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Como ensinar a pessoas de mais de 60 anos?

Par Fernanda le 22/03/2017 Blog > Aulas particulares > Dar aulas particulares > Dar aulas particulares para idosos
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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pnad 2012 (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios), a tendência da expectativa de vida média do brasileiro é aumentar de 75 anos para 81 anos.

A mudança de mentalidade e de cultura, o avanço da medicina e a reforma da Previdência contribuem para que todos os setores se dediquem cada vez mais a atividades voltadas para a terceira idade.

Ao contrário do que se possa acreditar e dos clichês mais recorrentes, os idosos, sejam aposentados ou ainda ocupando um cargo profissional, são grandes consumidores de conhecimento e aceitam bem novas informações.

Seja para se aperfeiçoar em alguma área, atualizar suas competências, consolidar conhecimentos adquiridos ou simplesmente para aprender algo novo, cada vez mais as pessoas idosas têm buscado uma formação profissional ou pessoal junto a professores particulares.

Nesse artigo, reservamos alguns conselhos e reflexões sobre como é a relação da educação particular na terceira idade. Dessa maneira, você como professor poderá direcionar suas expectativas e ser assertivo com seu público.

O resultado será certamente mais alunos e mais alunos satisfeitos!

Diferenças entre público jovem e público sênior

Se não há idade para as crianças começarem a fazer aulas particulares, a lógica não seria a mesma para os alunos seniores?

A verdade é que dar aulas para adultos e para idosos exige certamente outras competências do professor e metodologias diferentes daquelas empregadas na educação infantil ou no ensino fundamental, por exemplo.

Um estudante em sexto ano, um vestibulando ou um universitário talvez tenha necessidade de um ritmo de estudos mais intenso, seja pelos objetivos a serem alcançados (passar no vestibular, obter uma boa nota no Enem), seja pelas características e demandas pedagógicas próprias à faixa etária.

Não estamos falando de reforço escolar nem de auxílio escolar, mas de um verdadeiro acompanhamento especializado. Os métodos de ensino são, portanto, bem diferentes.

O primeiro aspecto importante a ser levado em conta é a capacidade de aprendizagem: o fato é que ela diminui ao longo dos anos. 

No entanto, isso não significa que adultos e idosos devam parar de estudar, pelo contrário. Quanto maior o estímulo cerebral, mais fácil será o processo ensino-aprendizagem. O professor terá, sim, de aprimorar suas habilidades de ouvinte, sua paciência, e certamente a duração do programa será estendida.

Como dar aulas particulares para idosos? A tecnologia pode ser uma aliada sob medida nesse processo!

Os idosos e os aposentados têm uma característica forte hoje em dia, que é a de não serem pressionados pelo tempo, nem agirem em função dele. Ao contrário das mais novas gerações, para a qual o instantâneo é o que rege as relações, a terceira idade precisa de tempo para estudar. Por isso, se você tem interesse em ensinar a pessoas idosas, precisa dispor de paciência e calma na sua abordagem.

Além disso, os idosos precisam se sentir protagonistas de sua própria aprendizagem. Para tal, é preciso tempo para seu desenvolvimento, é preciso estar preparado para imprevistos e mudanças de ritmo ou conteúdo e, sobretudo, de flexibilidade para se adaptar às necessidades particulares de cada aluno. Metodologias menos rigorosas costumam funcionar muito mais junto aos públicos mais maduros. Isso pode ser uma boa vantagem para você, professor: flexibilidade costuma ser uma característica valiosa em currículos.

Na hora de preparar suas aulas, procure sempre construir o programa juntamente com seu aluno. Uma relação de confiança precisa ser estabelecida para que o aluno sinta a segurança para continuar seus estudos e se sinta motivado rumo ao sucesso.

Especialistas em negócios voltados para a terceira idade apontam que esse público apresenta três características que facilitam o desenvolvimento de atividades:

  • Os idosos são mais fiéis à tradição;
  • Os idosos têm pouca tolerância à demora e ao barulho;
  • Os idosos costumam reagir positivamente à oferta de produtos que saciem suas necessidades.

Aposentados que querem aprender informática

Outra imagem clichê relacionada aos idosos é a de que eles formam um público completamente desatualizado e avesso às novas tecnologias e mídias digitais. Isso nem sempre é verdade.

Segundo pesquisa realizada nos últimos quatro anos, pessoas maiores de 65 anos foram o grupo demográfico que mais cresceu na maioria das redes sociais nos Estados Unidos, incluindo Facebook e Twitter. A mesma pesquisa indica que há uma leve diminuição no número de usuários mais jovens, que acabaram migrando para outras plataformas como Snapchat e Instagram.

Portanto, o fato de que as redes sociais são hoje exclusivas para jovens não passa de mito. Outras sondagens apontam que em 2016 um a cada dois idosos (se considerados acima de 55 anos) utiliza o Facebook no mínimo uma vez ao mês.

A verdade é que o mercado de aulas particulares de informática e mídias digitais para idosos cresce cada vez mais.

Serviços administrativos de todos os gêneros, públicos e privados, estão cada vez mais dependentes das tecnologias e da Internet. Muitas vezes não se consegue mais concluir uma transação bancária sem um celular ou um acesso à rede. Sem falar nas consequências da globalização: muitos filhos e netos partem em busca de uma vida melhor fora do país. A comunicação virtual se faz mais necessária e corriqueira.

Antes de começar as suas aulas, é fundamental aplicar um teste de conhecimentos básicos (por meio de uma avaliação ou até mesmo de uma conversa, dependendo do caso). A partir desses elementos você poderá identificar as necessidades e as expectativas de seu aluno. Saiba que os assuntos e temas mais procurados na terceira idade são:

  • Dominar a navegação na Internet (sobretudo saber pesquisar no Google);
  • Dominar o envio e recebimento de e-mails;
  • Saber utilizar bem as redes sociais;
  • Saber atualizar e realizar a manutenção de seu computador pessoal com ferramentas de fácil acesso;
  • Dominar softwares básicos como o Pacote Office (Powerpoint, Word, Excel, Outlook);
  • Realizar compras online de maneira segura.

Com paciência, motivação e metodologia consistente, seus alunos vão progredir rapidamente e os resultados serão sensíveis!

Dar aulas para assalariados seniores que querem valorizar sua carreira

Muitos seniores buscam atualização profissional com aulas particulares! Como Robert De Niro em « Um senhor estagiário », muitos idosos procuram desenvolver novas habilidades e competências para progredir em sua vida profissional.

Com a crise econômica, as demissões assustam cada vez mais colaboradores de empresas grandes e pequenas. Quando os cortes de pessoal tornam-se inevitáveis, os funcionários mais custosos e mais antigos são os mais visados. Por isso, profissionais seniores acabam procurando atualizar seu currículo e suas competências para não ficarem para trás nessa corrida corporativa.

Conteúdos como novas tecnologias, línguas, comunicação, relacionamento, sustentabilidade e terceiro setor são alguns dos temas mais procurados. Quando a empresa é uma multinacional, as demandas são ainda mais específicas e direcionadas. Por isso, o professor particular acaba desempenhando o papel de um coach profissional, de um formador especializado.

Aqui, ao contrário da preparação de aulas para aposentados, a definição de um plano de ação mais preciso e rigoroso deve ser levada em conta. Conhecer a empresa, o negócio e o cargo também são requisitos para que seu aluno obtenha sucesso. Lembre-se de que a linguagem e o vocabulário corporativo e empresarial são um mundo à parte. Você precisa estar por dentro do ramo de atividade de seu aluno, mesmo trabalhando com educação e sendo, afinal de contas, professor particular.

Aulas de línguas: é verdade que é mais difícil de ensinar para idosos?

Quais são as melhores metodologias de ensino para idosos? A principal vantagem de dar aulas para idosos é a maturidade: eles são autônomos e sabem aprender.

Quando falamos em terceira idade, é comum ouvirmos dos próprios idosos a seguinte frase: « Já não tenho idade para aprender uma nova língua… » Geralmente os argumentos giram em torno da impossibilidade de se aprender os tantos verbos irregulares, a extenuante conjugação, as exceções das exceções, o medo da pronúncia… Mas nós estamos aqui para acabar com esse clichê.

Sabe-se que sim, é verdade: quanto mais jovens somos, mais fácil de se aprender uma segunda ou terceira língua. Podemos citar o clássico exemplo de crianças bilíngues educadas pelo pai em uma língua e pela mãe em outra. Sobretudo quando falamos de aprendizagem de vocabulário e de fonética. Segundo Moreau e Richelle (1981), a « maturidade fonética » atinge seu apogeu aos 10 anos de idade e, depois disso, fica cada vez mais difícil de adquirir uma pronúncia autêntica de uma língua estrangeira, devido às dificuldades de distinção dos fonemas existentes.

No entanto, para aqueles que já estão na melhor idade, com um pouco de perseverança, é perfeitamente possível aprender ou aprimorar uma outra língua como o francês, o italiano, o alemão, o espanhol, o inglês. Mesmo depois dos 60 anos. Vejam algumas razões:

  • Os idosos estudam de maneira muito mais independente que os jovens: aqui, o papel do professor particular será apenas o de conduzir sua metodologia. Lembre-se de que seus alunos já passaram por inúmeras experiências de aprendizagem e, por isso, já sabem como aprender algo – diferentemente dos jovens, que estão em processo de aprender a aprender.
  • Com a experiência, também vem a sabedoria de fazer bom uso de seu tempo: do mesmo jeito que os idosos não têm paciência para demora, eles sabem quais são seus objetivos e são diretos em relação a eles. Isso também vale para os estudos. Nessa situação, estabelecer metas e seguir um programa se torna uma tarefa muito mais fácil.
  • Os idosos continuam motivados a enfrentar desafios: estabeleça desafios graduais, práticos e possíveis de serem atingidos. Obter uma certificação como o TOEIC ou o TOEFL pode ser um exemplo de estímulo que funciona.

Idosos e aposentados: um público que tem sede do saber

Os mais jovens abandonam mais os desafios que os mais velhos. Perseverança é uma característica comum à terceira idade.

Em uma sociedade que se transforma em uma velocidade alucinante, os idosos já têm consciência de que, se não acompanharem o mundo, serão marginalizados. Seja por puro prazer, por necessidade financeira ou necessidade física, o desejo de aprender ainda é um catalisador potente na terceira idade. E ele supera de longe a motivação dos mais jovens.

Há um provérbio africano que diz: « Cada velho que morre é uma biblioteca que se incendeia« . Portanto, vamos acabar com os clichês e provar que nunca é tarde para aprender. Um exemplo disso são as próprias universidades, berços de novos conhecimentos e que acolhem muitos idosos ou aposentados em busca de reciclagem de saber. Há, inclusive, cursos específicos ofertados para essa faixa etária.

Em suma:

  • As aulas particulares para idosos vão de vento em popa.
  • Ao contrário do senso comum que afirma que os idosos não querem aprender e têm resistência ao conhecimento, pesquisas recentes apontam para uma inclusão social por meio dos estudos. Os idosos são perfeitamente capazes de acumular novos saberes e frequentar cursos diversos.
  • Para o professor particular, as metodologias de ensino variam um pouco: mais autonomia dos participantes, mais troca, compromisso e paciência. Esses são alguns dos elementos essenciais que regem as aulas.

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Fernanda
Apaixonada por educação, música e cinema, é especialista nos encontros e desencontros das línguas.

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