A fotografia conceitual é um tipo de fotografia profissional que é uma forma de expressão artística, que vai muito além da simples captura de momentos ou paisagens. É um tipo de fotografia carregada de significado, representa ideias e emoções abstratas.
As composições cuidadosamente planejadas tem como foco principal comunicar ideias e sentimentos. Vamos explorar um pouco mais sobre esse tipo de fotografia, ou podemos dizer esse tipo de arte, no decorrer deste artigo.
O que é a Fotografia Conceitual?
O termo fotografia conceitual deriva do movimento de arte conceitual, que iniciou nos anos 60. É um gênero da fotografia que tem ênfase no conceito e não na técnica. Pode ser definida como uma abordagem que emprega elementos visuais para comunicar conceitos abstratos. Ao invés de retratar a realidade como ela é, o fotógrafo desse gênero constrói uma narrativa visual que instiga a imaginação do público.

Com alguma frequência, esse tipo de fotografia combina símbolos e metáforas e sentimentos, gerando imagens com um significado além do que é imediatamente visto. Por exemplo, uma imagem de alguém carregando um enorme relógio pode representar o fardo do tempo ou da rotina exaustivo para uns, ou ainda ter um significado totalmente diferente para outra pessoa, dependendo da sua vivência. Por vezes a fotografia conceitual pode ser considerada um subtipo da fotografia artística.
Portanto, a fotografia conceitual não retrata somente o mundo, como também o questionamento e a reinvenção. Em uma fotografia conceitual, o fotógrafo imagina um conceito previamente, e se bem executado pelo artista, ele é compreensível para quem vê a imagem posteriormente.
O uso de ferramentas como o Adobe Photoshop permite que os fotógrafos mesclem imagens realista para criar os seus conceitos surrealistas.
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As principais características da Fotografia Conceitual
Existem algumas características marcantes e específicas em uma fotografia para que ela seja considerada uma fotografia conceitual:
- Planejamento detalhado: antes de fotografar, existe um intenso processo de criação, que pode incluir até mesmo esboços, escolha de objetos ou cenários específicos, locações e elementos de iluminação. Nada em uma fotografia conceitual é colocado lá ao acaso. Tudo tem algum significado.
- Abordagem abstrata: por vezes, a mensagem não é totalmente explícita na imagem. É aqui que o observador é convidado a interpretar e refletir. A foto conceitual é capaz de criar uma interação única entre a obra e o observador.
- Simbologia e metáfora: os elementos utilizados para compor a imagem são cuidadosamente selecionados para provocar associações intelectuais e emocionais no espectador. Cada detalhe da imagem contribui para o significado real que se deseja transmitir.
- Temas universais: questões que afetam a todos como o medo, o amor, o tempo, o isolamento, a identidade pessoal, os sonhos, os desafios, as desigualdades, são comuns nesse tipo de fotografia, pois são sentimentos capazes de gerar a identificação de diferentes públicos.
- Manipulação e pós-produção: o uso de softwares de edição são comuns nesse tipo de foto. Uso de efeitos visuais são amplamente utilizados para intensificar o conceito inicial que se deseja transmitir. As vezes, são criados universos visuais que não poderiam existir sem a intervenção através do digital.
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Os métodos de expressão desse tipo de arte não se limita a fotografia. Antes disso, a arte conceitual antecede e influencia a fotografia conceitual. A Arte conceitual é um movimento de expressão que tem como objetivo central fazer com que o observador reflita sobre o universo, sobre si e suas relações sociais. Por isso é importante usar temas frequentes para criar conexão.
As principais aplicações da fotografia conceitual são a indústria fotografia publicitária, a denúncia social, a compreensão de ideias abstratas, o uso na psicologia para extrair ideias das pessoas e para fins ilustrativos de banco de imagens, por exemplo.
Há dois tipos principais de modalidades na fotografia conceitual: (1) opta por composições mais simples e com mensagens mais claras, sem muito espaço para interpretações divergentes. (2) ideias mais complexas, combinação de muitos elementos e símbolos, onde a interpretação depende da leitura do observador.
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Como fazer e criar fotos conceituais?
Para se criar uma foto conceitual que gere grande impacto é preciso prática, paciência e muita criatividade. Para que o processo criativo seja mais fácil e você consiga atingir o objetivo de transmitir um conceito, tenha em conta algumas etapas e processos:
Defina o conceito
Inicie o processo identificando e mapeando a mensagem que deseja comunicar através da imagem. Parta de um ponto inicial, uma palavra, um sentimento ou uma pergunta.
Faça um storyboard
Escreva as suas ideias em um papel, incluindo o enquadramento e os elementos que serão utilizados. Esse processo ajuda a visualizar o resultado final.
Escolha os elementos
A escolha dos objetos, cenário, personagem e demais elementos deve ter um propósito e representar alguma coisa no contexto da sua ideia inicial.
Uso de luz e contraste
A iluminação é um elemento chave na fotografia conceitual. Você pode usar tanto a iluminação natural como a artificial para criar sombras dramáticas e destacar elementos.
Explore a pós-produção
O uso de softwares de edição como o Lightroom e Photoshop são essenciais para realizar ajustes de cores, criar montagens que vão reforçar o conceito e adicionar efeitos na imagem.
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Um fotógrafo conceitual pode expressar a opinião sobre determinado tema, fazendo com que o seu público também reflita sobre aquele assunto. É importante escolher uma estética única e que represente o seu trabalho, para que o seu público possa identificar a sua obra. Desenvolver essa identidade pode levar algum tempo, mas é importante para que o seu trabalho torne-se relevante.
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A importância da fotografia conceitual na atualidade
A capacidade de abordar temas complexos de forma acessível e visual, faz com que a fotografia conceitual ocupe um lugar especial na arte contemporânea. Em um mundo completamente conectado através das redes e sobrecarregado com imagens, essas fotos se destacam por oferecer algo além da estética. Ela é capaz de provocar reflexão, gerar desconforto e permitir o diálogo. Vai além de uma fotografia documental.
A fotografia conceitual oferece uma alternativa mais profunda do que as imagens superficiais e instantâneas presente nas redes sociais. Os artistas conceituais da fotografia podem usar desse artifício para tratar de temas importantes e atuais como as mudanças climáticas, a saúde mental, a desigualdade social, a sobrecarga de trabalho, criando um impacto na vida das pessoas e da sociedade.
Já do ponto de vista comercial, a foto conceptual também encontrou algum espaço no meio publicitário, em que algumas campanhas querem abordar conceitos mais complexo e transmiti-los de forma visual impactante. Campanhas publicitárias, por vezes podem empregar elementos conceituais para chamar a atenção do público e passar os valores da marca, tornando-se um terreno fértil da fotografia de moda, por exemplo.
Inspirações e grandes nomes da fotografia conceitual
Como vimos, a fotografia conceitual convida para a reflexão e o diálogo. Instiga a ver novas perspectivas, explorando conceitos e sentimentos. Se você é novo na fotografia ou já é um veterano, há nomes que você pode explorar o trabalho para conhecer mais sobre este ramo da fotografia. São artistas que contribuem para alguma discussão relevante e narram histórias a partir da sua arte.
Brooke Shaden: uma fotógrafa norte-americana que o trabalho combina fantasia, melancolia e introspecção. Suas imagens são surreais e com um ar poético. Parecem que saíram direto de um conto de fadas sombrio. Usa também o autoretrato para abordar temas como mortalidade, identidade e isolamento, com um cuidado grande com a estética.
Gregory Crewdson: conhecido por suas fotografias que parecem verdadeiras cenas de cinema. Crewdson cria imagens com muita produção, geralmente em cenários suburbanos, que exploram temas como a solidão e a alienação. Suas fotos são extremamente planejadas, com o uso da luz e do cenário ao seu favor.
Erwin Olaf: esse fotógrafo holandês é conhecido por suas séries de fotografias cheias de conceito, narrativa e design. Aborda, frequentemente, temos como discriminação, sexualidade, envelhecimento e outros temas sociais, sempre com um cuidado com o estilo visual, os detalhes e a execução técnica perfeita.
Alex Stoddard: o jovem fotógrafo americano ganhou bastante notoriedade com suas fotografias de retrato conceituais e um trabalho autoral digno de grandes nomes da fotografia conceitual. Com um toque de surrealismo, suas imagens exploram emoções e temas existenciais. São trabalhos verdadeiramente impactantes e com uma técnica sofisticada.
Man Ray: foi um pioneiro no mundo da fotografia conceitual. Um artista dadaísta e surrealista que usava de técnicas inovadoras como as fotogramas no seu trabalho. Explorava temas como a identidade, sexualidade e abstração. Ainda hoje é uma grande influência no mundo da fotografia.
Cindy Sherman: a americana se tornou famosa por seus autoretratos transformando-se em diferentes personagens. Suas fotos examinam questões de identidade, gênero, envelhecimento, sempre com um tom provocador e uma abordagem criativa.
Gabriel Wickbold: no Brasil também temos talentos da fotografia conceitual, como é o caso de Gabriel. Wickbold trabalha com cores vibrantes e texturas para criar imagens marcantes. Explora temas como sensualidade, liberdade de expressão e identidade através do seu trabalho que usa principalmente o corpo humano como tela.
Esses são apenas alguns dos nomes nesse vasto universo da fotografia conceitual. Cada um desses verdadeiros artistas traz consigo uma visão única e técnicas distintas, tendo em comum uma grande habilidade em contar histórias e provocar a reflexão através das suas fotos.
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