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Existe uma facilidade natural para os números em função do gênero?

Par Fernanda le 29/11/2016 Blog > Reforço escolar > Matemática > Quem é melhor em matemática: homens ou mulheres?
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Será que os homens têm uma mente mais matemática do que as mulheres? Por que as estatísticas indicam que as meninas têm mais preferência pelas ciências humanas do que as ciências exatas?

Ainda hoje, como em todas as outras áreas, essa diferença entre os gêneros é uma questão recorrente. Certamente advém de uma longa história de diferença entre gêneros, gerando ideias erradas, mitos e clichês. Temos de ter muito cuidado, pois algumas delas podem render preconceito e machismo!

Segundo o clichê mais clássico, os homens possuem o espírito muito mais prático e lógico, além de terem mais facilidades para a matemática.

Para especialistas em educação e gênero, « a lenta integração das mulheres a carreiras de exatas pode ser em parte explicada pelas diferenças na socialização de gênero », explica Hildete Pereira de Melo, economista, pesquisadora na área de gênero e ciência e professora doutora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Afinal, discurso sexista? O Superprof está aqui para tirar suas dúvidas nesse assunto!

Um panorama do cenário

No Brasil

Em 2012, somente 14% das jovens brasileiras que ingressaram a universidade escolheram campos relacionados à ciência, como engenharia, indústria e construção. Por outro lado, 39% de jovens do sexo masculino que ingressaram na universidade optaram por seguir uma dessas áreas. O estudo foi elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Ao contrário do que acontecia no século 19, época em que as mulheres brasileiras tinham acesso restrito à Educação, hoje, o ensino é universalizado e as mulheres estudam mais do que os homens – em 2013, elas tinham mais escolaridade, 9,93 anos, contra 9,12 anos dos homens, aponta um levantamento do Movimento Todos Pela Educação (TPE), com base em dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Apesar desse avanço, o sexo feminino continua subrepresentado nas exatas.

“As meninas aprendem cedo que exatas e científicas não é assunto para elas”, afirma Márcia Barbosa, cientista e física, chefe do departamento de Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vencedora do Prêmio L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência 2013. “Enquanto pequenas, os pais deixam as meninas fazerem o que elas quiserem, mas quando elas chegam aos anos finais, começa o estabelecimento de modelos a seguir”, conta.

Nos Estados Unidos

Outro estudo norte-americano publicado na revista científica Science revela que a facilidade com números não depende do gênero.

O estudo foi realizado junto a aproximadamente 7 milhões de alunos em 10 estados norte-americanos durante uma pesquisa anual realizada no país com os estudantes. Ele revelou que não há nenhuma diferença nas notas de matemática entre os meninos e as meninas, do ensino fundamental ao médio, de 7 a 18 anos de idade.

Diferença de gênero nos estudos Por que há mais homens nas exatas e mais mulheres nas humanas?

Esses resultados confirmam apenas o que já sabemos: ainda hoje, no século XIX, há um forte preconceito que pode influenciar as escolhas e as opções das mulheres na vida estudantil, universitária e profissional.

E desde a educação infantil, passando pelo fundamental e o ensino médio, há uma disseminação da ideia de que a matemática é matéria para os meninos e que as letras são para as meninas. Mas, na pratica, isso não passa de um mito.

Matemática: uma questão de cultura

O gênero da matemática

O que constatamos em primeiro lugar é que a escolha da carreira dos alunos já é precedida e determinada pela ideia de distinção entre os sexos – de que as meninas são de letras e os meninos de exatas.

Basta observar as estatísticas oficiais: as mulheres são maioria nas ciências humanas e sociais, sobretudo em letras, pedagogia, enfermagem e assistência social.

Enquanto isso, os homens estão sobrerrepresentados no campos científicos, industriais, principalmente nas escolas de engenharia.

O cérebro tem cor?

Apesar dessas diferença, é preciso destacar que as mulheres têm melhor desempenho escolar no geral, se considerarmos todas as disciplinas.

No entanto, o Movimento Todos pela Educação (TPE) realizou um levantamento com base em dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Os números apontam que a proporção de meninos com desempenho considerado adequado em matemática é maior do que a de meninas: em 2013, entre os estudantes do 3º ano do ensino médio, por exemplo, 12,4% dos garotos e 7,2% das garotas ficaram entre os estudantes com habilidades e conhecimentos satisfatórios.

Por outro lado, números internacionais demonstram que, de fato, existe uma diferença de gênero em relação ao desempenho em matemática. Outra pesquisa de 2011 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2009 revela que os meninos vão melhor em matemática em 35 dos 65 países avaliados – incluindo nações de economia considerada desenvolvida, como Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos, França e Suíça. Em cinco países, as meninas vão melhor, e em 25 não existe um distanciamento significativo.

Como explicar esse fenômeno? É certamente algo muito mais complexo do que percebemos à primeira vista.

Voltemos à infância

Especialistas de diversos países buscaram se aprofundar nessa questão, procurando por explicações. De teorias naturalistas (dizendo que os homens são biologicamente mais preparados para os números) – que por vezes justificam atitudes e comportamentos sexistas – a teorias sociológicas já foram levantadas para avaliar o problema.

A verdade é que a reputação de gênero tem impacto efetivo na aprendizagem de matemática das crianças e nos seus resultados.

Nos Estados Unidos, um pesquisador chamado Claude Steele, na Universidade de Stanford, questionou o fato de as mulheres obterem resultados piores nos testes de admissão das universidades, se comparadas aos homens.

Ele recriou a situação em seu campo de trabalho, e concluiu o estudo defendendo a teoria de que se o teste for apresentado de maneira neutra (ou seja, sem a condição de admissão na universidade), homens e mulheres apresentam resultados similares.

Isso porque as mulheres possuem uma representação social negativa em matemática, e são convencidas assim a não seguirem seus estudos nessa área.

Uma nova experiência

Inspirados nesse estudo, dois pesquisadores do Centre National dela Recherche Scientifique, na França, decidiram levar suas pesquisas para a prática.

Diante de centenas de estudantes de matemática de ambos os sexos em turmas de 8º e 9º ano, solicitaram para que uma metade realizasse uma figura dizendo que era uma prova de geometria, e outra dizendo que era uma prova de desenho. Resultado: as meninas do grupo « geometria » tiveram nota inferior aos meninos, e no grupo « desenho », elas tiveram de longe os melhores resultados.

Uma de suas conclusões foi a de que só a ideia de ter de trabalhar com habilidades matemáticas desestabiliza as mulheres. Elas têm medo, inconscientemente, de lidar com os estereótipos disseminados pela sociedade.

As crianças que têm mais dificuldades em matemática são aquelas que possuem dislexia. Nós elaboramos dicas sobre esse assunto no Superprof!

Razões culturais e familiares

Na verdade, tudo começa desde cedo: é fácil compreender o peso da educação infantil, pois ela já é diferenciada para uma menina e para um menino desde pequenos.

Os meninos são incentivados desde cedo a lidar com jogos de construção, de montagem e de encaixe que contribuem na aprendizagem da noção de espaço e dos conceitos de base de matemática. Enquanto as meninas são estimuladas a brincar dentro de casa, com bonecas, reproduzindo os papeis sociais tradicionais (mamãe, papai, professor etc).

Como os homens e as mulheres aprendem os números? Pensando no papel dos gêneros nos cálculos

Mesmo se sabemos que as condições podem variar para cada pessoa, as crianças vão lidar sempre com essa desigualdade ao longo de todas as fases da vida: na escola, na universidade e na vida profissional. Mitos sociais que se consolidam e se tornam estatísticas reais.

Como inverter a situação

Essa condição pode mudar? É possível reverter esse quadro? A resposta é sim. As mulheres não podem estar eternamente condicionadas a ocupar profissões e cargos subvalorizados.

Mas como mudar uma cultura tão enraizada em nossa sociedade? Para começar, é preciso orientar aos meninos e às meninas desde cedo que uma parte do que eles conhecem certamente vem da educação da família, mas que no campo estudantil e profissional,  a escolha deve partir deles mesmos.

Marília Carvalho, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) que estuda o assunto, afirma que, em sala de aula, medidas simples podem ajudar, como evitar promover diferenças e disputas entre meninos e meninas. O Institute of Physics (IOP), principal associação dos profissionais de física do Reino Unido, oferece um guia on-line para engajar mais as meninas em aula. Algumas das recomendações: evitar reforçar a ideia de que a disciplina é extremamente difícil, usar exemplos que não recorram a estereótipos de gênero, não deixar poucos alunos dominarem a aula e mudar periodicamente os grupos de estudantes que trabalham juntos.

No entanto, para que a mudança atinja a comunidade em profundidade, é necessário envolver a família. Se as crianças assistem a seus pais reforçando a desigualdade dos sexos, para elas, reagir da mesma forma será algo tão natural como qualquer outra coisa.

diferença entre gêneros nas ciências exatas As mulheres são tão boas quanto os homens em matemática.

Aceitar desigualdades como se fossem um mero dado da natureza faz mal para todos – inclusive para a própria matemática, que perde com a falta de diversidade. O projeto Meninas na ciência, da UFRGS, tem um bom ponto de vista: « povoar a ciência com mais mulheres não implica somente a produção de um corpo científico mais competente. Ampliar o debate de mulheres na ciência significa também pensar em uma ciência diferente, uma ciência inspirada e renovada por experiências de vida historicamente excluídas da produção científico-tecnológica ».

É preciso ter isso em mente enquanto professores e educadores. Só assim poderemos mudar a situação e evoluir para uma sociedade mais justa e igualitária.

Enfim, uma coisa é certa: as crianças preferem aprender matemática em casa, com exemplos concretos do dia a dia!

A matemática existe para provar de que tudo é possível, meninos, meninas, homens e mulheres. Portanto, dê o melhor de si para estudar essa matéria e trabalhe com dedicação: todas as portas se abrirão para você!

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Fernanda
Apaixonada por educação, música e cinema, é especialista nos encontros e desencontros das línguas.

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