei um passarinho!

Isso é o melhor da poesia infantil!

A Língua do Nhem – Cecília Meireles

Havia uma velhinha

que andava aborrecida

pois dava a sua vida

para falar com alguém.

E estava sempre em casa

a boa velhinha

resmungando sozinha:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O gato que dormia

no canto da cozinha

escutando a velhinha,

principiou também

a miar nessa língua

e se ela resmungava,

o gatinho a acompanhava:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

Depois veio o cachorro

da casa da vizinha,

pato, cabra e galinha

de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam

a falar noite e dia

naquela melodia

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

De modo que a velhinha

que muito padecia

por não ter companhia

nem falar com ninguém,

ficou toda contente,

pois mal a boca abria

tudo lhe respondia:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O Leão – Vinícius de Moraes

Leão! Leão! Leão!

Rugindo como um trovão

Deu um pulo, e era uma vez

Um cabritinho montês

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação

Tua goela é uma fornalha

Teu salto, uma labareda

Tua garra, uma navalha

Cortando a presa na queda

Leão longe, leão perto

Nas areias do deserto

Leão alto, sobranceiro

Junto do despenhadeiro

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação

Leão na caça diurna

Saindo a correr da furna

Leão! Leão! Leão!

Foi Deus quem te fez ou não

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação

O salto do tigre é rápido

Como o raio, mas não há

Tigre no mundo que escape

Do salto que o leão dá

Não conheço quem defronte

O feroz rinoceronte

Pois bem, se ele vê o leão

Foge como um furacão

Leão! Leão! Leão!

Es o rei da criação

Leão! Leão! Leão!

Foi Deus quem te fez ou não

Leão se esgueirando à espera

Da passagem de outra fera

Vem um tigre, como um dardo

Cai-lhe em cima o leopardo

E enquanto brigam, tranqüilo

O leão fica olhando aquilo

Quando se cansam, o leão

Mata um com cada mão

O Gato – Vinícius de Moraes

Com um lindo salto

Leve e seguro

O gato passa

Do chão ao muro

Logo mudando

De opinião

Passa de novo

Do muro ao chão

E pisa e passa

Cuidadoso, de mansinho

Pega e corre, silencioso

Atrás de um pobre passarinho

E logo pára

Como assombrado

Depois dispara

Pula de lado

Se num novelo

Fica enroscado

Ouriça o pêlo, mal-humorado

Um preguiçoso é o que ele é

E gosta muito de cafuné

Com um lindo salto

Leve e seguro

O gato passa

Do chão ao muro

Logo mudando

De opinião

Passa de novo

Do muro ao chão

E pisa e passa

Cuidadoso, de mansinho

Pega e corre, silencioso

Atrás de um pobre passarinho

E logo pára

Como assombrado

Depois dispara

Pula de lado

E quando à noite vem a fadiga

Toma seu banho

Passando a língua pela barriga

Convite – José Paulo Paes

Poesia

é brincar com palavras

como se brinca

com bola, papagaio,pião.

Só que

bola, papagaio,pião

de tanto brincar

se gastam.

As palavras não:

quanto mais se brinca

com elas

mais novas ficam.

como a água do rio

que é água sempre nova.

como cada dia

que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?

O Vento – Cecília Meireles

O cipreste inclina-se em fina reverência

e as margaridas estremecem, sobressaltadas.

A grande amendoeira consente que balancem

suas largas folhas transparentes ao sol.

Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,

os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.

Frondes rendadas de acácias palpitam inquietantemente

com o mesmo tremor das samambaias

debruçadas nos vasos.

Fremem os bambus sem sossego,

num insistente ritmo breve.

O vento é o mesmo:

mas sua resposta é diferente, em cada folha.

Somente a árvore seca fica imóvel,

entre borboletas e pássaros.

Como a escada e as colunas de pedra,

ela pertence agora a outro reino.

Se movimento secou também, num desenho inerte.

Jaz perfeita, em sua escultura de cinza densa.

O vento que percorre o jardim

pode subir e descer por seus galhos inúmeros:

ela não responderá mais nada,

hirta e surda, naquele verde mundo sussurrante.

O Cachorro – Vinícius de Moraes

Mas que amor de cachorrinha!

Mas que amor de cachorrinha!

Pode haver coisa no mundo

Mais branca, mais bonitinha

Do que a tua barriguinha

Crivada de mamiquinha?

Pode haver coisa no mundo

Mais travessa, mais tontinha

Que esse amor de cachorrinha

Quando vem fazer festinha

Remexendo a traseirinha?

Uau,uau,uau,uau!

Uau,uau,uau,uau!

Os melhores livros de poesia infantil

A poesia infantil é uma das formas mais encantadoras de introduzir as crianças ao universo literário. Ela desperta a imaginação, estimula a linguagem e ensina valores de forma leve e musical. 

Diversos autores brasileiros e internacionais se dedicaram a escrever versos especialmente para os pequenos, obras que se tornaram clássicos e continuam sendo lidas em escolas e lares até hoje. 

Abaixo, conheça os principais livros de poesia infantil, com detalhes sobre seus autores, contexto e importância.

A Arca de Noé – Vinícius de Moraes (1970)

@ddm_pro_audio

“Como que você aprendeu a cantar?” Resposta simples: Album Arca de Noé de Vinicius de Morais. #viniciusdemoraes #musicapopularbrasileira

♬ som original - Ddm Pro Audio

Publicado pela primeira vez em 1970, A Arca de Noé é um marco da poesia infantil brasileira. Escrito por Vinícius de Moraes — diplomata, poeta e compositor —, o livro reúne 32 poemas inspirados no universo dos animais, todos rimados e cheios de musicalidade. 

Entre os mais conhecidos estão O Pato, O Leão, O Relógio e A Casa. A obra ganhou ainda mais notoriedade ao ser adaptada em discos infantis com músicas compostas por Vinícius e Toquinho, lançados entre 1980 e 1981. 

Ou Isto ou Aquilo – Cecília Meireles (1964)

Ama poemas infantis? Lançado em 1964, Ou Isto ou Aquilo é um dos livros mais conhecidos da escritora Cecília Meireles, uma das maiores poetisas da língua portuguesa. A obra reflete a delicadeza e o lirismo característicos de Cecília, explorando o olhar curioso da infância diante do mundo. 

Os poemas tratam de temas como escolhas, imaginação, tempo e natureza. Versos como O Menino Azul, As Borboletas e o poema-título Ou Isto ou Aquilo são amplamente estudados nas escolas. 

Leilão de Jardim – Cecília Meireles (1948)

Publicado em 1948, Leilão de Jardim é outro clássico de Cecília Meireles voltado ao público infantil. Nesta obra, a autora cria uma atmosfera lúdica e encantadora em que flores e elementos da natureza “participam” de um leilão poético. 

O livro mostra a sensibilidade de Cecília ao retratar o mundo natural como algo mágico, despertando nas crianças o amor pela vida e pela beleza do cotidiano. A musicalidade dos versos e as imagens poéticas sutis fazem dessa obra uma leitura agradável para todas as idades.

Poemas para Brincar – José Paulo Paes (1991)

Escrito por José Paulo Paes e lançado em 1991, Poemas para Brincar é uma coletânea que transforma o ato de ler poesia em pura diversão. O autor, conhecido por seu humor e engenhosidade, cria poemas curtos e rimados que jogam com as palavras, os sons e os sentidos. 

Ele convida o leitor a brincar com o idioma, explorando trocadilhos, enigmas e rimas inesperadas. É um excelente livro para ser utilizado em sala de aula, pois estimula a leitura criativa e a expressão oral das crianças.

beenhere
A Borboleta e a Neve – Ruth Rocha (2003)

Publicada em 2003, A Borboleta e a Neve é uma das obras mais poéticas de Ruth Rocha, autora consagrada da literatura infantil brasileira. 
No livro, a escritora aborda temas como mudança, liberdade e esperança, através da jornada de uma borboleta curiosa que descobre a beleza e a efemeridade da vida. 
A linguagem é delicada e simbólica, ideal para crianças que já iniciam o contato com textos mais reflexivos. A narrativa é acompanhada de belas ilustrações, reforçando o caráter visual e sensorial da poesia.

Poemas da Tarde – Elias José (1994)

Lançado em 1994, Poemas da Tarde é uma das obras mais conhecidas do mineiro Elias José, autor que dedicou grande parte da carreira à literatura para crianças e jovens. 

O livro reúne poemas sobre temas do cotidiano infantil — escola, amizade, natureza, sonhos e brincadeiras — tratados com afeto e simplicidade. Perfeito para quem ama poema infantil.

Red Sings from Treetops: A Year in Colors – Joyce Sidman (2009)

Lançado em 2009, o livro Red Sings from Treetops: A Year in Colors, de Joyce Sidman, é um exemplo notável de poesia visual. Cada poema celebra uma cor e sua relação com as estações do ano, criando um passeio lírico pelo tempo e pela natureza. 

As ilustrações de Pamela Zagarenski, premiadas com a Caldecott Honor, completam a experiência sensorial. Apesar de ser uma obra internacional, traduzida para diversos idiomas, o livro é excelente para ensinar crianças a observar o mundo com sensibilidade poética.

E na sua opinião, quais são os principais poemas infantis?

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Daiane Souza

Daiane Souza

Jornalista (0007147/SC) e redatora SEO com vasta experiência em diferentes empresas: Receitinhas, Yooper, Marfin, Petrosolgas, Diário Prime, Superprof, Tec Mobile, Hora de Codar e muito mais!