Se você é brasileiro, certamente já ouviu falar alguma vez sobre Tiradentes. Afinal, sua relevância para a história do Brasil foi tão grande, que ele tem um feriado nacional em sua homenagem. Mas quem foi Tiradentes? Por que ele tem um dia em sua homenagem? O que ele fez de tão importante? Por que seu nome é tão falado nas aulas de história?
Para saber sobre a história de Joaquim José da Silva da Silva Xavier, o Tiradentes, é preciso conhecer a história do Brasil e do movimento chamado Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira. O movimento separatista ocorreu na década de 1780 na então capitania de Minas Gerais. Coordenado pela elite mineira da época, tinha como principais reinvindicações a Proclamação da República, a realização de eleições, instalação de manufaturas para diversificar a economia da capitania, uma vez que a mineração já estava em declínio, além de manifestarem a insatisfação em relação a tributação cobrada pela Coroa Portuguesa.
Tamanha riqueza, atraía a atenção e rigidez da Coroa Portuguesa em relação a cobrança dos impostos. As altas taxações contribuíram para ruir com a relação entre a Coroa e os colonos.
O berço do movimento separatista aconteceu na então capital mineira, Vila Rica, conhecida hoje como Ouro Preto. Em meados do século XVIII, Vila Rica era a maior cidade brasileira e o principal centro econômico, atraindo os mais ricos da capitania para construir suas residências e fixarem morada na cidade.
O tratamento da Coroa Portuguesa em relação a capitania, com a criação das Casas de Fundição, a cobrança do "quinto", a Capitação e a possibilidade da Derrama geraram grande insatisfação entre a população mais rica, formada pelos proprietários rurais, militares, comerciantes, intelectuais e clérigos. Foram então que essas personagens iniciaram a revolta conhecida como Inconfidência Mineira.
História do Brasil: as mentes por trás do movimento da Inconfidência
Seu professor de história deve ter contado sobre a obrigatoriedade da circulação do ouro em barras após serem cunhados pelo governo e retirado "o quinto", parte correspondente ao imposto cobrado pela Coroa Real Portuguesa. As casas de fundição e as cobranças crescentes de taxas fizeram parte do estopim que despertou um grande descontentamento dos mais ricos da capitania do ouro em relação a Coroa.

O movimento separatista, sediado na capitania de Minas Gerais, era comandado principalmente pela classe mais abastada, e contou com a participação de poetas, militares, religiosos e intelectuais. A conjuração pretendia a independência apenas da capitania mineira, na época ainda não vislumbravam a libertação da colônia brasileira inteira. A capitania mineira, em razão da extração de ouro e diamantes, era a mais rica da colônia brasileira e havia prosperado bastante. Vamos contar um pouco sobre os principais nomes envolvidos no movimento no decorrer deste artigo.
José da Silva e Oliveira Rolim, Carlos Correia de Toledo, Melo e Manuel Rodrigues da Costa e Luís Vieira da Silva
Esses quatro nomes pertenciam ao grupo dos clérigos, os padres e jesuítas católicos que participaram do movimento.
José da Silva e Oliveira Rolim era um dos mais ricos do movimento. Envolvido em atividades ilegais com as quais fez fortuna, como o contrabando de diamantes e escravos, procurou a carreira eclesiástica para livrar-se do processo criminal. Padre Rolim, como era chamado, foi julgado e preso junto com seus companheiro inconfidentes. Ficou 15 anos preso e ao sair lutou para reaver todos os seus bens confiscados.
Carlos Correia de Toledo e Melo era pároco na Vila de São João Del-Rei, hoje a cidade de Tiradentes. Foi deportado para Portugal e ficou em clausura com os franciscanos de Lisboa.

Manuel Rodrigues da Costa foi sacerdote, político e revolucionário. Participou, além da Inconfidência Mineira, da Primeira Assembleia Nacional Constituinte do Brasil. Foi influenciado por Tiradentes a aderir o movimento. Condenado a dez anos de degredo em Lisboa, teve muitos dos seus bens confiscados. Participou ativamente de eventos que levaram ao Dia do Fico e a Independência do Brasil.
O jesuíta Luís Vieira da Silva era cônego do Cabido da Catedral de Mariana e Professor de Filosofia. Considerado um dos mais cultos do movimento e um brilhante orador, causando grande preocupação à Coroa Portuguesa. Sua atuação evidenciava os ideais franceses de liberdade que orientaram o movimento. Foi condenado ao degredo na Ilha de São Tomé.
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João Rodrigues de Macedo e Domingos de Abreu Vieira
Os contratadores tinham obrigação de arrecadar os tributos e repassar a quantia estabelecida para Portugal. Alguns deles também aderiram ao movimento.
João Rodrigues de Macedo foi um importante banqueiro, comerciante e contratador da Capitania de Minas Gerais. Foi o quarto de nove filhos de um casal de agricultores que permitiram que os filhos estudassem e escolhessem outras profissões. Financiou o estudo de vários jovens de famílias mais pobres na Universidade de Coimbra em Portugal e foi um benfeitor da Casa da Ópera de Ouro Preto. Construiu sua residência em Vila Rica, um verdadeiro palacete, hoje o museu Casa dos Contos.
Domingos de Abreu Vieira era Tenente Coronel da Cavalaria de Minas Novas e também comerciante e contratador. Foi preso na cadeira de Vila Rica por participar do movimento da Inconfidência. Sua casa também é parte do patrimônio cultural de Minas Gerais.
Inácio José de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga
Pertenciam a classe dos poetas e intelectuais que participaram ativamente da revolta contra a Coroa Portuguesa.
Inácio José de Alvarenga Peixoto era poeta e advogado e foi um dos mais influentes articuladores do movimento. Foi condenado a deportação perpétua na África, onde morreu de febre tropical logo após sua chegada. É atribuído a ele os dizeres da atual bandeira do estado de Minas Gerais "Libertas quae sera tamen".

Cláudio Manuel da Costa também era advogado e poeta, além de atuar na mineração. Era um pensador com a mente aberta, fazendeiro abastado e cidadão ilustre de Vila Rica. Teve uma carreira bem sucedida no campo politico e literário.
Tomás Antônio Gonzaga era poeta, jurista e um ativista político. Participou do movimento da inconfidência mineira e também foi um ator importante na independência do Brasil de Portugal. Escreveu o poema satírico Cartas Chilenas que deferia críticas ao governo colonial. Como era funcionário público, fazia parte do grupo menos abastado de inconfidentes. É considerado um dos maiores escritores da sua época e uma das suas principais obras é Marília de Dirceu, que relata em poemas líricos seu amor por uma brasileira, Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão. O livro foi publicado em 1792, ano em que Gonzaga partiu para exílio em Moçambique.
José de Resende Costa Filho, Francisco Antônio de Oliveira Lopes e Luís Vaz de Toledo Pisa
Pertencente ao grupo dos militares que participaram da Conjuração.
José de Resende Costa Filho teve como condenação por participar do movimento o exílio em Cabo Verde. Como sua participação não foi considerada tão ativa, acabou retornando ao Brasil em 1809. Foi o mais jovem condenado. O povoado onde nasceu recebeu o nome de Resende Costa em homenagem a ele e ao seu pai.
Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, era também fazendeiro e minerador e envolveu-se pelos ideais do movimento separatista. Casou-se com Hipólita Teixeira de Melo Carvalho, rica fazendeira da região de Rio das Mortes e que também participou ativamente do movimento. Hipólita foi a autora da carta que denunciou o traidor Joaquim Silvério dos Reis e de diversos bilhetes com dizeres que ficaram famosos. Sua participação no movimento custou-lhe o confisco de grande parte dos seus bens foram pela Coroa.
"Tiradentes foi preso no Rio. Quem não é capaz para as coisas, não se meta nelas. É melhor morrer com honra que viver em desonra. Quem não reagir, será preso. Convoquem a tropa do Serro e façam um VIVA O POVO!"
Hipólita Teixeira de Melo Carvalho
O sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa foi um dos militares a participar da Inconfidência Mineira. Era irmão do também inconfidente Carlos Corrêa de Toledo e Mello. Foi preso e condenado a morte, mas posteriormente teve a sentença alterada para o exílio em Angola.
Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes
O Alferes, posto militar da forças armadas de alguns países, Joaquim José da Silva Xavier é de longe o nome mais famoso do movimento. Sua fama deve-se principalmente a condenação recebida, a forca. Foi o único dos inconfidentes condenado à morte, tendo em vista o perdão concedido por Dona Maria, rainha de Portugal aos demais. Tiradentes, como era chamado, foi enforcado em praça pública e esquartejado para servir como exemplo aos demais rebeldes.

Insatisfeito com a sua posição militar, patente inicial na época, e influenciado por grupos que criticavam o domínio de Portugal sobre as capitanias, pediu licença da cavalaria, viveu um ano no Rio de Janeiro e retornou à Minas Gerais com uma grande revolta em relação ao domínio português e pregando a separação da capitania.
Com a ameaça de uma derrama violenta por parte da Coroa Portuguesa, motivada pelo declínio da atividade mineradora e diminuição da arrecadação, os inconfidentes marcaram um levante, mas antes que a revolução se concretizasse, eles foram denunciados por alguns portugueses como Joaquim Silvério, Basílio de Brito e Malheiro do Lago em troca do perdão das suas dívidas.
Tiradentes é considerado um dos Heróis da Pátria e o dia da sua execução, 21 de abril, é feriado nacional no Brasil. Uma cidade mineira foi rebatizada e recebeu o nome de Tiradentes em sua homenagem. Dentre suas funções, destaca-se a de dentista, que rendeu-lhe o apelido, minerador, tropeiro, comerciante, militar e ativista político.
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