A evasão escolar é a decisão do estudante em abandonar ou deixar de frequentar a escola antes de concluir as etapas de educação básica. Essa ação pode ocorrer por diversos motivos, sejam econômicos, sociais, familiares ou pedagógicos.
O problema evasão escolar é um dos principais desafios dos sistemas educacionais, principalmente em países que apresentam alto índices de desigualdades sociais e econômicas. A evasão escolar no Brasil tem atingindo um número significativo - e preocupante.
que abandonaram a escola ou nunca frequentaram em 2024¹
Com isso, a evasão escolar no Brasil tem comprometido o direito à educação e limitado as oportunidades de crianças e adolescentes de se desenvolverem pessoalmente e profissionalmente. Se você quer entender o contexto do abandono escolar na educação brasileira, acompanhe este texto!
Evasão escolar no contexto educacional brasileiro
A evasão escolar ainda é um problema persistente no Brasil. Os dados brasileiros quanto à evasão escolar são preocupantes, uma vez que uma grande quantidade de crianças e adolescentes não estão frequentando a escola.
Conforme o PNAD Contínua Educação, 8,7 milhões de jovens, com idades entre 14 e 29 anos, abandonaram a escola, não completando o ensino médio, seja por não terem concluído essa etapa ou por nunca terem de matriculado em uma escola4.

O crescimento expressivo da evasão escolar no Brasil tem relação direta com a pandemia da Covid-19.
Os problemas econômicos e as dificuldades de ensino remoto afetaram as populações mais vulneráveis, levando ao aumento do abandono escolar.
A etapa da educação básica que apresenta maiores problemas relativos à repetência e à evasão é a do ensino médio. Muitos estudantes não conseguem concluir essa etapa1.
As regiões Norte e Nordeste brasileira têm os maiores índices de evasão escolar1.
O abandono escolar tem sido um desafio para a educação brasileira nos últimos anos. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), indica que o abandono escolar aumentou em 10,6%, de 2019 para 20213.
Os dados desse censo podem ser visualizados a seguir, considerando as diferentes regiões do Brasil: sul, sudeste, nordeste, norte, centro-oeste e o Brasil no geral. Conforme os dados, percebe-se que o maior índice de abandono escolar em 2021 foi no Nordeste, com 135.909 abandonos3.
Já a região com menor índice de abandono escolar é o Centro-Oeste, com somente 13.663 abandonos em 2021. Inclusive, em todos os anos, essa região demonstrou um menor índice de abandono, como é possível visualizar nos dados do censo escolar abaixo3.
| Região do Brasil | 2019 | 2020 | 2021 |
|---|---|---|---|
| Sul | 42.228 | 43.312 | 55.492 |
| Sudeste | 97.893 | 65.287 | 89.809 |
| Nordeste | 105.496 | 42.739 | 135.909 |
| Norte | 68.373 | 8.735 | 82.653 |
| Centro-oeste | 27.221 | 6.571 | 13.663 |
| Brasil | 341.211 | 165.644 | 377.526 |
É importante destacar que, no ano de 2020, os dados do censo não podem ser os mais assertivos devido à pandemia, uma vez que esse período impossibilitou uma detectação mais precisa quanto ao abandono esoclar3.
Além da análise do abandono escolar quanto à região, também é importante fazer a análise quanto à condição socioeconômica. Conforme dados de uma pesquisa realizada pelo IBGE, o abandono escolar de jovens de famílias pobres é oito vezes maio5r.
De acordo com a pesquisa, 11,8% dos jovens de famílias pobres tinham deixado de frequentar a escola sem finalizar o ensino médio; enquanto 1,4% dos jovens de famílias mais ricas tinham deixado de frequentar a escola sem finalizar o ensino médio5.
Idealmente, o sistema de ensino devia oferecer igualdade de oportunidades para todos, independentemente da origem, para que a pessoa pudesse desenvolver seus potenciais. Mas ele reflete a estrutura social do país.
Analista do IBGE, Betina Fresneda, em pesquisa sobre o "Abandono escolar no país"
As desigualdades sociais e regionais afetam o acesso à educação e a permanência dos estudantes nas escolas. Por isso, as políticas educacionais precisam se adaptar à realidade de cada região para gerar resultados mais eficazes.
Vale destacar que os prejuízos gerados pela evasão escolar no Brasil são sociais e econômicos, uma vez que esse problema provoca crescimento da violência, diminuição da atividade econômica, redução da renda, dificuldade do acesso ao emprego e continuidade da pobreza1.
Diferentes atores devem se envolver para evitar o abandono escolar, especialmente as famílias e as escolas. Quando a família acompanha a rotina escolar do estudante, demonstra interesse pelo desempenho dos estudos e incentiva a sua continuidade, o estudante se sente mais motivado a continuar os estudos e permanecer na escola.
A participação ativa do aluno nas atividades e nas práticas pedagógicas também reduz a possibilidade de evasão escolar, uma vez que o estudante se sente mais valorizado e acolhido no ambiente escolar. Essas atividades podem ser projetos tecnológicos, esportivos ou culturais, por exemplo.
No mais, o apoio psicológico, a orientação educacional e os programas de reforço escolar também contribuem com a superação dos desafios escolares por parte do estudante. Assim, pode-se diminuir as taxas de evasão escolar no Brasil.
Principais causas da evasão escolar no Brasil
Conforme pesquisa realizada pelo IBGE em 2024, o abandono escolar apresenta um maior percentual a partir dos 16 anos de idade, apesar do abandono precoce também ter um alto índice. Os resultados dessa pesquisa mostraram que 16,5% dos jovens abandonaram a escola aos 16 anos de idade1, ou seja, a partir do ensino médio.
Além disso, 19,9% dos estudantes abandonaram a escola aos 17 anos de idade e 20,7% dos estudantes abandonaram a escola aos 18 anos de idade. Quanto aos alunos do ensino fundamental, 6,5% abandonaram a escola aos 13 anos e 6,4% deixaram de frequentar a escola aos 14 anos1.
Essa mesma pesquisa realizada pelo IBGE perguntou aos jovens de 14 a 29 anos as principais causas da evasão escolar Brasil. As principais causas foram as seguintes: necessidade de trabalhar (42%) e não ter interesse em estudar (25,1%)1.
É o principal motivo da evasão escolar no Brasil¹
Vale destacar que o percentual dessas respostas variaram conforme o gênero do entrevistado. Entre os estudantes homens de 14 a 29 anos, o motivo com maior percentual foi a necessidade de trabalhar (53,6%). Em segundo lugar, foi a falta de interesse em estudar (26,9%) e em terceiro foi problemas de saúde (4,2%).
Entre as estudantes mulheres de 14 a 29 anos, o principal motivo também foi a necessidade de trabalhar (25,1%), seguido da gravidez (23,4%), da falta te interesse em estudar (22,5%) e tarefas domésticas ou precisão de cuidar de outras pessoas (9%).
Esses resultados evidenciam que, além da condição econômica, as responsabilidades reprodutivas e domésticas ainda estão entre os principais entraves para a permanência das mulheres jovens na escola. Para os homens, a atribuição do trabalho remunerado é o fator marcante para o abandono escolar.
Analista do IBGE, Agência IBGE Notícias (2025)¹
Entre os principais motivos das mulheres, estão a gravidez e a necessidade de cuidar de terceiros, os quais não são presentes da lista de motivos apontada pelos homens. Em contrapartida, o percentual de homens que abandonou os estudos por conta da necessidade de trabalhar (53,6%) é bem maior do que o das mulheres (25,1%).
Vale destacar que também existem casos de estudantes que abandonam a escola devido à sensação de insegurança e falta de acolhimento decorrente da ocorrência de bullying escolar. Isso significa que a violência na escola também leva à evasão de estudantes.
Consequências da evasão escolar
A evasão escolar gera prejuízos sociais e econômicos para o Brasil. Estima-se que o abandono escolar gere uma perda bilionária para a economia brasileira, anualmente.
de reais por ano²
Desse valor de 130 milhões de reais, estima-se que 35 bilhões de reais são relativos à diminuição da renda da população; 49 bilhões de reais são referentes à queda da atividade econômica; e 18 bilhões de gastos anuais referentes ao combate à criminalidade e à violência.
O abandono escolar contribui para a manutenção do ciclo da pobreza em comunidades com maior vulnerabilidade. A evasão escolar aumenta a chances de que os jovens, que abandonaram a escola, sofram com desemprego ou tenham trabalhos informais ou mal remunerados.
A desistência dos estudos por parte dos jovens estudantes diminui a qualificação da mão de obra e a produtividade do Brasil, aumentando a desigualdade de renda. Portanto, as consequências, em geral, são as seguintes:
- Diminuição do nível de escolaridade da população brasileira;
- Inserção em trabalhos informais ou com baixos salários;
- Maior taxa de desemprego;
- Diminuição do crescimento econômico do país;
- Queda na renda individual e familiar;
- Maior vulnerabilidade social;
- Aumento da desigualdade social;
- Maior exposição à violência e à criminalidade;
- Piores condições de saúde e de qualidade de vida.
Diante das consequências da evasão escolar listadas acima, conclui-se que o abandono escolar não é apenas um problema no setor da educação, mas também uma questão que envolve a segurança social, a saúde pública e o desenvolvimento nacional2.
Para resolver esse problema e promover o desenvolvimento da educação no país, faz-se necessária a criação e a implementação de políticas públicas integradas. A educação brasileira conta com algumas políticas públicas e programas eficazes de combate à evasão escolar no Brasil.
Políticas públicas e programas de combate ao abandono escolar
O Brasil conta com algumas políticas públicas e programas de combate à evasão escolas, como Brasil na Escola, Pé de Meia e Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE)2. Saiba mais sobre essas políticas públicas voltadas à educação brasileira e a redução da evasão escolar no Brasil.
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Brasil na Escola
Esse programa é uma iniciativa do governo federal que tem o objetivo de melhorar a qualidade da educação básica e reduzir o índice de evasão escolar, fortalecendo o processo de ensino-aprendizagem e garantindo a permanência dos estudantes nas escolas. Desse modo, o Brasil na Escola visa reduzir o abandono e a evasão escolar, combater o atraso escolar e a reprovação e promover a equidade educacional.
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Pé de Meia
Esse programa de educação criado pelo governo federal tem o objetivo de incentivar a permanência e a conclusão dos estudos de alunos do ensino médio. Os problemas combatidos pelo programa Pé de Meia são a evasão escolar e o abandono escolar, principalmente de estudantes que encontram-se em situação de vulnerabilidade social. Assim, o programa oferece apoio financeiro para estimular a continuidade nos estudos.
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Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE Básico)
Esse programa público de educação foi criada com o intuito de transferir recursos financeiros diretamente para as escolas públicas de educação básica. Se tem uma coordenação do Ministério da Educação (MEC) com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
A proposta desse programa é melhorar a gestão, a infraestrutura e o funcionamento das escolas.
O programa Brasil na Escola oferece apoio técnico e financeiro para as instituições de ensino da rede pública. Dessa forma, essas escolas desenvolvem ações pedagógicas que contribuam com o alcance dos objetivos, os quais são o combate ao atraso escolar e a redução da evasão escolar no Brasil.
A proposta é manter as crianças e os adolescentes na escola através de acompanhamento individual dos alunos com dificuldade, de projetos de reforço escola e recuperação, de formação de professores e do monitoramento da frequência escolar dos estudantes.
O programa Brasil na Escola prioriza instituições de ensino com baixo desempenho na educação
Essa política pública brasileira fortalece a educação básica e diminui a desigualdade, tentando solucionar um dos principais problemas educacionais: garantir as matrículas de estudantes na escola, além da sua permanência e aprendizado.
O programa Pé de Meia, por sua vez, incentiva a frequência escolar e estimula a conclusão do ensino médio, promovendo a igualdade de oportunidades na educação. O incentivo se dá através de incentivos financeiros aos alunos matriculados no ensino médio de instituições de ensino da rede pública.
Os alunos matriculados em escolas da rede pública e com bom índice de frequência escolar recebem um incentivo financeiro mensal. Os valores são depositados no final de cada ano letivo, e se realiza um pagamento adicional aos alunos que fazem o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Então, esse programa funciona como uma "poupança educacional", contribuindo com a permanência dos estudantes nas escolas e diminuindo a evasão escolar. Essa ação é importante para as crianças e adolescentes que abandonam a escola para trabalhar e/ou contribuir com a renda familiar.
O Programa Dinheiro Direto na Escola, por sua vez, contribui para que o ensino das escolas melhorem a fim de que os estudantes permaneçam nas instituições de ensino, reduzindo o abandono e a evasão escolar.
Os recursos financeiros recebidos podem ser usados para pequenos reparos, compra de materiais, aquisição de equipamentos e melhoria do ambiente escolar em geral. Dessa forma, as escolas tornam-se ambientes mais agradáveis para os estudos.
Além disso, existe a Busca Ativa Escolar, que é uma iniciativa promovida pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) junto ao Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF). Essa estratégia tem o objetivo de identificar as crianças e os adolescentes que encontram-se fora da escola ou que estão em processo de abandono da escola.
O programa atua em conjunto com conselhos tutelares, assistentes sociais, profissionais de saúde e profissionais de educação para identificar as causas do abandono escolar, encaminhar a matrícula ou a rematrícula do estudante e acompanhar a frequência escolar.
A Busca Ativa Escolar é considerada uma das estratégias de educação mais eficazes na redução do abandono escolar
O resultado positivo promovido por essas políticas públicas e programas de combate à evasão escolar depende do seu método de implementação. É necessário que tais programas e políticas da educação se adaptem à realidade local e atendam às necessidades dos estudantes.
No mais, o monitoramento contínuo dos resultados também é importante para que maximinar os efeitos positivos de tais políticas e programas. Dessa forma, uma maior quantidade de alunos pode ser beneficiada, diminuindo o abandono e a evasão escolar.
Para diminuir a evasão escolar no Brasil de alunos com deficiência, transtorno do especto autista (TEA), altas habilidades, ou superdotação, existe a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, que garante a igualdade de oportunidades.
Então, gostou de entender a atual situação da educação brasileira quanto à evasão escolar no Brasil? O abandono escolar ainda é um grande desafio para o país, e essa problemática se tornou ainda mais evidente após a pandemia, a qual elevou a desigualdade na educação.
Além das políticas que já existem, ainda é necessária a criação de programas que promovam resultados ainda mais eficientes, aumentando a frequência escolar dos estudantes, promovendo um ambiente acolhedor e seguro e possibilitando que os alunos se esforcem ainda mais para obter um futuro melhor através da eficiente educação inclusiva para todos.
Referências Bibliográficas
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Indicadores educacionais avançam em 2024, mas atraso escolar aumenta. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, 13 jun. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43699-indicadores-educacionais-avancam-em-2024-mas-atraso-escolar-aumenta. Acesso em 14 de mar. 2026.
- DE SOUSA, William Carlos et al. Evasão escolar no Brasil: uma análise dos fatores determinantes e estratégias de combate. Aracê, [S.I], v. 7, n. 9, p. e8214, 2025. DOI: 10.526238/arev7n9-204. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/8214. Acesso em 14 mar. 2026.
- INSTITUTO DE ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS (INESC). Abandono no ensino médio brasileiro entre 2019 e 2021. Brasília, 2023. Disponível em: https://inesc.org.br/wp-content-uploads/2023/10/estudo_abandono_escolar_inesc_malala-out2023.pdf. Acesso em 14 mar. 2026.
- BUSCA ATIVA ESCOLAR. PNAD Educação: 8,7 bilhões de jovens brasileiros abandonaram ou nunca frequentaram a escola. Disponível em: https://buscaativaescolar.org.br/noticia/pnad-educacao-8-7-milhões-de-jovens-brasileiros-abandonaram-ou-nunca-frequentaram-a-escola. Acesso em 14 mar. 2026.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Abandono escolar é oito vezes maior entre jovens de famílias mais pobres. Agência IBGE Notícias, 6 nov. 2019. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/25883-abandono-escolar-e-oito-vezes-maior-entre-jovens-de-familias-mais-pobres. Acesos em 14 mar. 2026.
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