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Quais motivos fazem um educador parar de trabalhar?

Par Carolina le 03/03/2017 Blog > Aulas particulares > Dar aulas particulares > Por que um professor pede demissão ou exoneração de seu cargo?
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O ano de 2016 ficou marcado na maior parte do país pelas greves de professores e ocupações de alunos nas escolas de todo o Brasil.

Muitas foram as razões que impulsionaram os profissionais da educação pública a fazerem as várias greves. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55 ou 241 provocaram uma boa parte delas. Essas reformas aprovadas pelo governo federal no final do ano passado congelam os investimentos na educação, saúde e segurança durante 20 anos.

Com uma tal conjuntura na educação do Brasil, não é de se espantar que muitos professores da rede pública querem pedir demissão de seus cargos.

Além da falta de investimento e estrutura presente na maioria das escolas do governo, há também a violência crescente que não deixa os educadores fazerem seus trabalhos.

Algumas escolas não conseguem impedir o tráfico de drogas feitos por alunos. Além disso, há muitas ocorrências de maus tratos entre professores e alunos da rede de ensino pública no Brasil.

Sem contar que a profissão está longe de ser bem remunerada no país. Mesmo com a lei do piso salarial aplicada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2008, os professores não recebem o mesmo salário que profissionais de outras áreas com o mesmo nível de formação.

Demissão da escola: um salário muito baixo?

Pedir demissão da escola pública ou privada não é uma decisão que a gente toma de repente.

A educação não paga nem as despesas do profissional O bolso fica sempre vazio quando se é docente?

Esse pedido normalmente é resultado de muitas frustrações e, principalmente, de uma reflexão de meses e, quem sabe, anos.

Essa profissão que, a princípio, é exercida por pessoas com vocação para isso pode se tornar um obstáculo por diferentes razões.

Aliás, um dos principais motivos para isso acontecer é financeiro. Não é segredo para ninguém que os professores de escolas públicas ganham pouco comparado a outras profissões. Eles estão longe da riqueza e da ostentação…

O piso salarial definido pelo MEC em 2017 é de R$ 2.298,80 para 40 horas semanais, de acordo com o G1. Porém, 14 estados no país responsáveis pela grande parte das escolas de ensino médio não o cumprem.

Com os últimos cortes nos gastos do governo, os repasses para os municípios (responsável pelo ensino fundamental) também serão comprometidos. É possível que mais cidades e estados não cumpram com o piso.

Cláudia Costin, professora efetiva da FGV-RJ, deu entrevista para a Carta Capital. Nessa ocasião, a docente afirmou que a PEC 55, por exemplo, vai tornar a educação menos atrativa para as próximas gerações: « A ideia de congelar os gastos pela inflação por 20 anos – verdade que haverá momento de revisão, mas somente depois de 10 anos – é muito triste, pois estamos condenando a profissão de professor a nunca ser atraente. », disse a educadora para a revista.

Nas instituições privadas, os salários são mais elevados, mas muitas vezes abaixo da média dos profissionais que possuem diplomas superiores.

Então, a profissão de docente é menos remunerada que várias profissões que exigem o mesmo nível de ensino.

Conclusão: a remuneração não é (e nunca foi) uma vantagem para a profissão de docente.

Falta de reconhecimento profissional

O salário é umas das principais formas de reconhecer o trabalho de um profissional. No caso do professor, já vimos que a remuneração é baixa comparada as outras profissões.

Sem um bom salário, onde o educador vai encontrar estímulo para continuar seu ofício?

Além do salário, ninguém dá importância para o aprendizado Depois de horas preparando as aulas, ninguém diz um obrigado

Todos nós sabemos que trabalhar como professor é antes de tudo preparar os jovens para traçar seus caminhos no seu futuro profissional e na vida como um todo.

Apesar da importância crucial desse serviço para a sociedade, as pessoas, o Estado e as instituições particulares de ensino não tratam os educadores com a consideração que eles merecem.

Talvez porque o resultado da educação é algo que depende de vários fatores e o percebemos a longo prazo.

Os alunos ficam vários anos na escola e são acompanhados por vários professores. Além do tempo ser longo, a passagem de cada um deles na vida escolar do aluno não é valorizada.

Além disso, um aluno não depende só da escola e dos professores para ter bons resultados. O acompanhamento dos pais e da família em geral é essencial para uma educação promissora no futuro.

Então, muitas vezes os professores fazem sua parte mas os pais não colaboram com a educação de seus filhos. Não satisfeitos com a escolaridade de suas crianças, muitos culpam as escolas e os educadores sem questionar sua parcela de culpa nisso.

Então, como garantir ensino de qualidade para os alunos da rede pública quando só os professores parecem estar engajados nessa missão e o Estado e os pais não se importam com a educação de seus cidadãos e filhos como deveriam?

Por causa de todos esses fatores, a profissão de professor não é muito reconhecida, ou pelo menos, não como deveria ser.

A profissão é muito estressante

Como se não bastasse, a profissão requer muito investimento profissional e pessoal.

Quem ensina deve, em primeiro lugar, aprender. Isso quer dizer que o professor tem que estudar muito para ser um bom profissional. Os vários anos sentados em uma cadeira de sala de aula já são um grande investimento.

O docente deve improvisar o tempo inteiro A dor de cabeça não para quando se é educador

Sem contar que o educador deve se atualizar o tempo inteiro. Principalmente hoje em que alguns mestres não tiveram o mesmo acesso à tecnologia da informática como os estudantes.

Então, o professor tem que se adaptar à cultura digital de seus alunos. Isso, às vezes, pode causar nervosismo no profissional que não se sente confortável com essas mudanças estruturais em nossa sociedade.

Além disso, sempre há a pressão de saber bem a matéria para transmiti-la depois. Existe outro fator fundamental que pode estressar muitos: falar na frente de muitas pessoas.

Se o professor fraquejar e não saber direito o que está falando, os alunos vão cair em cima dele e fazer aquela bagunça!

Por isso, além de saber muito, o professor tem que ser forte para impor o respeito e garantir a atenção dos alunos durante muitas horas de aula.

E tem sempre aquele engraçadinho que está na sala só para atrapalhar a aula. Muitos dizem palavrões, machucam moralmente e até fisicamente o professor.

E quando as escolas não têm a infra-estrutura necessária para dar aulas? Lembre-se que inúmeras escolas no Brasil (principalmente as públicas) não possuem laboratórios, acesso à internet, bibliotecas, material didático… Nem luz, tratamento de esgoto e água.

Quem acaba tentando minimizar a falta de estrutura das escolas é o professor. Ele deve improvisar com o que tem ali a seu alcance.

Salários baixos, falta de reconhecimento, pouca infra-estrutura. Um desses motivos já seria o suficiente para muitos profissionais pedirem demissão, não é mesmo? Por que isso seria diferente com o professor?

Pedir demissão para mudar de cidade

Depois de explicitar tantos motivos relevantes para um educador pedir demissão, parece que mudar de cidade é um dos mais simples. Porém, a falta de mobilidade de muitos estados e municípios é um problema e vários professores pedem demissão por causa disso.

É muito complicado um professor pedir transferência de uma cidade para outra no ensino público. Na maioria das vezes, ele tem que fazer outro concurso municipal ou estadual para dar aula na escola da nova cidade.

A mobilidade não é um ponto forte de ser professor É difícil ser transferido de cidade no ensino público

E se a cidade em questão não estiver precisando de professores de Português, por exemplo? É bem provável que o profissional ficará sem emprego.

Por isso, dar aulas particulares pode ser uma saída para os docentes de ensino público ou privado que queiram mudar de cidade.

Claro que outros desafios vão aparecer no caminho: encontrar sua clientela, estipular o preço da hora/aula, preparar as aulas. Mas isso será fácil para você que já se deparou com todas as dificuldades do ensino nas escolas públicas…

É simples tomar essa decisão?

Não. O salário baixo, a falta de reconhecimento, de estrutura e o estresse cotidiano não são suficientes para desencorajar muitos professores.

Isso porque eles sabem como ninguém da importância de seu papel na sociedade. E quando os professores deparam com seus alunos na sala de aula, eles esquecem um pouco dos problemas de sua profissão.

Porém, é triste constatar que todos sabem que a educação é a solução para os principais problemas de um país e não fazem nada para melhorar a qualidade de ensino.

As pessoas fingem ignorar e não dão as condições necessárias para os professores exercerem sua profissão. Quando dizemos pessoas, não nos referimos somente aos políticos, mas à população em geral que não dá o valor merecido para a profissão de educador.

Será que isso acontece justamente por ser um ofício tão primordial que nem damos importância? Como é o caso da água, das florestas, do ar que não paramos de poluir e de desmatar?

Mas se os problemas superaram a importância do ofício e você não aguenta mais se deparar com todas essas precariedades, não fique culpado de querer a demissão.

Você pode encontrar outros meios para ajudar na educação sem precisar da rede pública ou privada. Várias ONGs, instituições e mesmo outras escolas particulares precisam de educadores para suas oficinas, cursos e disciplinas.

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Carolina
Quero aprender italiano e espanhol, mas preciso mesmo é do inglês... Leio as plaquinhas nos museus, gosto de música e de cinema dos anos 70. De agora, só o Pablo do arrocha que serve.

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