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Influências da língua italiana no quotidiano

De Fernanda, publicado dia 21/06/2019 Blog > Idiomas > Italiano > O idioma italiano no Brasil

Tudo começou na segunda metade do século 19: o primeiro fluxo de imigrantes chegou para trabalhar nas lavouras de café da região Sudeste do Brasil. Entre 1887 e 1978, das 2,5 milhões de pessoas que passaram pela antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, mais de 700 mil vinham da Itália.

Hoje, estima-se que mais de 30 milhões de brasileiros têm origem italiana! O processo de imigração e a integração dos italianos no nosso país deixou traços fortes na cultura brasileira. E um dos aspectos importantes nesse cenário é o idioma italiano.

Confira neste artigo quais são as influências da língua da Itália no Brasil!

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O aprendizado do italiano ao longo das gerações

Qual a herança cultural da itália? O italiano padrão que hoje conhecemos nada mais é que o dialeto toscano, que foi alçado à condição de língua oficial da Itália

Ao contrário do que muitos pensam, a maioria dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil não sabia falar a língua italiana culta. Na verdade, quando eles tinham algum conhecimento da língua italiana, se limitavam a um “italiano popular”, típico dos estratos baixos da sociedade italiana, no qual mesclavam italiano com seu dialeto regional. Isso porque no século XIX o analfabetismo era dominante na Itália. A língua italiana só se consolidou na Itália com a alfabetização em massa da população depois da década de 1950, ou seja, um processo relativamente recente.

Portanto, o fato é que o idioma que chegou com os imigrantes no Brasil era uma mistura de vários dialetos, além do italiano popular.

A transmissão da língua italiana pelas gerações ocorreu de maneira plural. Em função de elementos como a idade avançada ou o casamento mononacional, os imigrantes da primeira geração falavam minimamente português para se comunicar, e delegavam aos filhos a função da comunicação.

A imigração da região do Vêneto se concentrou no Sul do Brasil, e contribuiu para a criação de colônias rurais isoladas que não se comunicavam entre si.

Esse é um dos motivos que contribui para o enraizamento do dialeto vêneto em certos locais do Brasil meridional. A maior parte dos falantes de vêneto no Brasil se concentra nas zonas vinícolas do Rio Grande do Sul. Por viverem de certa forma isolados na zona rural, esses italianos e descendentes foram o único grupo que conseguiu manter o idioma vivo no Brasil, falado atualmente por alguns milhares de brasileiros. O dialeto, contudo, sofreu forte influência do português, e manteve expressões e léxicos que desapareceram na Itália.

Segundo o artigo Italiani in Brasile, escrito por Antonello Colli para a revista Italia numero 1, parece que 14% dos nativos, na família, ainda falam a língua italiana (a lista inclui aqueles que nunca viram a Itália). Há 261.000 cidadãos não naturalizados, cidadãos italianos em todos os aspectos (inclusive eleitorais) no Brasil. Como referência, saiba que existem 193.000 cidadãos italianos nos Estados Unidos.

Pessoas que usavam o italiano no lar, por gerações(censo de 1940)
GeraçõesNúmero de falantes
Primeira (imigrantes)53 mil
Segunda (filhos) 120 mil
Terceira e seguintes (netos, bisnetos...)285 mil
Total458 mil

Nas últimas décadas, a situação moral de italianos no Brasil melhorou muito em comparação com o período pré-guerra. Em 1939, foi aprovada uma lei que proibia o uso de línguas estrangeiras. Hoje, em um fervoroso cenário multiétnico, acordos bilaterais e incentivos nacionais favorecem o ressurgimento da identidade cultural italiana também com a realização de cursos de língua italiana e (no Estado do Rio Grande do Sul) até do dialeto veneziano.

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As contribuições do idioma italiano ao português

Pode-se afirmar que de 1870 até hoje a influência italiana no Brasil chegou a ultrapassar a influência portuguesa, uma vez que os registros de imigração apontam para que haja mais entrada de pessoas de nacionalidade italiana (34% do total) que de nacionalidade portuguesa (28%). Todas as outras nacionalidades juntas (espanhóis, japoneses, alemães, sírios/turcos etc) somam os 38% restantes.

Um processo imigratório de tamanha importância só poderia trazer marcas culturais e linguísticas profundas à sociedade brasileira; uma delas é no idioma nacional do Brasil.

Segundo Pacheco Júnior, autor de “Gramática Histórica da Língua Portuguesa”, cerca de 300 palavras italianas foram incorporadas ao português falado no Brasil. São exemplos: cantina, caricatura, fiasco, bravata, poltrona, alegro, aquarela, bandolin, camarin, concerto, maestro, piano, serenata, alarme, boletim, carnaval, confete, macarrão, mortadela, salsicha, além, é claro, do “ciao”, tranformado em “tchau“.

Podemos citar a influência do italiano em diferentes áreas:

  • Gastronomia:  espaguete, macarrão, panetone, pizza, polenta e risoto…
  • Música: arpejo, batuta, cantata, contralto, maestro, partitura, piano, sonata e violoncelo…
  • Artes e arquitetura: aquarela, esboço, desenho, esfumar, têmpera, paleta, siena e magenta; baeta, brocado, feltro, tafetá e mussolina…
  • Elementos tipicamente italianos: doge, fascismo, gôndola, máfia, mezanino, ópera e tômbola.

Mas a maioria das pessoas ainda ignora que um grande número das palavras que usam no cotidiano tem origem no italiano. Isso também acontece porque muitas palavras foram aportuguesadas, como balão, chulo, desfaçatez, embrulho, escorchar, esdrúxulo, garatuja, palhaço, rúcula e tostão.

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O talian

O talian é uma variante da língua vêneta, que também é conhecida como dialeto vêneto, falada na Região Sul do Brasil.

O isolamento das colônias do sul permitiu a manutenção da fala do dialeto italiano com destaque para o norte do Rio Grande do Sul. Ali nasceu um koiné oriundo da convivência de diversos dialetos italianos, mas com uma predominância vêneta que serviu como língua franca para a comunicação dos falantes de diferentes formas dialetais.

Para o Rio Grande do Sul houve um fluxo majoritariamente vêneto e lombardo e, na primeira fase, que durou de 1875 a 1910, os imigrantes preservaram seus dialetos regionais vênetos e lombardos, além de falares minoritários trentinos e friulanos. O segundo período inicia-se a partir de 1910, com a construção da estrada de ferro que liga Caxias do Sul a Porto Alegre. O isolamento foi rompido, aliado ao incremento comercial e industrial. Em consequência, os dialetos menos representativos numericamente foram extintos, ao mesmo tempo que os dialetos lombardos e vênetos se interinfluenciaram, com a predominância dos últimos, surgindo uma fala comum, um koiné, chamado de talian.

Na década de 1930 e durante a Segunda Guerra Mundial, a campanha de nacionalização instituiu o aprendizado obrigatório do português e proibiu o uso da fala dialetal italiana. Os italianos eram considerados a “quinta coluna” e houve grande repressão policial nas colônias contra o uso do dialeto. Pessoas foram presas e até espancadas pela polícia ao serem pegas falando dialeto nas ruas. No mesmo período, formava-se um novo grupo de descendentes de italianos, mais urbanos e enriquecidos, que menosprezavam o dialeto e davam preferência ao português, enxergando o falante de talian como um colono grosso e rural, inferiorizando-o socialmente.

Todos esses fatores levaram a criação de um estigma de ser falante de talian e os pais muitas vezes optavam por não transmitir a língua a seus filhos, para evitar que estes fossem estigmatizados ou motivo de chacota nas escolas por não falarem bem o português ou por falá-lo com uma fonética italiana. O êxodo rural também contribuiu para o declínio no uso da fala dialetal, pois nos centros urbanos a língua portuguesa era dominante e as gerações nascidas no meio urbano não adquirem o talian como língua materna. O uso do dialeto vai se perdendo ao longo das gerações. A primeira e a segunda gerações nascidas no Brasil costumam falar o dialeto, mas a partir da terceira já começa a haver a perda gradual do uso, por meio do bilinguismo com o português. Na quarta geração o dialeto é apenas uma memória familiar e na quinta desaparece a memória também.

Atualmente, não se sabe quantas pessoas falam o talian no Brasil, mas há quem estime em 500 mil o número de seus falantes. Nos últimos anos, os governos regionais tem tentado revitalizar o dialeto. Em 2009, o talian foi reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul e o próprio estigma de ser falante dessa língua vem dando lugar a um orgulho.

O talian absorveu, e continua a absorver, diversas influências da língua portuguesa. Hoje, parte do seu vocabulário tem origem no português, se distanciando parcialmente do dialeto vêneto atualmente falado na Itália.

Cultura italiana presente no cotidiano brasileiro

QUal a herança cultural da itália? O que há da Itália no seu cotidiano?

No Brasil, os filhos e netos de italianos continuaram a propagar a cultura e os costumes do país da bota. À medida que o número de imigrantes e seus descendentes ia crescendo, o Brasil modificava os seus costumes, assim como os imigrantes modificam os seus.

Das inúmeras contribuições dos imigrantes italianos, podemos citar:

  • O enraizamento do catolicismo, incorporando elementos italianos na religião brasileira, etc. (festas, santos de devoção, práticas religiosas).
  • O idioma italiano, o uso do “tchau” (ciao) em todo o Brasil,
  • O sotaque que se manifesta em muitas cidades (sobretudo na cidade de São Paulo, o sotaque paulistano), na Serra gaúcha, no sul catarinense e no interior do Espírito Santo.
  • Diversas receitas italianas foram incorporadas nos hábitos culinários brasileiros, como o panetone no Natal, comer pizza e espaguete (principalmente no Sudeste), além da polenta frita.
  • A introdução de novas técnicas agrícolas (Minas Gerais, São Paulo e no Sul).
  •  A criação do time Palestra Itália em 1914, com o objetivo de unificar os imigrantes italianos que viviam na cidade de São Paulo. Com a Segunda Guerra Mundial, o time foi obrigado a mudar seu nome para Sociedade Esportiva Palmeiras. Isso por imposição da ditadura Vargas após declarar guerra contra a Itália, sendo criminalizado no Brasil qualquer manifestação cultural italiana.
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