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Como ensinar matemática para quem tem dificuldade de ler e escrever

Par Fernanda le 29/11/2016 Blog > Reforço escolar > Matemática > Dislexia: como estudar cálculos e números
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Ensinar matemática para crianças não é algo tão simples. Ensinar também é tarefa que exige rigor, concentração, organização e empatia. É preciso entender a realidade dos alunos para identificar as necessidades e demandas de aprendizagem de cada um.

A matemática diante das dificuldades de leitura e de escrita

Não importa qual dificuldade tenha seu aluno: é fundamental que ele se sinta à vontade com a matemática do mesmo jeito que com as demais disciplinas.

A dislexia pode ser definida como uma perturbação na aprendizagem da leitura pela dificuldade no reconhecimento da correspondência entre os símbolos gráficos e os fonemas, bem como na transformação de signos escritos em signos verbais. A deficiência também afeta outros aspectos da vida do aluno, como sua memória, sua concentração, ou ainda seu senso de organização.

Para garantir que o ensino de matemática seja eficiente – seja com crianças, jovens ou adultos disléxicos – você precisa utilizar métodos de aprendizagem específicos, incluindo uma abordagem multissensorial. Essas abordagens educativas  despertam as faculdades cognitivas e a consciência de si mesmo.

aprender números com problemas de leitura Como encarar as dificuldades?

A abordagem multissensorial

Esse método de ensino implica a utilização de todos os nossos sentidos, como a visão, o tato, a audição, o olfato… Mas como isso funciona na prática?

Aprendizagem visual e sensorial

Para ensinar matemática de maneira eficaz, é preciso que a aula seja o mais visual e sensorial possível.

Você pode utilizar cartolinas e cartazes para registrar uma fórmula ou uma noção às quais você recorre frequentemente. Se possível, ilustre com desenhos ou figuras para envolver as capacidades motoras e auditivas. Faça seus alunos participarem da elaboração de tudo isso.

Procure inserir atividades lúdicas de acordo com o nível de estudos: na verdade, a capacidade de concentração de uma pessoa com dislexia é mais reduzida, e tudo o que é lúdico contribui para que o estudante se envolva no processo de aprendizagem com mais atenção.

Do ponto de vista do aluno, esse tipo de atividade é muito interessante e gratificante, pois traz um sentimento de realização, afastando as inseguranças em relação à matemática.

Utilize a palheta inteira de cores: todas as referências visuais são bem-vindas e ajudam os alunos a identificarem e registrarem o que está escrito no material.

Materiais que ajudam no ensino de matemática para disléxicos Use e abuse dos recursos visuais em sala!

As cores podem ser utilizadas na elaboração de um gráfico, uma tabela, números decimais… Você pode diferenciar as cores dos números e da nota do aluno (procure usar outra que o vermelho, que já tem uma conotação negativa).

Noção de tempo

Pessoas que possuem dislexia têm dificuldades com noção de tempo. Daí a frequente falta de concentração. Perdem facilmente a atenção devido aos menores ruídos ou qualquer outro fator externo. Em uma situação que demande mais de 10 ou 15 minutos de atenção, como um vídeo, sua capacidade de concentração cai brutalmente.

Os disléxicos também enfrentam problemas em relação à memória de curto prazo, o que torna as anotações e a compreensão de instruções simples uma tarefa difícil.

Como ensinar matemática nesse contexto?

Estude no seu ritmo e não se apresse para acabar cada aula: dê tempo para o aluno anotar o que você registrou no quadro negro. É fundamental garantir que o estudante tenha assimilado todas as explicações antes de passar para a próxima lição.

Repita as orientações todas a vezes que necessário, pontue suas frases com palavras-chave que serão citadas ao longo de todo seu discurso, para que o aluno escute e assimile o vocabulário ao longo das aulas.

Como trabalhar concentração e motivação

Faça pausas constantes: tanto a concentração como o fato de ficar muito tempo sentado são situações difíceis para os disléxicos. Eles têm necessidade de se movimentar, de variar os tipos de atividades, portanto alterne bastante sua prática, acrescentando exercícios novos e diferentes.

Saiba que a dislexia é apenas uma dificuldade de aprendizagem. Uma vez que as dificuldades são superadas, o aluno pode progredir rapidamente em todas as disciplinas, inclusive a matemática. É preciso que ele saiba de todas suas capacidades e quão longe pode chegar!

Ter o apoio necessário

Pessoas com dislexia têm limitações nas questões da memória, principalmente à curto prazo. Por isso é importante que os alunos nessa situação recebam um material de apoio (com recursos visuais, se possível) que contenha o resumo do curso, do capítulo ou da noção que você está trabalhando naquele momento.

Abuse das referências visuais como os asteriscos, as enumerações, as listas, tudo isso para colocar em evidência as informações mais importantes.

Trabalhe com organização e estrutura

Para ensinar matemática a uma pessoa disléxica, você precisa ajudá-la a se organizar e a estruturar suas aulas e seus estudos. Durante o seu curso, você vai precisar criar aquilo que chamamos de modelos de organização, e estimular o aluno a empregar essa organização em casa, em sua rotina. Veja algumas dicas:

  • Utilize pastas coloridas para diferenciar os conteúdos e os capítulos. Isso ajuda a encontrar rapidamente o que estamos procurando. Use uma cor para cada pasta.
  • Respeite uma agenda diária: os disléxicos têm dificuldades para planejar a curto e médio prazo, portanto estabeleça um cronograma diário para que ele saiba como se programar. Deixe essa agenda à vista em seu quarto, caso você seja seu professor particular, ou na sala de aula para que ele possa consultar regularmente.
  • Enfim, incentive a criança para que ela utilize um caderno de exercícios ou uma agenda para anotações. O ideal é que ela use esse material diariamente para realizar exercícios e tirar notas.
  • Estudar matemática em casa também é uma boa alternativa para reforçar o aprendizado.

Busque outros materiais de apoio

Quanto mais você pesquisar e utilizar fontes e materiais de apoio diversificados, mas ricas serão suas aulas. Se possível, converse com os demais professores de seu aluno, compartilhe ideias e materiais. O estudante precisa desse apoio na hora de aprender todas as disciplinas.

Além disso, é importante dar a oportunidade ao aluno de se expressar e de compartilhar o que ele aprende com outros estudantes.

Caso tenha dúvidas, procure um especialista e faça de tudo para que o estudante se integre aos demais colegas de sua turma.

Que tal utilizar aplicativos e novidades tecnológicas A tecnologia existe para ajudar!

Saiba que hoje existem muitas novas tecnologias que são apropriadas para o ensino de disciplinas, inclusive matemática: jogos, aplicativos de texto e de gráficos, programas com comando vocal ou de gravação de voz.

Os recursos existentes na escola tradicional ainda funcionam! Existem inúmeros livros especializados em matemática que podem ajudar no processo.

Dicas para dar aulas de matemática a alunos disléxicos

  • Nunca peça para seu aluno copiar palavras como recurso de memorização.
  • A cada começo de aula, relembre os tópicos vistos na última aula.
  • Divida suas explicações em blocos: se você apresentar conteúdos muito longos, o estudante perde rapidamente a concentração. Utilize sempre recursos visuais em suas explicações.
  • Use a abuse das cores: a cor é uma ferramenta muito eficaz para a memorização. Oriente os alunos para que sublinhem ou coloquem em negrito as palavras-chave, para dar mais ênfase e destaque.
  • Revise com frequência os tópicos ensinados nas aulas anteriores para consolidar o que foi aprendido.
  • Redistribua os deveres de casa: em vez de estudar três teoremas em 15 dias, dê um teorema a cada semana, para que os conceitos sejam assimilados de maneira eficaz.
  • Para que o aluno disléxico aprenda de verdade a matemática, para ajudá-lo nas questões de memorização, para que ele consiga ilustrar os números por meio de gráficos e desenhos, é fundamental que ele faça suas próprias anotações. As anotações, se registradas à sua maneira, ajudam muito na memorização.
  • Ao final de cada aula, escreva os pontos essenciais de maneira simples e com palavras-chave no quadro-negro ou em outro suporte. O objetivo é resumir o essencial do curso em noções que podem ser facilmente guardadas.

Ensinar matemática a alunos que possuem dislexia não é tarefa fácil. É preciso estar preparado, ter recursos especializados, ter um profissional capacitado.

O educador certamente terá que se dedicar bastante, mas os resultados são efetivos. Por isso que, além das competências nas ciências matemáticas, é crucial ter apoio especializado e profissionais de qualidade. Ah, uma dica: não perca a paciência se a criança falar muito rápido, pois a dislexia faz com que a compreensão seja muito mais visual. Por isso seus pensamentos são rápidos e suas palavras frequentemente precipitadas.

Quanto mais você der suporte visual ao aluno disléxico, mais potencializa suas capacidades de compreensão e retenção. Uma sugestão: o aluno pode realizar as tarefas em papel milimetrado ou papel com linhas, pois os traços auxiliam na orientação de certos desenhos, gráficos e até algumas equações e problemas. Ou então: que tal escrever em preto sobre uma folha colorida, como o amarelo? É ainda mais fácil de identificar símbolos e letras.

Último conselho: saber articular e demonstrar empatia

É bom saber: lembre-se de sempre ter empatia, respeito, paciência. Articule de maneira clara, dê exemplos concretos a cada explicação, incentive seus alunos a cada atividade, reconheça os avanços. Outra dica é ensinar técnicas para que ele saiba realizar uma autoavaliação.

Evite noções, conceitos e palavras muito complicados. Evite também conceitos muito abstratos ou explicações sem ilustrações concretas, reais.

Não existem receitas ou fórmulas prontas para lidar com a educação de alunos com dislexia. Mas a prática é sempre a melhor solução para que os estudantes progridam nos estudos. Entenda a realidade de seus alunos! A dedicação e o investimento valem muito a pena! Os resultados vão aparecer quando você menos esperar.

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Fernanda
Apaixonada por educação, música e cinema, é especialista nos encontros e desencontros das línguas.

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