Música Reforço escolar Idiomas Aulas particulares
Compartilhar

Saiba a língua portuguesa através dos filmes

De Carolina, publicado em 14/07/2017 Blog > Reforço escolar > Português > Aprenda português com o cinema brasileiro

A língua portuguesa pode ser aprendida em vários meios: em casa com os pais e familiares, na escola com os professores e colegas, com a música, na televisão e também com filmes!

Isso mesmo! Os dois assuntos são muito ricos: falar da sétima arte já é uma ciência em si. Falar da língua portuguesa também é um tema para a vida inteira. E falar dos dois ao mesmo tempo? Parece demais?

Não, é sempre bom lembrar que o cinema é uma linguagem assim como o português. Para entender todas as sutilezas que as imagens e os diálogos dos personagens querem nos transmitir, tudo isso tem que ser trabalhado como se fosse um texto. Uma linha contínua marcada por vários tipos de linguagem!

Mas também nunca é demais de enfatizar que o cinema é uma arte. Então, por mais que exista uma mensagem a ser transmitida, ela pode ser abstrata e ser entendida de várias maneiras, dependendo de quem recebe a mensagem.

Então, vamos falar de alguns filmes que marcaram o cinema brasileiro e que podem nos ensinar algumas coisas sobre a língua portuguesa.

Mariana

Nossos professores são realizados

”Com o Superprof, eu consegui encontrar alunos sérios, motivados e com vontade de aprender. Eu recomendo o Superprof!”

Cinema Novo: denunciar uma realidade

A primeira corrente cinematográfica brasileira, o cinema novo teve muita influência do neorrealismo italiano e da nouvelle vague francesa.

As duas correntes estrangeiras começaram a tratar de assuntos simples nas telas como o cotidiano, a vida das famílias pobres, a realidade social das pessoas etc.

O neo-realismo italiano foi inspirado no realismo francês poético. Os filmes eram considerados quase documentários porque retratavam com personagens a realidade de uma maneira muito próxima do real.

Já a Nouvelle Vague francesa inovou muito na forma de filmar as cenas, transgredindo de tudo que era feito anteriormente.

Um traço muito forte é a intertextualidade. Em muitos filmes de Godard, por exemplo, ele fala da maneira que ele faz o filme com os telespectadores.

Além disso, os assuntos amor e vida pessoal dos personagens eram sempre o centro das narrativas dos filmes.

Rio 40 Graus

O filme de Nelson Pereira dos Santos é considerado o primeiro do movimento Cinema Novo. “Rio 40 Graus” foi realizado em 1955 e conta a realidade de 5 garotos de favelas do Rio de Janeiro.

Veja as artes brasileiras para aprender a sua língua e cultura O filme de Nelson Pereira dos Santos foi um marco para o cinema brasileiro

O filme de Pereira dos Santos tem forte influência do neorrealismo italiano por contar a vida dos garotos como se fosse um documentário. Além disso, ele retrata as ruas, as praças, as praias do Rio de Janeiro de uma maneira crua, sem muitos recursos cinematográficos.

Terra em Transe

O filme de Glauber Rocha de 1967 fala sobre um país dominado por um tirano chamado Diaz. Ele retrata as dificuldades do povo e as falcatruas dos governantes para continuar no poder e explorar a riqueza do país em benefício próprio.

É importante lembrar que o filme foi feito no contexto de uma ditadura militar no Brasil. Por isso, ele foi censurado na época no país e em outros locais.

Os diálogos do filme são bem atuais visto a crise política vivida pelo Brasil nos últimos anos. Vale a pena conferir e ver o trabalho do grande artista Paulo Autran que faz o papel do tirano.

Além disso, é no mínimo desconcertante ver os diálogos dos atores como se eles estivessem em transe. Uma escolha estética arrojada para a época.

Cinema do final dos anos 70 e começo dos anos 80

Esses filmes carregam um pouco do Cinema Novo nos temas do cotidiano, mas diminuem o caráter político presente nas obras de Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha (principais líderes). Há também traços do cinema marginal, mas não podemos encaixá-los em um movimento específico.

Eles são citados aqui pela importância das obras no contexto do cinema nacional.

Dona flor e seus dois maridos

Esse filme de Bruno Barreto foi realizado em 1976 e foi uma adaptação do livro homônimo de Jorge Amado. Ele conta a história de Dona Flor que fica viúva de Vadinho, um verdadeiro malandro.

Ela, então, decide se casar de novo com o farmacêutico Teodoro Madureira. Porém, com o passar do tempo, ela se sente entediada e clama pelo marido morto. Vadinho, então, surge na cama de Dona Flor e ela passar a viver com seu atual e antigo marido!

A gente nem precisa falar que o filme é uma adaptação de uma das obras mais importantes da literatura brasileira. Então, mesmo sendo contada por uma outra linguagem, os traços de Jorge Amado também estão presentes na película.

Ver esse filme é uma ótima oportunidade de ver o trabalho de Sônia Braga (Dona Flor), José Wilker (Vadinho) e Mauro Mendonça (Teodoro Madureira).

Bye, Bye Brasil

Filme de 1979 dirigido por Cacá Diegues, “Bye Bye Brasil” fala de uma caravana de artistas de circo que percorre o interior do nordeste brasileiro. Eles ficam sabendo de uma terra chamada Altamira, onde todo mundo é rico, e tentam ir para lá cruzando trechos da Transamazônica.

Veja o cinema brasileiro para aprender a língua portuguesa Podemos ver José Wilker, Fábio Júnior e Bety Faria novinhos!

O filme conta a história de um povo simples brasileiro que mora nos interiores mais distantes e inóspitos do país. Os personagens têm uma leveza poética e os discursos do Lorde Cigano podem ser considerados verdadeiros poemas.

Cabra marcado para morrer

Um marco do cinema-documentário brasileiro, o filme de Eduardo Coutinho (1984) conta a história de João Pedro Teixeira que foi morto por um latifundiário em 1962.

As filmagens foram interrompidas durante a ditadura militar e retomadas após a democracia.

O interessante do filme é a mistura dos tempos de filmagem: as que foram feitas antes do golpe militar e aquelas que foram feitas 17 anos depois, em 1984.

O semi-documentário é considerado uma obra-prima do cinema brasileiro e de Eduardo Coutinho, brutalmente morto pelo seu próprio filho esquizofrênico em 2014.

Filmes contemporâneos e importantes no cenário brasileiro

Central do Brasil

Um dos filmes brasileiros que ficaram mais conhecidos no exterior devido a indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1999.

O filme é do diretor Walter Salles. Ele foi inspirado na obra do diretor alemão Wim Wenders (Paris, Texas, Buena Vista Social Club) que se chama Alice nas Cidades. 

A história conta sobre a vida de Dora, ex-professora de português, que ganha a vida escrevendo cartas para as pessoas que não sabem ler e escrever na estação Central do Brasil no Rio de Janeiro.

Um dia, ela recebe uma senhora que escreve para o seu marido dizendo que seu filho quer conhecê-lo. A senhora morre atropelada e seu filho de 9 anos se encontra sozinho na estação. Dora se sente obrigada a cuidar do menino e parte com ele em busca de seu pai.

Do ponto de vista da língua, é interessante ver as partes em que a professora escreve as cartas para seus clientes. Cada um tem um tipo de linguagem sem nunca ter entrado em uma escola (ou muito pouco). Então, vemos vários tipos de linguagem autenticamente brasileira.

Cidade de Deus

Clássico filme brasileiro conhecido mundialmente dirigido por Fernando Meirelles e lançado em 2002. Cidade de Deus trouxe a realidade das favelas brasileiras ao conhecimento de todo o mundo.

O cinema ensina a língua e os hábitos de seus habitantes Zé Pequeno e seus personagens ficaram marcados no imaginário dos brasileiros

A estética do filme é bem marcada com as casas e uma cor amarela presente nas imagens. Além da frase: “Meu nome é Zé Pequeno”, o filme ficou gravado na memória de todos!

Se você quer aprender um português da periferia e conhecer algumas de suas gírias e expressões, não deixe de ver esse filme.

Tropa de Elite

Outro filme conhecido globalmente e lançado em 2007 após Cidade de Deus, é uma ficção que mostra as periferias do Brasil do ponto de vista da polícia e do tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

“Pedir para sair” já é uma expressão dentro da linguagem do brasileiro que teve origem nesse filme. Capitão Nascimento, vivido por Wagner Moura, era um durão e tratava seus subordinados a base da pressão e tocava o terror nas favelas da capital carioca.

O diretor José Padilha deu continuidade ao projeto e lançou o Tropa de Elite 2 três anos depois em 2010.

A Febre do Rato

O filme foi lançado em 2012 pelo diretor Cláudio Assis (Amarelo Manga). Ele conta a história do poeta Zizo que mora na periferia de Recife.

Ele faz o seu próprio fanzine que se chama “A Febre do Rato” onde publica suas poesias e denuncia as mazelas da população de seu bairro e dos arredores.

Zizo conhece sua musa inspiradora, Eneide, e começa a viver uma paixão platônica que o tira do sério.

Aprenda português e outras coisas com o cinema brasileiro ZIzo é apaixonado por Eneide, sua musa inspiradora, e escreve poemas sobre ela e as mazelas de Recife

O filme tem uma delicadeza profunda de tratar a realidade daqueles personagens tão próximos da realidade. Além disso, vale a pena ver e conhecer as poesias de Zizo que as recita durante todo o filme. Elas são uma mistura de cordel, repente e um trabalho de linguagem bonito e simples.

Mas atenção, o filme é indicado para maiores de idade por ter muitas cenas de nudez e sexo.

Compartilhar

Nossos leitores curtem este artigo
Este artigo trouxe a informação que você estava procurando ?

Nenhuma informação ? Sério ?Ok, trabalharemos o tema num próximoNa média, ufa !Obrigado. Deixe suas dúvidas nos comentários.Estamos muito felizes em te ajudar ! :) (Seja o primeiro a avaliar)
Loading...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *