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O poema e os estudos da língua portuguesa

De Carolina, publicado em 12/07/2017 Blog > Reforço escolar > Português > Utilize a poesia para dar aulas de português

A poesia parece algo muito sério. Mas pelo contrário, ela é o jogo da língua! Não há nenhum tipo de texto que valorize tanto as figuras de linguagem, as ordens das palavras, as rimas…

No xadrez, a gente deve escolher o melhor lugar para cada peça. Nada acontece por acaso e as palavras são estrategicamente posicionadas. A poesia não se diferencia muito desse jogo no ponto de vista das posição de cada palavra. Os poetas escolhem exatamente onde cada palavra fica. É o cuidado estético com a língua ao extremo!

Por isso, os poemas nos transmitem tantas coisas: sentimentos como alegria, tristeza, dor, saudades, angústia… É a arte das letras!

Porque, diferente de um texto em que o autor expõe argumentos, tenta convencer, informar o leitor de alguma coisa, a poesia não tem disso. Ela quer expressar!

E como em cada arte ou texto, ela reflete os pensamentos e valores de uma época. A poesia do trovador não é igual ao do poeta do modernismo.

Como veremos a seguir, podemos ver o desenvolvimento da língua portuguesa através da poesia: desde a época em que misturava-se o galego e o português (idade média) até a época que simplificamos e tiramos todo o excesso de linguagem nos textos.

Então, embarque com a gente nessa viagem de sensações, sentimentos, amor pela língua!

Sim, os poetas são principalmente apaixonados pela língua e seu uso. Se não, não iriam inovar tanto e escolhê-la como principal veículo de sua arte.

Respire e sinta a poesia! Ensine seus alunos a gostarem dela! No Brasil, temos escritores maravilhosos como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Paulo Leminski.

Um dos escritores mais famosos do Brasil, escreveu toda a sua vida A estátua do poeta está na praia de Copacabana no Rio de Janeiro

Aproveite da riqueza e da ousadia de nossos escritores para ensinar seus alunos as várias vertentes da língua portuguesa!

Vamos ao aprendizado de uma das mais ricas obras de arte, a língua através da poesia!

Mariana

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A poesia ajuda a entender a evolução da língua

Como dizemos acima, as várias épocas da literatura portuguesa (brasileira e portuguesa) retrataram os costumes e valores do momento histórico.

Por exemplo, o barroco na era clássica da literatura (século XVI) evocava os temas religiosos e contestava os dogmas da igreja católica. As poesias dessa época também exaltavam essas questões como os versos de Padre Antônio Vieira:

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? (…) ” – Sermão de Santo Antônio ou Sermão dos Peixes – 1654

Como podemos ver, a literatura portuguesa começou no século XII na Idade Média com os trovadores.

Eles misturavam o galego (linguagem da Galícia no norte da Península Ibérica que faz parte do território espanhol) com o português. Naquela época, o português não era uma língua definida como hoje, por isso havia a mistura.

Além disso, o humanismo ligado ao renascimento tendo como temas as artes, as descobertas científicas e a filosofia.

Já a era Moderna a partir do século XIX possui várias correntes mais próximas do português de hoje como o Romantismo, Realismo-Naturalismo (Machado de Assis), Simbolismo e o Modernismo (Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado…).

Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, escrevia sem uma verdadeira preocupação com a métrica, rima, longe das convenções poéticas das épocas anteriores. A linguagem moderna também tem essas características, por isso, seus poemas também refletem as mudanças na língua portuguesa.

“Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. (…)” – Congresso Internacional do Medo

A poesia e as figuras de linguagem

A poesia é o estilo de texto onde as figuras de linguagem são mais empregadas! Para se ter uma ideia, há muitas correntes literárias que têm como característica certas figuras de linguagem.

O poeta tem várias inspirações para escrever seus textos As paisagens, os sentimentos de amor, tudo pode inspirar um belo poema

Por exemplo, o Simbolismo usava muito a sinestesia (planos sensoriais diferentes – gosto com cheiro, visão com tato..), aliteração (repetir sons consonantais idênticos) e assonância (repetir sons de vogais em verso ou frase):

“Ó Formas alvas, brancas, Formas claras”
Cruz e Sousa (assonância em A).

Vamos a alguns exemplos de figuras de linguagens presentes em poemas de autores conhecidos do Brasil:

“Todos estes que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!”Poeminha do Contra – Mário Quintana

O autor utiliza da ironia para dar efeito a seu poema.

“Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue.
Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
– Eu faço versos como quem morre.” – Desencanto – Manuel Bandeira

Na segunda estrofe, encontramos várias metáforas no poema de Manuel Bandeira: “verso é sangue, volúpia ardente, tristeza esparsa, remorso vão“.

Os principais poetas da língua portuguesa

O Brasil e Portugal possuem vários poetas muito talentosos. Não há como citar todos aqui, mas vamos falar um pouco de cada um que mais marcou a história do país e nossos estudos de língua portuguesa:

  • Luís de Camões (português, 1524 – 1579 ou 1580): o poeta e escritor épico que escreveu os Lusíadas também fez uma poesia que todo mundo viu na escola:

    “Amor é fogo que arde sem se ver;
    É ferida que dói, e não se sente;
    É um contentamento descontente;
    É dor que desatina sem doer.

    É um não querer mais que bem querer;
    É um andar solitário entre a gente;
    É nunca contentar-se de contente;
    É um cuidar que se ganha em se perder.(…)” – Luís de Camões  

  • Gonçalves Dias (brasileiro, 1823 – 1864): quem não se lembra de “Canção do Exílio”? “Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores (…)”. Talvez tenha sido o primeiro poema aprendido por muitos que ficou na memória até hoje.

    Não deixe de escrever versos para treinar seu texto A poesia abre as portas da criatividade na língua portuguesa

  • Oswald de Andrade (brasileiro, 1890 – 1954): vamos pular já para o modernismo! Quem lembra da poesia do cigarro que fala da gramática?

    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco 
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.” – Pronominais, Oswald de Andrade
  • Carlos Drummond de Andrade (brasileiro, 1902 – 1987): poeta que transformava o cotidiano em poesia. Carlos transmitia o que tem de mais bonito no mundo: a simplicidade. Mas alguém já entendeu o que ele quis dizer com o poema da pedra?

    “No meio do caminho tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    tinha uma pedra
    no meio do caminho tinha uma pedra.
    Nunca me esquecerei desse acontecimento
    na vida de minhas retinas tão fatigadas.
    Nunca me esquecerei que no meio do caminho
    tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    no meio do caminho tinha uma pedra.” – No Meio do Caminho, Carlos Drummond de Andrade

  • Vinícius de Morais (brasileiro, 1913 – 1980): Grande poeta, músico, dramaturgo, diplomata… Vinícius fez de tudo um pouco na vida, mas o que ele mais gostava era de amar! E demonstrava isso em suas poesias:

    “De tudo ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.
    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento
    E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama
    Eu possa me dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.” Soneto da Fidelidade, Vinícius de Morais

     

    Este tema é o mais recorrente na literatura! Este é o sentimento mais falado nas poesias, certamente!

     

  • Clarisse Lispector (1920-1977): a poeta escrevia também sobre o cotidiano mas sobre temas psicológicos

    “- Ela é tão livre que um dia será presa.
    – Presa por quê?
    – Por excesso de liberdade.
    – Mas essa liberdade é inocente?
    – É. Até mesmo ingênua.
    – Então por que a prisão?
    – Porque a liberdade ofende.” Clarisse Lispector

Além dos que citamos, há Castro Alvez, Olavo Bilac, Mário de Andrade, , Jorge Amado, Cecília Meireles, Ariano Suassuna, Adélia Padro, Cora Coralina, Ferreira Gullar, Lya Luft, Paulo Leminski…

Aprenda com a poesia portuguesa e melhore seus textos, sua inspiração e seu humor!

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